Clandestino na própria cidade

Foi como começar de novo. E, num ato banal que hoje me exige uma dose de coragem, suspirei e decidi seguir em frente. A cena que outrora foi tão corriqueira até ganhou um contexto levemente épico. Coloquei o capacete, subi na bicicleta. Apertei o botão: abri o portão e me fui cidade afora.

A paisagem que era tão comum ganhou o que pareciam contornos novos. E, como se reconhecesse a um amigo, passei a procurar detalhes rua a rua a partir do bairro Auxiliadora num caminho sem destino pelo cenário que por anos foi somente parte do trajeto casa-trabalho-casa.

Na via mais esvaziada gente, agora há mais traços. Do que se foi e do que será. Detalhes de como andou a vida nesses meses atípicos de medo do invisível. Sinais das transformações que virão daqui para frente. As casas têm mais gente agora, enquanto as ruas, mais pedidos por ajuda, no que parece ser uma faceta desses novos tempos.

Porto Alegre é uma cidade que tem um coração verde. Chama-se Parque da Redenção. É para lá que confluem as diferentes faunas de gentes da capital gaúcha. Seus cantos e bancos, se falassem, teriam o cotidiano das ruas na ponta de suas línguas. Estar lá é, afinal, estar em Porto Alegre.

Muitas e muitas vezes já sentei em qualquer banco ali, em variados momentos e com tantos e tantos tipos de companhia. Agora, contudo, estava só e clandestino, mesmo em plena tarde agradável de sol. Em tempos de regras de isolamento, talvez o certo seria não estar ali. Quieto, observo o vem e o vai daqueles poucos que, como eu, circulavam em tempos pandêmicos.

Olhando ao redor, tentava reconhecer a alma daquele lugar que frequento desde criança. Sob a sombra das árvores, notei apenas que não haverá nada normal enquanto a Redenção estiver esvaziada em tarde de sol por conta de algo que, dia após dia, nubla ou apaga a tantos nas redondezas. Tem, sem dúvida, um clima um estranho no ar.

Retomei o caminho de volta prestando atenção às novas mensagens de muros, as que deixei de notar nos últimos meses – no último ano (!). O que será que eles poderiam contar depois de meses sem vê-los? Em meio a tapumes, havia protestos: “Bolsocaro”, diziam uns cartazes na avenida, enquanto em outro muro, o picho exclamava, em plena perimetral: “O Brasil não merece o Brasil”.

Parei por um minuto. Achei que ele tinha razão.

*Crônica feita para a aula do curso de extensão Cartografias da Cidade, da PUC-Rio

A saudade dos detalhes

Postei essa foto pouco mais de um ano, quando a pandemia já era realidade, mas em um momento imediatamente anterior à adoção generalizada das políticas de isolamento. Havia uma sinalização de que seriam duas semanas de restrições, talvez um pouco mais, em que pararíamos, pra depois, aos poucos, retomarmos a vida.

Como se sabe, a previsão foi errada, tragicamente errada.

“Tudo pode ter um lado bom” e “Dias bons estão por vir” são mensagens tão esperançosas que soam até ingênuas em épocas atuais. Porém cabe a nós acreditar, ainda que seja difícil, ainda que seja distante.

Ao longo desse tempo, cresceu a saudade de encontrar mensagens como essa e outras tantas andando pela minha cidade – a qual redescobri quando passei a desbravá-la de bicicleta, nos idos de 2019.

Poucos dias atrás, descobri que gosto na verdade de “derivar” pelas cidades, as outras e a minha. E esse acabou sendo o gancho para a minha crônica de estreia na Revista Parêntese, disponível aqui para assinantes da Matinal. Eu tenho saudade de reconhecer seus contornos e suas fachadas, de ler suas mensagens tão escancaradamente escondidas nos muros por aí.

Espero, com saúde, poder revê-la a pleno em breve. É o meu desejo para este teu aniversário, Porto Alegre. Cuidemo-nos!

Pílulas pandêmicas: o guarda roupa

Não foi nem uma, nem duas as vezes que abri meu guarda roupa desde março do ano passado e quase olhei espantado: “Nossa, pra que tanto”, questionei-me. E isso sem nunca ter sido adepto de banhos de loja, ou acumulador de peças de variados modelos e cores.

