Textos baianos: Saudade do Morro

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Havia 66 notificações pedindo alguma atenção em apenas um aplicativo de rede social. Isso sem falar nas mensagens, que sempre apareciam às dezenas quando o celular encontrava um mínimo de conexão. Tinha ainda os e-mails. Sisudos, carregados de compromissos, eles.

Mas havia também o mar! Bem em frente. E não apenas uma, mas quatro praias de águas verdes e pedrinhas multicoloridas de encantar crianças – e, ok, adultos também. Morro de São Paulo, Bahia. Uau, que diferença para seu xará do Sudeste. Sois verdadeiramente opostos batizados com o mesmo nome.

Ante aos compromissos de vidas permanentemente digitais, ondas. Ininterruptas. Não de dados, mas de vida. Uma vida mais simples e pacata. Mais ligada à natureza do que às possibilidades provindas de um cartão de crédito. Ondas que, pouco a pouco, carregam o peso de dias que quase não tinham fim na rotina do trabalho.

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Num mundo tão sem pausas, um recomeço à beira-mar do Morro de São Paulo é revigorante.

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Quase um e-book

bloco

Ainda sobre números e comemorações dos 10 anos, estão abaixo separadas mais de 22 mil palavras distribuídas em 67 posts, organizados de forma cronológica, quase que numa montanha-russa de assuntos e situações.

Esses textos não são necessariamente os melhores – até porque gosto é algo individual –, mas os mais marcantes para quem os escreveu e gastou algum tempo para revê-los. Seja pelo resultado final ou pela motivação da primeira letra – o “insight”, como dizem os amigos publicitários em sua língua-mãe.

Tudo isso selecionado na base da correria, em menos de uma semana e diagramado muito toscamente em Microsoft Word 2016, em horas vagas em casa. Foi uma corrida para vencer o deadline exato dos dez anos. Vencido, esse post foi para o limbo, de onde foi retirado um mês depois.

Publicar ou não publicar, era a questão. Porque não ficou exatamente como se imaginou. Faltou alguma coisa, um quê de design e uma revisão mais aprimorada, quem sabe. Enfim.

Mas vai para o ar agora. Até pelo que representa ter um blog de uma década de vida. É uma trajetória e tanto. E o mais legal disso é revisitar textos antigos e, se em alguns se vê um traço de qualidade, em tantos outros o sentimento é de vergonha alheia por um dia aquilo ter sido publicado.

Um blog, como esse, nunca deixou de ser um diário, mesmo que a periodicidade esteja bem longe disso. Porém, também é um registro de diversas fases e inspirações de parte importante de uma vida. No caso, a minha.

Dez anos, 3,6 mil dias de um blog que nasceu sem ter um prazo ou objetivo bem definido, que já mudou a rota algumas vezes. E seguirá mudando, porque a vida é assim. Então, não te esqueça: é tosco. Bem tosco. Mas é de coração:

http://e.issuu.com/embed.html#31432530/55417330

E se não conseguir acessar, tenta direto neste link.

Uma década até aqui

telha10anos

10 anos

Em uma matéria jornalística, quando se quer dar uma dimensão mais exata dos fatos, aproximar o texto do leitor, não raro usa-se números. Algarismos unidos que, juntos, são capazes de aproximar um fato do cotidiano das pessoas.

Pois então, usemos. Temos aqui dez anos, completos às 16h34 deste 15 de outubro de 2017. Passaram-se, logo, uns 3,650 dias desde a primeira e bobinha postagem de boas vindas. De lá pra cá, foram 452 textos publicados, além de outros cinco misteriosamente pendentes – incluindo um texto pronto desde 2014 e até hoje na fila, sabe-se lá o porquê.

São, já devidamente preenchidas, 120 meses de arquivos. Um por mês. O mais legal é que esta caixa de arquivo conta um pouco de algumas fases da minha própria vida. Ou do meu próprio texto. Mistura realidade e ficção, mistura histórias próprias e de outros, com causos nas linhas e nas entrelinhas escritas ou pensadas em bares noite afora. A isso somam-se teses, jornalismo e muito papo sério.

Aos poucos, lê-se umas modificações e tanto. Evolução da escrita? Talvez. Um olhar mais crítico, com certeza. Há reflexões, comentários, lamentações e relatos de observações feitas desde aqui, ali e até do outro lado mundo.

Enfim, obrigado por teu minuto de atenção e por fazer parte disso, amigo leitor.

A cidade e a bike

Era para ser um breve adendo à esta matéria do Henrique Massaro para o Correio do Povo. Acabou que virando um breve artigo, mas que acabou não indo para o papel pela perda do prazo deste que o escreveu. Ao menos hoje já inventaram a internet e aqui se faz possível a publicação =)

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Andava em uma esteira na cidade de Hamamatsu, no Japão, poucos meses atrás. O trajeto era em um elevado paralelo à estação central de trem. Lá chegando, reencontrei uma cena que me remeteu a locais como, especialmente, a Alemanha: bicicletas. Às dezenas, quiçá centenas. Todas ali estacionadas, enquanto seus donos estavam em lugares e até cidades diversas pela região. Cito Alemanha, porque já vi com meus próprios olhos, mas em quantos mais lugares ao redor do mundo acontece isso?

Pois bem, o nome disso é planejamento. Talvez este seja o segredo – que nem é tão misterioso assim, convenhamos – para o sucesso e a popularização das bikes. Torná-la um modal. Cotidiana. Poder usá-la para ir até um ponto e de lá pegar um ônibus, trem ou o que seja. Na certeza de que ela estará lá na volta. Integrá-la à cidade, em suma.

Porto Alegre vive um debate mais acirrado sobre o papel da bicicleta há mais de seis anos, desde o fatídico atropelamento coletivo na Cidade Baixa. De lá para cá, a Capital ganhou não mais que um punhado de quilômetros de ciclofaixas e ciclovias. Mas talvez não tenha integrado seus ciclistas – e aqui abre-se um viés crítico: o quanto alguns de fato quiseram se integrar – e não se impor – enquanto esbravejavam bordões rancorosos como “Mais amor, menos motor”?

Num mundo poluído, o futuro agradece se andarmos mais de bicicleta, com certeza. Só que soa utópico simplesmente abandonar carros, motos e outros meios de transporte já consagrados. Da mesma forma que é vazio dizer que se incentiva a bike sem promover tanto a segurança quanto o conforto de quem pedala por aí. Que tal amenizarmos nossos ânimos e encontrarmos um meio-termo? A cidade, estejam certos, agradecerá.

Por mais Irmelas

Irmela3

Este blog não é necessariamente um reprodutor de conteúdo alheio na internet, vocês sabem. Mas, ante àquelas cenas de repercussão mundial acontecidas em Charlotesville, em que pessoas que se julgam superiores a outras, realizaram uma manifestação difundindo a sua ideia, farei um leve contraponto.

Eu te convido, caro(a) leitor, a pesquisar – e até difundir, se for o caso – o nome de Irmela Schramm a cada discurso de ódio que se vê por aí. E que, infelizmente, não são tão poucos internet afora.

Nascida no último ano da Segunda Guerra Mundial, Irmela Schramm é o exemplo de ativista que deveria estar presente em cidades onde há gente que se acha superior. Moradora de Berlim, esta senhora usa boa parte de seu tempo para apagar mensagens de ódio espalhadas na cidade.

Uma senhora corajosa, cuja história vale a pena conhecer por estes tempos. Afinal, de guerras e histórias autoritárias, já bastam a que estão nos livros de história.