Curso de Live Blog

(ou: pausa para um pequeno merchan)

logo-cursolargo2

Ainda que trabalhe com comunicação e hoje em dia isso tenha uma (grande) pitada de marketing, sigo jornalista e não publicitário. Deve ser por conta deste fato a certa dificuldade, somada à pequena encabulação, de montar um texto atrativo para divulgar determinado evento.

Fato é que eu, ao lado de meu colega de Correio do Povo Bernardo Bercht, do blog PitLane, estaremos ministrando o curso “Coberturas em tempo real: Linguagens do Live Blog” no Espaço Metamorfose, aqui em Porto Alegre, no querido bairro Menino Deus.

Nesta primeira edição – sim, esperamos que tenha mais! –, o jogo é rápido: são três aulas, em quartas-feiras seguidas, onde debateremos entre outras coisas o uso, recursos, erros, acertos e linguagem do famoso “minuto a minuto” da internet. O “Minamin”, para os íntimos.

Particularmente recomendo a estudantes e recém-formados em jornalismo. Mas também considero interessante a outros profissionais de comunicação, além de creators e blogueiros em geral que queiram aprofundar conhecimentos nas transmissões em tempo real. O preço? R$ 200.

Tem mais informações neste link. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas clicando direto aqui.

Além do mapa – quando o Google tirou os painéis olímpicos do Rio

Dias atrás estive no Rio de Janeiro. Desta vez a trabalho. Bancada por uma empresa, a pauta óbvia era as melhorias que a cidade está passando com as obras visando os Jogos Olímpicos – que, de fato, deram outra cara principalmente ao Centro Histórico carioca e sobre isso escrevi aqui.

Apesar do pouco tempo, nunca andei tanto pelo Rio quanto nestes dois dias de pauta. E apesar de ficar positivamente impressionado com a melhora na mobilidade, me entristeceu ao reparar uma tentativa de “esconder” favelas e/ou outras áreas, digamos, não tão atrativas da Cidade Maravilhosa aos olhos dos turistas.

621941-970x600-1

Foto via Rap Nacional Download

Algumas favelas a beira de avenidas tinham suas fachadas escondidas por coloridos painéis alusivos aos Jogos Olímpicos, principalmente na Linha Vermelha, que faz a ligação do centro com o aeroporto do Galeão, onde a maioria das delegações desembarcará. Obviamente, a Prefeitura do Rio negou que o objetivo era “esconder” as comunidades.

O plano de decoração, no entanto, naufragou graças a uma iniciativa de ninguém menos que o Google. O especial “Além do Mapa”, que faz o convite escancarado ao mundo que não poderá enxergar além do painel: “Entre nas comunidades do Rio de Janeiro, lar de mais de 1,4 milhão de pessoas”.

Um dos mais especiais multimídia mais completos que já vi inicia com um texto esclarecedor: “O Rio é uma cidade dividida. Tem o lado que todo mundo conhece, Copacabana, Ipanema, mas tem um outro lado. O das favelas. A cada cinco pessoas, uma vive nas favelas. Quando você olha no mapa de perto do Rio de Janeiro, a maioria das favelas ainda são um buraco cinza no mapa, como se não tivesse nada”, diz, antes do convite: “Para você descobrir, você precisa entrar e entender”.

alem do mapa

Convite feito, então. Separe alguns vários minutos e mergulhe nesta realidade genuinamente carioca.

Uma nova credibilidade

Faz pouco mais de um ano participei do “Mídia em Debate”, na TVE, numa edição que acabou sendo um dos últimos programas, que discutiu, entre outros assuntos, a credibilidade nesta época e um jornalismo acelerado e de redes sociais.

O mediador foi Celso Schröder, meu professor na PUCRS, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas e ferrenho defensor do jornalismo impresso. Dentre seus argumentos, que concordo em parte, ele argumentou ao longo da conversa que um repórter não pode sair pautado para fazer texto, vídeo e áudio para uma matéria. Em suma, não adianta jogar muito volume de informação, sem conteúdo.

