Dez anos daquele canudo

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A sensação de ver uma foto antiga

Parece que foi há muito tempo, mas faz só dez anos que recebi um canudo e um papel que diziam que eu tornava-me, enfim, jornalista. Esse mesmo papel que meses depois foi desacreditado pelo Supremo Tribunal Federal, assim como sindicatos de bem menor poder – um deles até hoje não deixa eu trabalhar em rádios se não fizer o curso deles.

A vida jornalística desde o início prova que não é fácil, afinal.

Diverti-me procurando fotos para lembrar dessa data. Jovens: em 2009 ainda não se tinha ideia do que um smartphone poderia fazer e a troca de imagens acontecia por e-mails. Dezenas, às vezes centenas deles, quando a conversa e o grupo de amigos era bom – como o meu foi, durante e depois da faculdade.

Nos resgates em um @hotmail.com antigo, como a foto que estampa este texto, revi uns quantos colegas que já abandonaram a lida há algum tempo. Desertaram do sonho e hoje atuam em outras funções, as quais quase sempre relacionadas à comunicação social – que sofreu uma transformação enorme desde aquele quente 9 de janeiro em Porto Alegre. Nesta foto, somente um segue em redação. Casualmente na mesma que eu.

Assim como o número de então repórteres da imagem, em dez anos, a maneira de se trabalhar o jornalismo mudou bastante. A pressa, outrora tão festejada como furo, talvez venha sendo usada contra nós. A pressão também cresceu, especialmente nos últimos meses e há a tendência de que sejam anos complicados, os vindouros.

Nunca fiz projeção de carreira, onde gostaria de estar dez ou vinte anos depois de me formar, mas jamais me vi arrependido pela escolha tomada na década passada. Se acumulei algumas decepções com a carreira e o ambiente, fiz várias pautas que guardo com carinho, proporcionadas graças ao fato de eu ser jornalista, que mude o que for, é, ainda e sobretudo, uma testemunha da história.

Nunca almejei mudar o mundo com meu trabalho, embora procure fazer o meu melhor possível dentro das minhas limitações. Isso já me garante a consciência tranquila. E num mundo com tanta notícia falsa, já é um fato a se comemorar.

 

ps: em meio a essa busca por fotos daquele dia, encontrei uma de outra formatura, de alguém que tornou-se um grande repórter, um ano mais tarde. O e-mail veio com a mensagem:
“Grande Tiago
Fiquei muito feliz com a tua presença na minha formatura. Segue a foto ae.
Abs,
Laion

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Jornalismo e a crise

Ontem foi dia do jornalista e talvez pela data esteja meio sentimental, especialmente nestes momentos turbulentos seja nas redações ou em salas de governo. Mas, com certo otimismo, ver este cartaz postado pelo Daniel Scola, da Rádio Gaúcha, me fez refletir superficialmente um pouco sobre a relação jornalismo x crise:

Chamou minha atenção a expressão “jornalismo eletrônico”. E isso falado lá por meados da década de 70, quando a televisão, dizia-se, estava em vias de acabar com o rádio, meio então mais consagrado por informar a população.

Não acabou, como todos sabemos. O rádio, desde essa época, adaptou-se. E segue uma nova era agora, com muitas emissoras AM levando seu conteúdo para a FM, onde a música já não é necessariamente o principal conteúdo oferecido. Com a profusão da internet, que não matou a TV, vivemos uma época que temos muitos acordes ao nosso alcance, afinal.

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A redação | Foto: Alina Souza/Correio do Povo

Pra quem não conhece, o Atualidade é um programa onde jornalistas de diferentes veículos e meios da RBS participam. Não deixa de ser uma atração de mídia convergente, tema da minha monografia de graduação em jornalismo em 2008. Tratei o assunto como uma grande novidade, pegando o caso de uma cobertura multimídia na web.

Porém, como bem se vê, já existia o “jornalismo eletrônico” havia décadas. Em quatro anos de faculdade ainda vi outras tantas expressões: “fotojornalismo”, “jornalismo cidadão”, “telejornalismo”, “jornalismo gonzo”, “jornalismo digital”, “jornalismo literário”, “jornalismo de dados” etc.

