Minha vó, uma centenária

gladys vicente tiago

Das nossas últimas fotos

Foi num 26 de março como hoje, mas 100 anos atrás, que nasceu a menina que iria se tornar a minha avó, a pequena Gladys Eunice. Foi a primeira a vir ao mundo dentre os meus quatro avós, e a única já na cidade onde, 65 anos depois, eu cheguei, Porto Alegre.

Por conta do centenário, tenho pensado um pouco mais nela nesses últimos dias. E, devido a toda essa situação, encontro um paralelo entre aquele momento e o presente. O que ela representou e o que eu penso agora.

A vó veio a um mundo e uma cidade em busca de regeneração pós-traumática, ainda que talvez menos ansiosa com o acompanhamento em tempo real de notícias. O planeta e a capital gaúcha, naqueles dias, buscavam reerguerem-se do recém passado surto de gripe espanhola.

Aquela pandemia, que acabou por tornar-se a pior do século passado, ceifou a vida de pelo menos 1,3 mil dos 190 mil moradores de Porto Alegre. Não reconheço nem por foto a minha bisavó, mas agora, sendo pai, consigo imaginar a preocupação dela, grávida, diante daquela ameaça invisível que ainda não tinha sido totalmente superada em 1919.

E consigo entender a alegria que foi a chegada da minha vó naquele 26 de março. Uma bebê, e hoje sei disso, ao mesmo tempo que catalisa nossos piores temores, nos dá a força da maior esperança de que as coisas melhorem. Pra ela, pro mundo. Pro mundo dela.

Nesses tempos de pandemia, Maria Flor serve como um alento. E, sem que saiba me dá uma força enorme para novos tempos que hão de vir. Creio que 100 anos atrás foi assim também entre aqueles que talvez tenha visto o rosto em retrato em preto e branco.

No tempo em que estivemos juntos aqui, sempre tive um amor enorme e uma ótima relação com a minha vó. Passados quase dez anos desde que ela subiu de andar, guardo no coração provas de amor feitas não só em palavras, mas também em atitudes. Até por isso não consigo compreender aqueles que ainda têm seus avós, esses seres maravilhosos, arriscarem-se a sair na rua a esmo, acreditando em mitos e contrariando a ciência.

Hoje, se minha avó ainda estivesse no número 222 da rua Dona Augusta, eu certamente não a visitaria, mesmo que doesse. Seria o gesto de amor à minha, agora, centenária vovó. Espero, realmente, que quem ainda tem a sorte de ter avós, também adie um pouco a visita.

liniers abuelos

Por Liniers

 

Tempos duram passam, vamos aprender isso. E dão lugar a novas eras de esperança, palavra essa tão bonita e tão querida. Como um beijo de vovó.

Matinal, ano 2

logo_matinal

Talvez o fato de ter o radical “jornal” no nome da nossa profissão de “jornalista” nos cause certo conservadorismo. Não necessariamente no campo político, e sim nas práticas com o nosso ofício, além de uma certa dificuldade com o que é novo. Um apego.

Porque jornal sempre vai ser aquele emaranhado de papéis e letrinhas que estava à nossa mesa no café da manhã. E o jornalista ainda é visto como aquele ser que fica até altas horas numa redação. Quiçá ainda carrega fama de boêmio, literato ou as duas coisas. Além, claro, de sempre ter uma tia para perguntar quando irá vê-lo no Jornal Nacional.

Bem, os tempos mudaram.

Já está alcançando a maioridade a primeira geração que nunca precisou de uma conexão discada para acessar a internet – e, consequentemente, ver, ouvir e ler alguma coisa pela web. Redes sociais são verdadeiros centros de informação de última hora há anos. E o 5G está batendo a porta.

Mesmo assim, nesse contexto todo, insisto: quando falamos em jornal, imaginamos aquele velho emaranhado de papel (quando já nem tomamos café da manhã com calma).

De repente, essa dificuldade em se despender desse meio físico e limitado complique um pouco a visão empreendedora do jornalismo. Em um país de mais de 200 milhões de habitantes, ainda são raros os sites jornalísticos nativos do ambiente digital. O que dirá outros formatos.

Isso, é claro, trata-se de uma generalização. Há tentativas de escapar da bolha, de romper o meio mais tradicional do jornalismo para, assim, realizar a missão nossa de bem informar. Nisso, muito me orgulho de fazer parte de uma tentativa até aqui bem sucedida: o Matinal Jornalismo, que completou um ano de atividades nesta semana. E está em expansão.

A newsletter começou basicamente como um resumo informativo de notícias de Porto Alegre e Rio Grande do Sul, buscando aquilo que hoje é precioso neste tempo ágil nesta época de jornalismo declaratório ultraveloz: contexto. Nosso objetivo sempre foi que o leitor do Matinal se informasse bem daquele assunto que a gente escolhia repercutir – e aqui entra outro pequeno tesouro desses tempos internéticos, a curadoria.