Eu e mais dois colegas que estávamos à mesa argumentamos que não é bem assim. O modus operandi do jornalismo mudou não só depois da profusão da internet, mas também após a massificação dos smartphones. Tudo é cada vez mais rápido, principalmente a informação – sejam elas jornalísticas ou boatos e “matérias” descontextualizadas que tanto aparecem em timelines alheias.

Schröder usou um bom exemplo para defender seu ponto de vista: Watergate. O escândalo político em que dois repórteres, Bob Woodward e Carl Bernstein, guiados por uma fonte que utilizava pseudônimo derrubaram o presidente dos Estados Unidos após denúncias de corrupção. Um exemplo de “jornalismo puro”. Com matérias de jornais e na década de 1970, ou seja, sem os recursos multimídia do século XXI.

Lembrei disso esta semana por conta de um evento trágico: o ataque a machadadas de um jovem afegão em um trem na Alemanha. Estava no jornal, recebemos as primeiras informações e apuramos na imprensa local. Logo veio aquela dúvida, infelizmente corriqueira por estes dias: tratava-se de um atentado terrorista?

Em um primeiro momento, apenas indícios, mas não provas. Era noite de segunda-feira no Brasil e a notícia permaneceu daquela forma: um afegão atacou alemães em um vagão de trem. No entanto, na manhã seguinte, o Estado Islâmico assumiu o crime. Contudo, foi por meio de sua agência de notícias (note a importância da informação, uma organização tem uma agência de notícias oficial!). Apenas palavras, que imediatamente foram contestadas por autoridades alemãs.

Horas mais tarde, então, veio o xeque-mate dos extremistas: um vídeo, com o autor do ataque, admitindo que faria uma “operação” na Alemanha, contra “países infiéis”. A partir daí, a Alemanha reconheceu que o jovem havia se radicalizado havia pouco.

A questão do caso foi a credibilidade. O Estado Islâmico reivindicou, porém não teve respaldo – tal qual muita coisa que a gente lê, mas não acredita internet afora hoje dia. Teve que lançar mão de um vídeo para provar a autenticidade de seu ato. Assim conseguiu, porque vivemos numa era multimídia. Em certos casos, apenas palavras podem não bastar. É necessário contexto, provas e se possível vídeos ou fotos – que serão minuciosamente  analisados por um sem fim de interessados, sejam jornalistas ou não.

É uma nova busca à velha credibilidade. À moda o século XXI.

Jornalismo e a crise

Ontem foi dia do jornalista e talvez pela data esteja meio sentimental, especialmente nestes momentos turbulentos seja nas redações ou em salas de governo. Mas, com certo otimismo, ver este cartaz postado pelo Daniel Scola, da Rádio Gaúcha, me fez refletir superficialmente um pouco sobre a relação jornalismo x crise:

Chamou minha atenção a expressão “jornalismo eletrônico”. E isso falado lá por meados da década de 70, quando a televisão, dizia-se, estava em vias de acabar com o rádio, meio então mais consagrado por informar a população.

Não acabou, como todos sabemos. O rádio, desde essa época, adaptou-se. E segue uma nova era agora, com muitas emissoras AM levando seu conteúdo para a FM, onde a música já não é necessariamente o principal conteúdo oferecido. Com a profusão da internet, que não matou a TV, vivemos uma época que temos muitos acordes ao nosso alcance, afinal.

alina

A redação | Foto: Alina Souza/Correio do Povo

Pra quem não conhece, o Atualidade é um programa onde jornalistas de diferentes veículos e meios da RBS participam. Não deixa de ser uma atração de mídia convergente, tema da minha monografia de graduação em jornalismo em 2008. Tratei o assunto como uma grande novidade, pegando o caso de uma cobertura multimídia na web.

Porém, como bem se vê, já existia o “jornalismo eletrônico” havia décadas. Em quatro anos de faculdade ainda vi outras tantas expressões: “fotojornalismo”, “jornalismo cidadão”, “telejornalismo”, “jornalismo gonzo”, “jornalismo digital”, “jornalismo literário”, “jornalismo de dados” etc.

