Japan feelings

Enfim, uma galeria nipônica. Toda ela está disponível no Flickr.

Além dos posts aqui no blog, quem quiser relembrar um pouco mais da cobertura pode ler a matéria que foi Correio do Povo.

Arigatô gozaimas pela audiência.

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Uma vez em Shibuya

Shibuya TM (1)

Se houve uma lamentação da viagem ao Japão, além do escasso tempo por lá, foi ver Shibuya “vazia”. Ainda que haja certo desconforto em se atravessar a rua com um monte de gente ao lado (e à frente e atrás), não é todo dia em que se está na esquina conhecida como, de fato, a mais movimentada do mundo.

E não é exagerado dizer isso. Neste encontro de cinco ruas – como bem observa o colega Guilherme Kolling nesta matéria (confesso que nem tinha contado) – ao lado da estação de metrô em Shibuya chegam a passar milhares de pessoas por vez num intervalo de segundos.

Portanto, quando estive lá, o que mais queria era ver: gente. Não chegou a ser o caso, conforme minha guia. Naquela ocasião, uma segunda-feira à noite meio chuvosa, passavam, no máximo, apenas centenas por vez. Todos requerendo um pouco mais de atenção, pois além de desviar de pessoas era necessário ter atenção com os guarda-chuvas vindos de todas as direções.

Mas ainda assim deu para se ter uma ideia do espírito daquele lugar, ou do que é a Tóquio moderna. Especialmente à noite, que seria escura se não fossem aqueles modernos telões com publicidades que levam o transeunte a um cenário futurístico – uma faceta japonesa tão marcante quanto a do Japão “tradicional” de samurais.

Em meio ao povaréo que passa por Shibuya estão, claro, diversos turistas. Que lá estão porque disseram para eles que tem uma esquina cheia de gente, diz-que-diz que fez com que se enchesse mais – e por aí vai. Para eles, talvez atravessar a rua não chegue a ser o ponto alto, mas sim parar no meio do caminho e tirar fotos ou gravar vídeos. E o fazem, mesmo que atrapalhe o trânsito.

hachiko

Hachiko

Paralelamente à ânsia por likes e shares eventuais, ao lado da famosa esquina há a lembrança de uma relação profunda, a amizade. Um tributo à amizade, na verdade, simbolizado pela estátua de Hachiko, o cãozinho que ganhou até filme. Hachiko sempre ia à estação aguardar seu dono chegar no trem que para na estação de Shibuya. Um dia, porém, o dono não voltou, pois morreu em acidente. Mas Hachiko não perdeu a esperança de encontrar o velho amigo e voltou lá todos os dias até seu fim. Hoje é lembrado por uma estátua e por diversos cartazes em alusão à sua imagem pela estação.

A peculiar troca de cartões japonesa

cartoes (2)

Dentre os antagonismos entre brasileiros e japoneses um dos que mais chama a atenção é o momento de “troca de cartões”. Praticamente uma cerimônia, com direito a hora marcada na rígida e pontual agenda nipônica de compromissos para um evento – que é seguida à risca. “A entrada para uma boa impressão aqui é dar o devido valor para a troca de cartões” ressalta Etsuo Ishikawa, consultor do banco Iwata Shinkin.

Se no Brasil o contato entre desconhecidos potenciais parceiros é feito nos coffee break ou networking, lá a troca de cartões é um momento solene. “A troca de cartão de visita é fundamental, porque no Japão a primeira coisa que você faz ao se apresentar é entregar o seu cartão. E esta troca não pode ser algo sem muita formalidade, porque no cartão tem lá sua qualificação, de onde você é, seu telefone. Toda a informação de quem ele vai passar a interagir”, conta.

E há regras de boa conduta, obviamente. O cartão deve ser entregue (e recebido) com ambas as mãos de forma com a qual quem ganha a apresentação possa lê-la na hora. Não raro ambas as pessoas estão curvadas, como sinal de respeito. “O japonês não pega simplesmente o cartão e o guarda. Ele verifica, faz uma checagem, tenta gravar o nome da pessoa e vê logo o cargo da pessoa”, ensina Etsuo.