Mas é só um e-mail? Sim. Com um trabalhão por trás que, ainda que tenha 11 anos de carreira, me fez sentir a satisfação de se fechar uma edição – momento sempre tão celebrado por editores de jornais mundo afora e que eu, um jornalista de web, mal conhecia, pois a minha parte é estar permanentemente conectado.

Ao longo de um ano e quase 250 edições editadas, fechadas e enviadas, considero o Matinal um sucesso. Crescemos, ganhamos e fidelizamos leitores, estamos fixando nosso espaço na rotina de muita gente – que, imagino eu, acordava e mergulhava em redes sociais em busca de notícias locais. Aqui eles encontraram essa demanda.

Construímos pontes, também. E o que era uma newsletter informativa hoje é um Grupo de Comunicação, com três veículos diferentes, a própria news, a Revista Parêntese e a newsletter do Roger Lerina, com a programação e notícias culturais de Porto Alegre. Se três pessoas representavam o Matinal um ano atrás, hoje somos 15.

Claro, temos grandes desafios pela frente. Aos poucos, iniciamos o processo de rentabilização do nosso trabalho, tarefa extremamente complicada quando se trata de jornalismo. As pessoas ainda não se acostumaram a pagar por notícias, tendência que, quero não estar errado, vejo que está mudando paulatinamente. Ainda tem uma série de ajustes, que percebemos ou não, estamos fazendo. Tentando crescer. E tudo isso por e-mail.

Se vai dar certo? Espero que sim. Fato é que, em uma internet muito volátil – um tempo atrás ouvi que o e-mail tinha acabado, seria tudo via Facebook (!) –, creio que furamos uma bolha. Vencemos o primeiro ano, e queremos muitos pela frente. Trabalhamos para isso. Um brinde, então! Que venha o ano 2.

Um jornaleiro de madrugada

O ponteiro do relógio já passava das 2h30 de uma já silenciosa noite de domingo para segunda-feira. Não foi nem a primeira e provavelmente nem será a última que desliguei as luzes ao sair tarde da redação.

Daquele interruptor até a porta de entrada da minha casa, são uns oito quilômetros, trajeto que naturalmente foi feito de carro pelo andar da hora. No caminho, vi somente duas pessoas na rua.

A primeira não entendi se era bêbado ou mendigo. Ajeitava-se em uma parada de ônibus, talvez adiantado demais no aguardo do coletivo. Talvez não. A segunda que me chamou mais atenção. Caminhava carregando uma bolsa com algo que me chamou a atenção. Jornais.

Um jornaleiro àquela hora, pensei eu, que até 15 minutos antes terminava de editar o texto com a notícia mais relevante daquele fim de domingo: o Oscar. A cerimônia tinha terminado uma hora antes, no máximo, daquele momento.

Em uma hora, considerando as etapas logísticas, seria no mínimo desafiador fechar o texto, revisar, mandar para a gráfica, imprimir, empacotar, transportar, chegar ao jornaleiro e ele já estar ali, caminhando soturnamente madrugada afora. Logo, dificilmente aquela edição teria a notícia mais comentada da véspera – o que não impede, claro, de ter muitas outras relevantes.

Já estava tarde, mas achei que deveria refletir sobre isso. Se não havia a cobertura do grande fato do dia anterior, o que, então, agregaria valor para aqueles papéis? Que caminho deve seguir um jornal para não cair na irrelevância – se é que é possível em tempos cada vez mais digitais?

São bons assuntos para se discutir em mesas de redação e de bar, além de bancos da academia. É preciso pensar nisso para tentar se aventurar no futuro da profissão, on e offline.

Meia dúzia de lâmpadas e uma capina

praça

Foi ainda nas primeiras volta de bicicleta que passei a reparar a grande diferença que pouca coisa pode fazer para uma cidade. Refiro-me especificamente de não muito mais que um pouco de cuidado com os espaços públicos das nossas cidades.

Talvez essa era competitiva demais, exigente demais, desigual demais, fiscalizadora demais e preocupada demais com o convívio entre diferentes (quem vai pagar essa conta?) tenha ofuscado o quão importante de todos (aka poder público) cuidarem bem justamente de espaços que não têm um dono, pessoa física, definido.

Por exemplo: praças.

Logo que comecei a entender a bicicleta como um meio de transporte e começava a traçar rotas novas, passei várias vezes pela praça Isabel, a Católica – onde meia Porto Alegre se encontrou no desfile do Bloco da Laje em um domingo de verão. A praça foi um dos lugares revitalizados para a Copa. Apesar de estar em frente ao Tribunal de Justiça, o poder público havia deixado aquele lugar se degenerar.