Há uma constante, nota-se. E mesmo com redações mais esvaziadas e a digitalização de processos, o jornalismo continuou – e continua. Menos gente pode significar mais trabalho, mas também mais responsabilidade àqueles dispostos a fazer um bom jornalismo (algo que nem todos os profissionais estão dispostos e, sim, dá trabalho!). Esses, tenho certeza, seguirão existindo independente da tecnologia que vier.

Muitos jornalistas têm medo que uma tecnologia arrasadora faça voar forte o passaralho. Mas o jornalismo vive nesta crise. Há décadas ele segue aí. E seguirá.

A manobra do El País

El Pais

El País, um jornal digital | Foto: Bernardo Péres / El País

“Quando cheguei ao El País, disseram-me que era um jornal impresso que tinha um site. Minha missão era, pouco a pouco, transformá-lo num site que também tinha um jornal impresso.” Essa, em essência, foi a frase dita jornalista espanhol Gumersindo Lafuente, então diretor do El País, em uma palestra que ele ministrou em Porto Alegre uns dois ou três anos atrás.

Tal ideia me marcou. Em meio a uma classe apegada com seu passado de tinta e papel, aquela foi uma ideia que soava completamente revolucionária. E, acima de tudo, correta visando o futuro – isso em um presente que ainda não havia sido dominado pelos smartphones.

Pois bem, o futuro chegou. Em carta à redação do El País, o diretor-chefe da equipe, Antonio Caño, anunciou o passo seguinte à ideia apresentada a Lafuente anos atrás: o El País não terá mais papel e será “essencialmente digital”. Em outras palavras, vai virar um somente site, com o papel tendo seus dias contados.

É um passo ousado, a medida que o modelo econômico qeu sustenta o jornalismo digital ainda não está consolidado – talvez nem perto disso. Mas eles sabem disso: “Decidimos não apenas não ter medo da mudança, mas antecipar-nos na medida do possível para estar na vanguarda dessa mudança”, diz o comunicado.

A carta não informa datas, cortes e/ou redirecionamentos da equipe. Apenas libera uma pista: “Será uma redação sem escritórios, aberta à colaboração e à troca de ideias, na qual as equipes se misturarão para construir novas histórias. A partir de agora, no coração da planta principal será instalado um moderno espaço aberto dedicado à criação e à coordenação de informações e sua distribuição nos diferentes canais. O centro dessa redação contará com uma moderna ponte de comando, na qual haverá perfis jornalísticos, de desenvolvimento tecnológico, de edição gráfica e de vídeo, de design, de produção, de medição de audiência, de redes sociais, de SEO [otimização de sites] e de controle de qualidade. A partir dali serão criadas novas narrativas e novas formas de comunicação que continuarão a manter este jornal na vanguarda do jornalismo global”.

Esta redação sem escritórios faz sentido. O jornal espanhol se proporá a ser “cada vez mais americano”, conforme seu diretor. “Pois é na América onde o nosso crescimento é maior e nossa expansão mais promissora.” Madri e Barcelona, então, ficaram pequenas diante do alcance das redes sociais, ainda mais com o jornaleiro e a banca do século XXI.

Em um mundo repleto de incertezas e com uma crise que às vezes parece não ter fim, o El País adianta-se ao futuro, numa manobra arriscada. Porém, acima de tudo, corajosa e respaldada pela qualidade de seu material. Como leitor e como jornalista, fico na torcida.

A banca e o jornaleiro

(ou como trabalhar com Facebook e Twitter em uma redação)

jornaleiroGerir conteúdo jornalístico em redes sociais não é uma tarefa fácil. É preciso lembrar sempre que lidamos com… humanos, essa espécie complicada que dominou o planeta e que é um tanto quanto imprevisível. Ainda mais no meio virtual.

Em jornalismo, neste janeiro de 2016 – e friso a data, pois é algo que pode mudar daqui a poucas semanas, como tudo na internet – duas redes sociais (ao menos ainda) são proeminentes para se trabalhar captando acesso: Facebook e Twitter. Porém, qual a diferença – e a principal utilidade – das duas?