Jamais o cartão é guardado imediatamente. Claro que se isso acontecer com estrangeiros se releva, mas entre japoneses seria considerado até uma ofensa.

Um ritual testado por este que vos escreve: “Hmm… Tiago Medina… editor web… óóó”, disse-me num esforçado português o senhor Hirohisa Takayanagi, que preside o Conselho Administrativo do banco Iwata Shinkin. Pulemos aqui o esforçado japonês deste jornalista proferido segundos depois.

Recebido, o cartão vira uma espécie de souvenir da pessoa. “Eles valorizam tanto, que é muito comum guardarem cartões de pessoas importantes e isso servir como um tema para uma conversa, um bate-papo: ‘Olha com quem eu estive aqui’”, observa Etsuo. “Eles têm esse hábito. Você ter o cartão de uma pessoa é extremamente importante.”

O senhor Takayanagi que o diga.

*Texto originalmente publicado no Correio do Povo

Do que se come pelo mundo

bentoo (1)Se há algo que nos marca em cada viagem, isso provavelmente está na mesa. Enquanto em abril tive que encarar de frente a temperada e apimentada comida mexicana – e aprender que feijão mexido e frio com nacho é sim algo bem bom de se comer – em junho o desafio foi comer a comida japonesa original.

E por original consideremos, naturalmente, a feita por e principalmente para japoneses… no Japão. Brinco que por esses lados do Atlântico, o brasileiro e sua criatividade ainda inventarão o sushi de frango grelhado com requeijão ou o nipo-brasileiro: o sushi de arroz e feijão. Em Tóquio, dos sushis que pude provar, em nenhum vi cream cheese, por exemplo.

No Japão, tudo o que era de comer pareceu mais in natura, com muita salada. E quase sempre com arroz, que diferente do soltinho brasileiro, é bem empapado – até para facilitar para comer com o hashi. Quem quer escapar pode apelar para as massas, facilmente encontradas no estilo japonês, que, digamos, não lembra muito aquela feita com a receita italiana. Algumas por um preço bem camarada.

Importante salientar: não tenha certeza que a refeição típica é aquecida. Nem sempre ela é, sendo muitas vezes fresca, na temperatura ambiente. Uma sopinha volta e meia acompanha, conforme as fotos.

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Outra característica bem distinta à brasileira é a separação quase metódica dos tipos de comida, como na foto aqui de cima – que é de um bentoo, o equivalente à marmita verde e amarela. “Japonês come tudo assim, cada coisa de uma vez”, me explicaram por lá. Hábito é hábito, afinal.

Imaginei como seria estarrecida a cara de um oriental ao me ver em casa comendo arroz, feijão e guisado tudojuntoemisturado. O mundo é bem grande, meu amigo.

ps1: o idioma japonês é um obstáculo imenso para a grande maioria dos ocidentais. Para facilitar na hora de pedir a comida, muitos restaurantes dispõem de fotos dos pratos. A partir daí, a mímica impera.

ps2: Todo mundo tem direito de escolher o que quiser comer quando se está viajando. Em Tóquio, opções – orientais e ocidentais – não faltam! A capital do Japão é a cidade com o maior número de restaurantes no mundo.

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Diários Mexicanos: Dos Detalhes

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Para fechar o mês e a pauta mexicana, uma pequena sobra de conteúdo, que sequer havia sido escrita antes e chega aqui com palavras de improviso. Detalhes, que muitas vezes passam desapercebidos em caminhadas por ruas novas, mas que sempre procuro reparar.

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Desenhos e textos, coloridos ou não, com ou sem escritos, ainda que sempre com mensagens. Algumas oficiais, outros não. Tudo detalhezinho que dão um acabamento final às cidades. A arte tem essa finalidade, não?