Há uma constante, nota-se. E mesmo com redações mais esvaziadas e a digitalização de processos, o jornalismo continuou – e continua. Menos gente pode significar mais trabalho, mas também mais responsabilidade àqueles dispostos a fazer um bom jornalismo (algo que nem todos os profissionais estão dispostos e, sim, dá trabalho!). Esses, tenho certeza, seguirão existindo independente da tecnologia que vier.

Muitos jornalistas têm medo que uma tecnologia arrasadora faça voar forte o passaralho. Mas o jornalismo vive nesta crise. Há décadas ele segue aí. E seguirá.

Obrigado, muito obrigado

Depois de um dos dias – que durou cerca de 40 horas seguidas – mais emocionantes da minha vida, entreguei a monografia. Quem me conhece, leu aqui, ou percebeu meu afastamento, sabe que foram meses puxados esses últimos. Então, nada mais justo do que agradecer em público a todos aqueles que ajudaram durante esta caminhada. Logo abaixo, a página 4 do meu trabalho:

 

AGRADECIMENTOS

 

 

Primeiramente, a Deus por me possibilitar saúde, paciência, determinação tão necessárias para a realização deste trabalho.

A toda a minha família, em especial às mulheres que apenas com um sorriso já fazem meu dia melhorar – minha mãe, Marister, e minha avó, Gladys –, ao meu pai, minha irmã e meu sobrinho, por todo amor, apoio, alegria e compreensão.

Ao meu orientador, André Pase, amigo e mestre em todas as horas, pela paciência, os “puxões de orelha”, a dedicação e por ter acreditado nesta pesquisa.

Ao amigo Tiago Trindade, pelo companheirismo em todas as horas. Seja ela qual for.

Aos colegas da PUCRS, Rodrigo Oliveira, Luiz Felipe Mello, Júlia Timm, Sheron Monalisa, Andressa Griffante, Vivian Schneider e Felipe Rodrigues, por toda a amizade e companheirismo nas aulas, nas pautas e nos bares Porto Alegre afora.

Aos ex-chefes, que logo se tornaram amigos e hoje são colegas, Fabiano Silva e Fabrício Falkowski, por todo o conhecimento jornalístico extra-classe passado durante o período de convívio.

À Luana Duarte, Mariana Oselame e Priscila Silveira que, mesmo impossibilitado de vê-las tanto quanto gostaria, foram importantes durante a realização deste trabalho.

A todos aqueles que, com admiração, já pude chamar de professor. Desde Luciana Mallmann e Arlindo Raschcowetzki, que tentaram me passar um pouco dos mistérios da física e química na Escola Rainha do Brasil, a Juremir Machado da Silva, Vitor Necchi, Fabian Chelkanoff Thier, Élson Sempé Pedroso, Aline Dallago, João Brito, Sérgio Stosch e, em especial ao mestre Marques Leonam, por terem me ensinado, ao longo dos últimos quatro anos, a praticar e a amar o jornalismo.

 

ps: a emoção ainda não acabou! Dia 24 tem a banca!

Tá acabando

     Falta pouco. É estranho. Escrevo na madrugada de segunda para terça-feira – 3 para 4 de novembro. Tudo dando certo, daqui a exatamente três semanas, estarei comemorando o resultado da minha banca. Estarei praticamente formado. Chegarei ao fim de uma caminhada que se iniciou às 19h30 do dia 1º de março de 2005. Ou antes, bem antes. No momento em que optei pelo jornalismo.
     É estranho. Falta pouco. Já beiro a 50ª página da minha monografia. Só mais algumas e deu. Acaba. Monografias têm fim. Não estava muito certo disso semana passada. Mas, sim, elas terminam. E, sim, até eu consigo escrever uma. Alívio, felicidade. Ansiedade. Não sei. É tudo junto, formando algo impossível de ser transcrito em um mero blog. Ainda mais de madrugada.
     Mas, a grande questão, maior até que o problema do meu trabalho: E depois?

Traz mais uma, chefia

Madrugada de domingo pra segunda. O relógio marca quase 3h30 da manhã. Depois de monografar durante horas, caindo de sono percebo uma falha num artigo da Wikipedia. Determinado a fazer uma boa ação – mesmo já estando num estado pouco pior que o deplorável – resolvo editá-lo. Feitas as devidas correções, abre-se a janela para confirmar a alteração. Ela tem uma senha. Eis que… (clica na imagem pra ela aumentar)

“next drink”

Eu mereço…