A resposta pode ser imaginada de forma bem simplória e usando figuras antigas e consagradas da comunicação, mas que usam maneiras distintas de informar, ainda que um tanto quanto parecidas num primeiro olhar. Basicamente: o Twitter é o menino jornaleiro que exclamava na esquina “Extra, Extra!”, enquanto o Facebook é a banca de revistas, onde paramos em meio à caminhada para ler manchetes – e adquirir conteúdo quando nos é interessante.

A simples metáfora se explica até no que tange alcance e audiência. O menino jornaleiro chamava atenção, contudo nunca mais que a banca que ficava na praça, com seus diversos destaques simultâneos ao alcance do nosso olhar. Ainda assim, quando o fato era relevante e o grito alto e bem feito, o jornaleiro concentrava atenção e sua mensagem era replicada entre os leitores, que, apressados, sacavam moedas para comprar o jornal que trazia seu destaque. Hoje quando ocorre essa construção, os seguidores clicam no link.

Há de se entender: Twitter não é necessariamente jornalismo e sim, marketing. Ele é breaking news. Muitas vezes a primeira palavra oficial, seja de órgãos públicos, personalidades ou jornais. Um dos últimos recantos onde o “furo” jornalístico ainda pode ser comprovado (coisa que só jornalista irá mesmo conferir). Mas seu objetivo principal, para os jornais, é oferecer a isca para o leitor entrar no site por determinada matéria. Metaforicamente: tal como fazia o menino jornaleiro décadas atrás.

Os seus 140 caracteres – e no máximo mais uma imagem para acompanhar, o que reduz esse montante – devem ser compreendidos como um desafio à criatividade de produzir a manchete e não apenas como espaço destinado apenas a reproduzir o título da matéria, que obviamente deve ser sempre mais informativo do que propriamente criativo. A equação é: informação mais impacto da manchete é igual a mais acesso. É o menino jornaleiro fazendo seu trabalho.

Situação bem oposta àquela quando estamos caminhando na rua e estamos prestes a passar na banca de revistas. Antes, um parêntese: com o crescente acesso a partir do móbile, passamos quase a viver nessa banca. Gostemos ou não, a sociedade inseriu-se meio que por inteiro ali. “Entrar no Facebook” já ficou para trás, estamos nele. Ele está lotado. Da mesma forma que o centro da cidade quando caminhamos na ida ou na volta para o trabalho.

Inevitavelmente, nas ruas, cruzamos por bancas de revistas, quase sempre tão cheias de cores, manchetes e atrativos em geral. Ali a briga pela atenção do leitor é sempre mais pesada. O que ver primeiro? A manchete do jornal local ou o destaque da revista nacional? ETs, bastidores de guerras, carros, fofocas, aviação, fotografia, futebol, arquitetura, cozinha, passatempo, álbum de figurinhas, revistas teen, desenhos, HQs e, claro, pornografia. Tudo separado por poucos centímetros ou, quando muito, metros. Todas querendo a atenção do caro leitor que por ali passa. Todas querendo que ele saque a carteira.

banca

O ambiente é muito mais hostil e competitivo para jornais. Que não raro dão uma gorjeta para o dono da banca destacar sua publicação. Aquele suporte com o logo do jornal para ele expor seus produtos. Tipo o que o Facebook, o dono da banca, cobra e chama de “patrocínio”. O dono da banca de hoje é sujeito esperto, que anda propondo até acabar com o meio de campo, fazendo jornais publicarem direto lá, com o Instant Articles. O Facebook sabe o tamanho do público que tem e suas preferências. E sabe também que ao oferecer tanto conteúdo, nem sempre seus clientes vão ter tempo de ver tudo. Então, aceita aquela forcinha ($) para ajudar na divulgação.