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Valladolid, por exemplo, além de se orgulha de ser uma cidade histórica, considera-se também heroica. Enquanto isso, a região central de Mérida conta com pelo menos um grafiteiro criativo que, pelo jeito, gosta de pássaros. Para sua sorte, vive num lugar que prefere cores nos muros do que o sisudo cinza.

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Mas a arte também pode estar num pequeno azulejo de uma esquina ensolarada. Um característica que lembra outros tantos azulejos encontrados pela Península Ibérica, uma região cuja distância geográfica é longa, mas a cultura aproxima.

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E tem mais fotos, claro. Não só de arte, mas de outras visões desta quase uma semana no México. Pouco tempo, mas de boas recordações. As imagens estão disponíveis neste link.

Diários Mexicanos: Um mar mais claro que o céu

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Navegar é preciso

Existem bem mais de sete mares neste mundo – são dezenas, na verdade. Alguns mais calmos, outros revoltos, uns escuros, outros de uma transparência absurda. Dos que já vi, um é de cenário hipnotizante: o Mar do Caribe. E é preciso conhecê-lo, ao menos uma vez na vida experimentá-lo.

É necessário mergulhar, de preferência em local onde não se dá pé. Imergir e espantar-se com o mundo e a vida submersa. Uau, como é claro. Uau, como é possível enxergar ao longe, mesmo debaixo d’água. Mesmo num mundo que produz tanta poluição e finge não se preocupar muito com isso.

Qualquer gaúcho que passou a infância em Tramandaí quase não conseguirá entender como o mar pode e é assim, de um azul-turquesa que já se destaca de longe quando se aproxima de Cancún. Ou como a areia pode ser clarinha e fofinha, sem ser aquele piso resistente, por vezes manchado, que se encontra a 100 quilômetros de Porto Alegre. Além de conchas e outras formas que vêm do mar.

Nada contra o mar gaúcho, deixemos claro. O mar do Sul do Brasil tem uma força impressionante e uma sisudez quase que constante, é seu jeito e não adianta. Já o do Caribe vive outro tempo. Se o mar destas bandas é inverno, os caribenhos inspiram um verão infinito – não muito diferente da Bahia, por exemplo. Aliás, não recusem um convite para conhecer a Praia do Forte, em Mata de São João.

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Talvez a vida fosse melhor se todos pudessem ir a uma praia caribenha como iguais, sem all inclusive, falando o idioma que fosse. Apenas com o mais infantil intuito de banhar-se e ser feliz. Como num eterno verão à beira-mar.

Diários Mexicanos: Mérida

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Mérida tem um chão apropriado para perdidos

Capital yucateca, Mérida também é uma das maiores cidades do México e, dizem, se orgulha de ter a melhor qualidade de vida do país. No início da década, recebeu um cobiçado título de “ciudad de la paz”, devido ao seu – sonhem – nível de segurança social. E, de fato, de falta de policiamento os meridanos não podem reclamar. Especialmente em se tratando da realidade de um país com índices preocupantes de violência, seja contra imigrantes, seja contra jornalistas.

A realidade talvez seja um pouco diferente em Mérida, que até tem, entre suas calles, o mesmo quê colonial que se encontra em Valladolid, outra cidade polo de Yucatán, mas  ao mesmo tempo ares e vias asfaltadas de uma capital estadual em certas partes.

A grandeza, porém, não impede seus muitos cidadãos passearem vaidosos com suas guayaberas num domingo ensolarado. Carruagens floridas passam na rua da praça onde uma pequena multidão de turistas pesquisa caveirinhas e outros quetais para levar para suas casas como lembrança.

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Palácio Municipal, na Plaza Grande

O sino da catedral bate, a fé mexicana se exalta. A igreja conclama a crença costumeiramente latina, de que um Deus fará tudo melhorar um dia. Ao mesmo tempo, Mérida é de novo a capital americana da cultura neste ano e sua prefeitura promete e divulga atrações diárias e gratuitas. De futebol maia a show de luzes na fachada da catedral.

Fundada em 1542, Mérida é um pouco assim: uma cidade repleta de atrações, mas com um povo que tem ares de pacato.