Não que as roupas que tenho pousaram ali de uma hora para outra, mas a pandemia me fez reparar a desnecessária quantidade de camisas, bermudas e afins que possuo. Pois vai fazer um ano que basicamente “me arrumo” para com as mesmas pessoas, mais ou menos com as mesmas roupas. E a vida segue assim.

Faz um ano que a rotina está essa bagunça, um ano que não vou a bares ou a jogos de futebol. Que as saídas à rua são apressadas, um ano que as coisas estão caóticas. E ainda não parece ter uma perspectiva de um fim definitivo para tudo isso.

Quando houver, por respeito a todas as dificuldades que se enfrenta, que o excesso de consumo seja repensado.

Verões e avós

Dizem as memórias dos meus pais que com dez dias de vida eu fiz minha primeira viagem. Para a praia. Para a casa dos meus avós, no meu primeiro janeiro. Não sei quanto tempo fiquei no Quebra-Mar naquela vez. Sei sim que muitas outras vezes retornei nos anos seguintes.

Quando a gente é criança e não tem noção ainda dos privilégios que temos, como poder transformar o verão em uma estação mágica. Por motivos de praia e avós. É um tempo de vida que, sem ter a exata dimensão, quebramos rotinas e aprofundamos laços. Seja aprendendo a valorizar as férias do colégio, seja ganhando mimos que só avós proporcionam – às vezes furtivamente.

No meu imaginário infantil, verão e avós estavam sempre, sempre ligados. Era uma espécie de rotina que se seguiu desde aquele pioneiro janeiro até a época em que eu estava entrando na faculdade, quando até já podia dirigir o carro do vô. Claro, nem sempre foram meses, às vezes foram semanas ou mesmo dias de convívio próximo naquele apartamento apertado. Suficientes, contudo, para criar e aprofundar memórias.

Memórias, essas, que com o passar dos anos foram ficando para trás, tal como as cenas daquela praia antiga, aquela sem grades entre as casas. E que eu pensei que a Maria Flor não iria conhecer nada disso.

Se se ambientar em uma praia sem divisões vai ser impossível, ao menos eu errei a previsão quanto à permanência e, ainda bem, aos avós. Num tempo cada vez mais corrido, nesse meio de fevereiro, Maria Flor completa um mês perto do mar. Um mês correndo pela grama, catando conchinhas na areia e descobrindo coisas que na cidade ela não costuma ver. Ao lado dos pais, de uma avó e uma bisavó – uma privilegiada e tanto, essa menina.

Em pleno verão pandêmico e sem carnaval, minha filha descobriu que não só com amigos que a gente constrói relações. E como é bom ficar semanas a fio sem aulas, na praia e com avós. Que não faltem mais lembranças dessas por vir.

2020 e AmarElo

Disse algumas vezes que o álbum AmarElo me ajudou a atravessar o nervoso mar de 2020. Em alguns dos muitos momentos mais tensos desse ano turbulento, me apeguei à letra e aos sons das músicas do Emicida. Mas, pensando cá, onde exatamente que AmarElo me ajudou? Foi na positividade. E fez de melodias o polo oposto do noticiário que estive (e estou) imerso, cheio das âncoras pesadas da dura realidade. AmarElo me foi ar na hora do sufoco.

Impossível não reagir ao ouvir repetidas vezes que “tudo, tudo, tudo, tudo que nóis tem, é nóis” enquanto minha filha crescia, mesmo ela ficando mais tempo em casa, mesmo tendo que abrir mão de umas brincadeiras tão salutares na primeira infância. Ou então escutar “cale o cansaço, refaça o laço, ofereça um abraço quente” depois de dias tempestuosos. – e que não foram poucos

Muitos dos versos desse trabalho tiveram e seguem tendo em mim um verdadeiro efeito terapêutico. E não precisam ser rebuscados ou com lições de moral. Eu os considero de uma simplicidade linda e tocante.

Talvez o meu inconsciente queira que eu retribua isso em 2021. Não através de composições, mas por positividades. Dei-me conta ao reparar que ao fim deste primeiro mês do ano, distribuí ao menos dois elogios gratuitos a pessoas de fora do meu círculo, as quais certamente nem lembram de mim corriqueiramente.