A “ajuda” é grande. Potencializa o real tamanho da página do jornal. Isso porque acaba por ludibriar o tal do algoritmo, esse emaranhado de cálculos que é quem dá as cartas desta rede. Constantemente mutável, o algoritmo faz o conteúdo publicado chegar a pouca gente ante ao número total de pessoas que curtiram a página – que, na nossa metáfora, são aqueles transeuntes que aceitaram ver o conteúdo na banca. Patrocinando, seja publicação ou página, ganha-se visibilidade e se cresce mais. Em alcance com a audiência e, muitas vezes, em interações e relevâncias. Vai ser mais falado na praça, em suma.

Há, porém, o desafio de manter-se relevante, independente de patrocínio. Publicar conteúdo no Facebook acaba por ser uma espécie de contrato que o jornal deve cumprir. Desvirtuando-se do prometido, perde relevância junto ao público até então fidelizado. Daí adiante a audiência cai, assim como likes, acessos e o que mais for. Numa banca, acabamos não levando aquela revista que sabemos que encontraremos conteúdo duvidoso, afinal.

Diferente do grito do jornaleiro do Twitter – que não raro é “#ATENÇÃO” ou “#URGENTE”, alertando nossos olhos na timeline –, não é necessariamente a manchete que vai fazer o jornal chamar a atenção do leitor quando ele está na banca do Facebook. Aí vale o conjunto entre imagem e texto. Para ser bem clichê: no Facebook, uma ótima imagem muitas vezes vale mais que mil palavras pedindo para que você acesse o site.

Cada rede tem suas linguagens, é importante o bom comunicador ter bem claro isso – e que esse mantra vale para as outras, como Instagram, Snapchat etc. Também é bom não esquecer, em meio a tantos meandros das redes sociais: a agilidade conta. Queira ou não, a divulgação do jornalismo sempre corre contra o relógio, independente da rede que for e seja ele online ou offline.

*Esse artigo foi publicado na semana passada no site Coletiva.net, meu primeiro lá, aliás. Por lá o acesso é limitado aos usuários que fazem o cadastro gratuito. Aqui, a participação é liberada 🙂

O difícil desafio de ficar quieto

liberte

Liberté, Égalité e Fraternité não se aprendem em faculdades

A infeliz sequência de tragédias que passamos no último mês deram luz a inúmeras (e inúteis) discussões virtuais ou não. O que era pior, afinal: o Rio Doce morto afogado em lama ou dezenas de europeus mortos pelas mãos e tiros de terroristas em plena Paris do Século XXI? Eis a questão que ninguém perguntou, mas de repente todo mundo pareceu disposto a responder e a replicar.

Já não foram as primeiras tragédias nesta era de redes sociais completamente disseminadas. Infelizmente, não imagino que sejam as últimas*. E nada mais natural que exista alguma reação do público diante de eventos grandiosos como esse. Com a facilidade tanto de publicação quanto de meio, aquele suspiro de “Ah, que pena” ou “Bem feito!” facilmente pula da boca direto para a timeline alheia.

E aí o bicho pega!

Não é preciso ser historiador para notar que houve um acentuado acirramento de opiniões em redes sociais nos últimos tempos. Quase verdadeiras guerras cibernéticas de opiniões. Em certo momento é quase a boa ideia que deu errado. Num mundo cheio de conteúdo poderia haver mais embasamento. Mas, neste caso, não. Pega-se o conteúdo a seu favor e se abraça nele para enfrentar discussões com quem quer que venha. Juiz de Facebook é o que não falta, ultimamente.

Tragédia não é campeonato de futebol pra se discutir que ou quem devemos acompanhar, debater ou chorar mais por esta ou aquela. Mas na era da informação, onde pipoca um grande fluxo de novidades a toda hora – sempre há mais “Breaking news” que “Entenda” –, alguma opinião sempre teima em surgir na hora. E eis, talvez, o maior desafio destes tempos: saber permanecer em silêncio.

Seria quase uma regra de netiqueta, mas não é nada mais que respeitar o luto dos outros e não julgar a ninguém por uma opinião diferente.

*e já não foi! Uma semana depois dos atentados de Paris o Mali também sentiu medo do terrorismo. A discussão segue.