Mas bastou um toque de urbanismo, uma capina bem feita, a colocação de algumas pedras em seu devido lugar e algumas lâmpadas funcionando para a praça ganhar uma nova cara, uma nova vida. Para a praça ser reintegrada à cidade. E isso, para quem está acostumado a andar desconfiado, faz uma diferença enorme.

No início da primavera passada, uma querida amiga escolheu o Largo dos Açorianos, então recém revitalizado, para celebrar seu novo ano. E talvez com isso inconsciente que acabei por decidir a comemorar meu último aniversário em um bar, em frente a outra praça, no centro de Porto Alegre – outrora tão abandonado.

O bar do meu aniversário em si era mais um boteco qualquer de esquina e com um bom samba tocado ao longo da noite. Aqui, a questão: precisa muito mais que isso para ser feliz? Muita gente acha que não e satisfaz sua noite dançando, cantando e tomando alguma cerveja.

Poucos anos antes, como disse, aquela era outra área infeliz da cidade. Bastou uma revitalização para estar cheia até tarde da noite de sexta-feira. Para que as pessoas pudessem aproveitar aquele lugar – que se mostrou demasiado aprazível no quente verão porto-alegrense – poder, novamente, voltar a proporcionar o lazer em via pública. Diga-se: em frente a um dos principais cartões postais da cidade, a Usina do Gasômetro.

Porto Alegre é uma cidade rica em áreas verdes, sejam elas pequenas praças ou parques. E há uma relação intrínseca de seus moradores com esses ambientes – que por não terem dono e serem de todo mundo ao mesmo tempo talvez passem a impressão de que o outro é quem deva cuidar (sempre o outro!).

Recuperar esses lugares significa retomar a qualidade de vida de um bairro inteiro e, em muitos casos, devolver a segurança de se caminhar por onde se vive fazendo justamente aquilo que antes dava medo: ocupando a cidade, não importa a hora.

Claro que existem problemas graves a serem resolvidos, alguns com mais urgência. Só que essa reconquista da rua soa uma coisa tão simples e de uma diferença incrível que é inaceitável que fique de lado. Tudo pode começar com meia dúzia de lâmpadas e uma capina bem feita.

Sobre nenês e cachorros

flor e lis

Guardo com muito carinho a lembrança da Kuki deitada no chão frio de alguma noite fria de meia estação de 2008. Era madrugada e eu, inteiramente concentrado, escrevia o que veio a se tornar o meu Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo logo em seguida.

Deitada e sem receber a mínima atenção, a Kuki ficou por um longo tempo ali, apenas por fazer companhia. Não era início da nossa relação, então com dois anos, e por isso ela solidificou ainda mais o carinho e o amor que tenho por ela.

Ao longo dos anos, alguns outros cachorros cruzaram a minha vida e minha casa. Alguns por pouco tempo, como a Duda, e outros da rua para a casa, como a Lisbela, minha atual mascote.

A Lisbela, cuja história já contei por aqui, chegou assustada em casa e levou algum tempinho para se adaptar. Mas pouco a pouco se acostumou até dominar o sofá – e todos os outros recantos da casa. Ela era plena e centro das atenções. Isso até a chegada da Maria Flor.

E muitas vezes a gente se perguntava como seria a essa relação, entre o nenê e a catiora. Ainda que a Lis sempre fosse amistosa, tínhamos algum receio quanto a presença de uma “concorrente” no centro das atenções. Bobagem nossa.

Desde o primeiro dia – ou na verdade desde antes, quando só ela ouvia o novo coração da casa – a relação foi ótima. E agora, nas minhas manhãs de babá, quando geralmente ficamos só nós três em casa, vejo na Lis uma cumplicidade e carinho com a Flor que um dia a Kuki teve por mim. É algo que parece pouco, mas garante uma paz e harmonia.

O mundo seria melhor se adotássemos mais cachorros.

O clima e o Natal

Kiribati

Eu tinha dez anos quando a novela “O Fim do Mundo” passou na TV. Foi uma novela atipicamente curta, apenas 35 capítulos – o que não deixava de ser paradoxalmente assustador, já que o fim proposto seria bem mais rápido que o normal. No derradeiro capítulo, como esperado, o mundo terminou. Foi por meio de uma sequência de bizarrices toscamente assombrosas – lembro de uma mula sem cabeça correndo na cidade fictícia.

No entanto aquilo me assustava. E até hoje, penso eu, não gostaria de presenciar o fim do mundo como ele era na minha infância, com monstros colossais ou asteroides imparáveis. Só que, como ser humano, e mais especialmente agora como pai, o passar dos anos criou em mim um novo medo maior: a emergência climática a qual atravessamos. E da qual, provavelmente, não passaremos.