Tive o trabalho de entrar em contato e falar uma coisa boa, sem esperar nada em troca. Parece pouco, porém sabemos que é tão raro, isso de não deixar para depois. Da mesma forma que disse palavras de carinho sincero a velhas amigas que estão com pequenos rebentos em casa.

Passei algo bom, de maneira inesperada para elas. Fiz sorrir, sorri de volta. Numa época tão complicada, gestos simples podem ser lindos e tocantes. Se é influência de AmarElo ou até uma meta para 2021, não sei. Mas gosto deste verso: “Seja luz nesse dia cinzento”.

Da impermanência

Dez anos atrás eu cursava a pós-graduação em jornalismo digital e me via um tanto frustrado naquelas aulas do curso de especialização. Enquanto via poucos recursos e não muitos debates sobre prática do webjornalismo em si, notava certo entusiasmo que considerava até exagerado com as redes sociais.

Era uma época da Primavera Árabe e que Facebook e Twitter ganhavam, dia após dia, relevância – tanto para o jornalismo, quanto para a sociedade. Ferramentas capazes de levar a informação driblando meios oficiais, eram disruptivos. Efeitos colaterais como a disseminação de fake news ainda eram inocentemente ignorados, na maioria do tempo – tal como em momentos da minha graduação em jornalismo.

Apostava-se muito no Facebook como uma alternativa de futuro viável tanto ao jornalismo quanto praticamente à internet em si. Ouvi, naquela época, uma frase que me marcou: “O e-mail morreu”. Seria, segundo aquele pensamento, substituído por mensagens instantâneas, sejam no Facebook ou em alguma rede vindoura.

Oras, aquilo já estava indo longe de mais. Eu que ainda usava um @hotmail.com, senti com um golpe. Mas como assim? Contrariado discordei da tese, mas, em linhas gerais, talvez tenha sido voto vencido na turma.

Nesta terça, 5 de janeiro, enviamos a primeira edição do ano 3 da newsletter Matinal. Foi o primeiro e-mail enviado na nova década deste veículo que nasceu neste que posso considerar um meio, o e-mail. E desde então vem crescendo – ao todo já são mais de 400 envios, desde março de 2019.

Ao longo desse tempo, não me convenço que somos “resistência” ou tampouco “inovadores”. Estamos, sim, aproveitando uma das ondas da internet que apareceu naquele momento para nós.

Também me dou conta que o famigerado 2020 marcou um distanciamento grande meu com o Facebook. Enquanto perfil pessoal, foi o ano de menos postagens e interações em mais de uma década até aqui. Certamente o ano com o menor número de mensagens trocadas – isso também influenciado pela pandemia, já que o chat de trabalho acabou migrando para o WhatsApp ou os canais de vídeo.

Claro que a rede de Zuckerberg segue relevante, contudo me parece cada vez mais claro que seu auge, ao menos no Brasil, passou. Ainda que as outras ondas que seguem altas, como o WhatsApp e o Instagram, seguem em alta.

Tenho pra mim, ao longo de quase 25 anos de convívio, que nada é definitivo na internet. Por mais forte que uma tendência surja e se imponha, sempre há ciclos – e, se não inovações, renovações. Se antes os e-mails iam com correntes ou mensagens, hoje podem ter cara de jornal. E isso sem esquecer que usamos gifs, outrora substituídos por .jpgs, para piadinhas por aí.

Aquilo que li em 2020

Absolutamente ninguém pediu, mas, sabe-se lá o porquê, rememorei os livros que li ao longo deste marcante 2020 que, apesar de todos os pesares, me nego a condená-lo – ainda tem um lado Poliana em mim dizendo que vamos sair melhores, de alguma forma.

Foi um período bem complicado, é verdade, mas ainda assim produtivo em termos de leituras, considerando a rotina de pai e editor de três sites em meio ao home office.

Então, puxando de memória, vamos lá:

• Gabriel García Marquez
Eu provavelmente leria todos os livros do Gabo em sequência, mas, como ensina o mestre Leonam, é bom poupar seu escritor favorito para sempre ter o que ler. Então encasquetei uns anos atrás de manter uma tradição de sempre ler algo dele todo início de ano. De birra, 2020 me fez ler mais, Doze Contos Pelegrinos, “Do amor e outros demônios” e um outro livro de contos que, a essa altura, já não lembro o nome. Não foram os mais marcantes, mas a gente repara a boa história quando sente saudade da personagem no dia seguinte que a história foi concluída. Aconteceu, porque Gabo sempre vale a pena.

• Amanhã Vai Ser Maior, Rosana Pineiro-Machado
Escrevi sobre esse livro em junho. Trata-se de uma obra fundamental para quem quer expurgar a extrema-direita do poder no Brasil. Um didático contexto do que aconteceu ao longo da década e das saídas que podem se apresentar. Li a primeira vez no kindle. Gostei e comprei o livro físico.

• A Máquina do Ódio, Patrícia Campos Mello
Se o livro da Rosana explica os caminhos sociológicos que levaram o Brasil até a extrema-direita, o de Campos Mello detalha como foi o trajeto prático, em especial via WhatsApp, de extremistas ao Planalto. É, também, uma aula de jornalismo.

Ailton Krenak
E se o princípio de uma retomada esteja numa reconexão nossa com a terra? Uma maneira de repensar a nossa relação com a natureza e a ancestralidade é o que propõe o escritor Ailton Krenak, de quem li “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” e “O amanhã não está à venda”. Ambos leituras rápidas e didáticas.

• Para educar crianças feministas, Chimamanda Ngozi Adichie
Eis aqui uma breve reflexão sobre feminismo, útil a quem está disposto a entender um pouco mais sobre a sociedade a qual crescemos. Pessoalmente, considero essencial para quem é pai de guria. Não precisa concordar com tudo, mas será importante se o texto conseguir ampliar a visão de mundo.

• Taxitramas volume 4, Mauro Castro
Mauro Castro é um escritor que explora um taxista. Ou um taxista que sustenta um escritor. Perambula há décadas pelas ruas de Porto Alegre em busca do seu ganha pão. É uma tarefa que inclui de aventuras que colocam sua vida em risco, mas que geram histórias que já renderam quatro livros. Uma boa rota de fuga de dias pesados.

• A Uruguaia, Pedro Mairal
Se esse post fosse relevante o suficiente para entregar uma espécie de troféu revelação, por certo iria para Pedro Mairal, por sua uruguaia. Não é um livro necessariamente leve, porém tem uma narrativa digna de roteiro cinematográfico, com um protagonista deveras real e um desfecho digno de palmas.

• Ruína y Leveza, Júlia Dantas
Escrevi aqui sobre esse livro. Se a narrativa d’A Uruguaia cairia bem no cinema, a história de Ruína tem muito de realidade para muitos adultos jovens de classe média alta de Porto Alegre. Um belo e inspirador romance para um ano que foi bem duro fora dos livros.

A grande e imperceptível mudança

Em 2020, fiz mais amigos andando de unicórnio do que no bar

Foi ela nascer que despertou em mim uma urgência de tentar deixar as coisas melhores por aqui. Arrumar essa bagunça que se armou antes dela vir ao mundo. Sei que todo meu esforço que será pouco, desprezível, mas, ainda assim, encarei a empreitada. Optei por pedalar ao invés de dirigir, comer um pouco menos de carne, buscar mais sustentabilidade à nossa rotina. Mudanças até simples, porém marcantes.

Todo meu esforço, sei, não vai mudar nada. Estamos diante de um problema ambiental gravíssimo, que só poderá ter qualquer chance de reversão com um esforço coletivo. Mas eu botei uma filha no mundo e o mínimo que eu preciso é tentar deixar esse lugar um pouco melhor pra ela. Ou, pelo menos, tentar passar um exemplo.

Ao longo desse ano e meio, mudei em bastante coisa, acho. Sempre com esse Norte: um mundo melhor para Maria Flor. Nesse período, também notei, já percebo a minha própria relação com o mundo um pouco mais amigável. Isso vem desde a troca de bênçãos no corredor do café do supermercado.