Não deixa de ser um fim do mundo. Porém, a conta gotas. O que, assustadoramente, cria em nós enquanto sociedade, discursos negacionistas ou resignados. Retira-nos o poder de ação em massa. De quebra, quaisquer ações verdadeiramente eficientes demandariam revoluções, cá entre nós, impensáveis na economia. Foi um xeque-mate do planeta em nós, humanos.

Vejo o cenário de hoje, e o dos próximos anos, e me assusto. Já nem tanto por mim, mas pela minha filha. A paternidade vem com o instinto de proteção às crias. E às vezes é inconsciente. Coincidência ou não, desde que Maria Flor veio ao mundo, tornei-me um pouco mais verde. Deixei um pouco de lado a teoria e passei à prática.

Tudo o que fiz é muito pouco – e será desprezível frente ao todo. Ainda assim é uma parte que me cabe para passar um pouco de esperança. Até porque passar essa consciência ecológica adiante é algo essencial ao futuro dela. Maria Flor deverá preocupar-se desde cedo com o bom uso da água e as emissões de carbono, mas também com povos longínquos e às vezes quase imperceptíveis no mapa.

Crises de imigração serão cada vez mais constantes quando a terra natal tornar-se árida ou ser inundada, porque – não de repente – o clima mudou. E no primeiro natal da minha filha, eu gostaria de ensiná-la: Jesus Cristo, além de preocupar-se com o próximo, foi um refugiado.

Farol nas sombras

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Sem vaidade, mas fiquei genuinamente feliz e satisfeito ao saber da aprovação de uma ex-estagiária minha em seu Trabalho de Conclusão de Curso. A minha, agora, colega Lívia Rossa tratou sobre curadoria no jornalismo – um tema que, a meu ver, merece atenção especial por esses tempos.

Pude ajudá-la no TCC ao ser entrevistado. Já não estou há pouco tempo como editor no Correio do Povo e, mais recentemente, também atuo diariamente na confecção da newsletter Matinal. Como se não bastasse, há 12 anos respondo pela comunicação na Federação Gaúcha de Judô. Alguma coisa já vi e já tive que decidir sobre caminhos a seguir, portanto.

Quando ela falou comigo, o que seria um café virou almoço. Aquela coisa corrida, sem muito tempo pra pensar. O que pode tornar toda entrevista mais genuína, como de fato foi. A Lívia perguntando, eu pensando e respondendo com um olho no prato e outro no relógio. Uma rotina de trabalhador proletário.

A Lívia fez perguntas difíceis, admito. Mas ótimas para se refletir, assim, de supetão, quando somos mais honestos. Ao ser questionado sobre qual o papel do jornalismo hoje em dia, ainda consegui bolar uma metáfora que, sinceramente, espero que tenha sido usada no texto dela, de tão poética que ficou. Era algo como que o jornalismo deveria ser um farol em meio aos atuais tempos obscuros.

E, sim, deveria. E deve!

Podemos trocar a metáfora dos ares sombrios para ruidosos. Talvez seja mais adequado, porque o que ofusca hoje não é a claridade da informação, e sim a quantidade de barulho em volta. É muita gente falando. É muita versão para um fato. É muita autoridade falando absurdo – e às vezes, principalmente, só para aparecer.

Há tempos que tenho uma bronca com o jornalismo declaratório. Cada matéria de “fulano diz” talvez necessite de outra, a do contraponto. Só que aqui temos um leitor apressado, que, ao fim, pode vir a perder o contexto, por mais links, gráficos – e todas as outras possibilidades da internet – que se tenha à disposição. Nisso, elogio – e muito – o Nexo e o El País pelo jornalismo que produzem. Creio que jornalistas deveriam se inspirar mais nesse norte que ambos seguem.

Fato é que o modus operandi jornalístico mudou de uns anos pra cá. Se, quando comecei a frequentar redações, pouco mais de dez anos atrás, havia o embate impresso x internet, hoje, com a massificação de smartphones – que são outra forma de se consumir o jornalismo, diferente do que simplesmente “na internet” –, agora há o desafio cada vez mais permanente da edição, ou, se olharmos com calma, da curadoria.

A provocação é: se temos tudo, que tipo de material dispomos ao alcance do nosso leitor?

É papel, penso eu, do bom jornalista separar o joio do trigo em meio a todo esse zumzumzum. Para o grande e apressado público as fontes podem estar mais opacas – aqui entra outro desafio: é preciso recorrentemente se enxergar como leitor para pensar curadoria e edição. Nas redes sociais afora, muita gente disfarça panfletagem como jornalismo exatamente para tentar confundir hoje em dia. Passar à frente a versão desejada. “Precisa ter olhos firmes, pra este sol, para esta escuridão”, já alertaram Gil e  Caetano.

Temos que saber bem qual conteúdo devemos propagar. É preciso ser farol em tempos obscuros.

No mais: parabéns, Lívia! Que a nota 10 no TCC seja o início de uma grande carreira.