Se hoje o supermercado é uma tarefa solitária, esse clima me aparece pela rua. Toda manhã, caminhamos. Jamais cumprimentei tanta gente nas calçadas. A ponto de poder dizer que hoje faço mais amigos passeando de unicórnio do que no bom e velho bar. Isso por causa da minha filha que, alheia às aflições de hoje, insiste em sorrir – e agora tentar falar em seu idioma particular – com quem lhe dá atenção pelo caminho.

Talvez todo meu esforço seja em vão. Mas talvez eu é que não tenha compreendido a ordem certa dos fatores. Afinal, que pretensão, a minha, de tentar mudar as coisas para ela. Na verdade, e desde sempre, é ela quem muda o mundo pra mim. E pra melhor!

Ideologia, a palavra proibida da vez

Há uma palavra que vem sendo demonizada pela política brasileira, ideologia. Apesar de ser um substantivo, o termo é usado como se adjetivo fosse. “Fulano tem ideologia”, acusam uns. “Não se governa com ideologia”, bradam outros, afundando o nível do bom debate.

É esquecido, porém, que ideologia é tão inerente à política quanto a própria palavra “política” – que até dois anos atrás era ela a Geni da vez, a ponto de ser caudilhos tão rodados buscarem esconder-se sob um manto alegado da “nova política”, numa espécie de roupagem nova que deram ao trocar nomes de “partidos” – esse outro termo perseguido tempos atrás.

A verdade é que “ideologia” e “política” não são, tampouco devem ser entendidas, como ofensas. Integram a salada de termos que compõem uma democracia. Não há problema de ter ideologia, seja ela qual for, faz bem ser político e dado a diálogos com outrem. Problema é impô-la à força.

A média do eleitorado brasileiro precisa saber escapar de pequenas armadilhas como essas e a focar-se no debate que realmente interessa às suas comunidades, de municípios ao país. Cai bem também que agentes políticos deixem de criar essas situações, para torná-las o que são, de fato: ridículas.

Embates, rasos assim, ou forçam uma polarização que não é salutar à população ou fortalecem, junto a quem não acompanha o noticiário, o imaginário de que “políticos são todos iguais”. Não são, mas é preciso acompanhar para saber.

Nesse cenário, quando campanhas não agressivas entre os candidatos são mais exceções do que regras, os eleitores vão mais se afastando do processo do que aderindo a ele. Enquanto em 2016, um em cada quatro votantes optaram por não ir às urnas em Porto Alegre, em 2020 foi praticamente um em cada três.

Claro, tem o contexto da pandemia. Mas pode estar acontecendo uma fadiga desse debate pouco profundo, que fustiga e engana aquele que é pouco interessado em política. Ainda falta uma maior cultura de debate político na sociedade, algo que jovens parecem estar se interessando mais do que a geração passada. Esses, por sinal, que nasceram já sob a democracia brasileira.

Ideologias fazem a política, e não há problema algum nisso. Cabe a sociedade debater, escolher e moldar a sua política.

Quando estive perto de D10S

Eu ainda estava nos meus primeiros dias da primeira vez que fui a Buenos Aires. Turista jovem e fã de futebol, acabei em uma partida do Boca, em uma tarde ensolarada de dezembro. Não era qualquer partida e sim uma possível definição de título argentino.

Foi quando estive mais perto de Deus.

Se não o mais famoso e divino, certamente um dos mais idolatrados naquele canto de mundo, que eu aprendia a amar. Era Diego Armando Maradona lá, el D10S para muitos que ali, tanto os que vestiam azul e ouro, como outros tantos que gostam de outras cores na jaqueta.

Naquela época, Maradona recém havia assumido a seleção da Argentina. Comandaria uma das maiores paixões daquele povo. Mas naquele momento não era treinador ou dirigente. Era torcedor. A Bombonera estava lotada e pulsava, numa atmosfera incrível.

Antes da bola rolar, quando a câmera que captava imagens para o telão encontrou Maradona em seu camarote, houve o êxtase. “Marado, Marado”, gritavam. Devotavam aqueles milhares.

Foi inesquecível ver Diego. Mesmo de longe. Aquela cena me ensinou muito sobre o ser argentino. ¡Gracias y que en paz descanse!

Numa homenagem a Maradona, o Direto ao Ponto desta quarta foi sobre ele: