Hora do conto – A Bahia, suas cores e fés

TendaFui três vezes à Bahia e só agora, 17 anos após a primeira viagem, que terminei de ler um livro inteiro de Jorge Amado. “Tenda dos Milagres” foi uma das compras na última Feira do Livro de Porto Alegre. Um livro usado, publicado antes da reforma gramatical, mas ainda assim riquíssimo em prosa e conteúdo. Não deixa de ser uma metáfora desta obra.

Tenda dos Milagres foi publicado em 1968. Sua narrativa, porém, se passa na década de 1940 principalmente. Retrata a história de Pedro Archanjo – inspirado em alguém que viveu de verdade, Manuel Querino. Fortemente ligado ao candomblé, mestiço de origem pobre, intelectual e sábio sem estudos formais, viveu em meio a uma sociedade em que o racismo não era tão velado assim. E isso em meio às ladeiras de Salvador.

Daqueles protagonistas marcantes, Archanjo lidera uma luta popular por inserção e reconhecimento (igualdade, afinal) da gente mais humilde da Bahia. Bahia, mas pode ser Brasil – ou não só este país. Reconhecimento a ele, mesmo, só quando um gringo o percebe e alerta a seus pares: “É um gênio”.

Décadas depois de sua publicação, o enredo de Tenda dos Milagres continua encontrando ecos na atualidade. Tal como algumas das frases do cativante protagonista: “É mestiça a face do povo brasileiro e é mestiça a sua cultura”.

Passados anos de miscigenação e de fluxos migratórios pra lá e pra cá, quem discordaria de Mestre Archanjo?

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A cidade, a bike e a noite

ciclovia

São 22h15 de uma terça-feira verão de Porto Alegre. Uma noite qualquer dentre tantas outras no Centro Histórico da capital gaúcha. Um local, assim como muitos centros urbanos, que viu as sombras tornarem-se hostis aos seus conterrâneos. Estou sobre a minha primeira bicicleta própria em anos e, pedalando, tomo o rumo de casa.

Do jornal até a saída do Centro são menos de dois quilômetros, com os últimos 500 metros de uma subida consideravelmente íngreme. A Rua dos Andradas, a essa hora, nem de longe lembra o movimento que costuma ter ao longo do dia, quando há sol e luz. Seus personagens, entre garis, obreiros e transeuntes, não raro inspiram desconfiança a quem passa, em pedal ou passo – apressado.

Acontece que décadas atrás houve algum momento de inflexão em Porto Alegre. Algum retrocesso com o que, dentre outras coisas, perdemos a liberdade à noite. O que poderia ser um turno extremamente agradável para caminhadas ou passeios é, hoje, motivo de preocupação. Talvez não só por fatos e sim principalmente por medo. A via é das dúvidas. O temor da violência venceu e esvaziou ruas não só centrais.

Pedalo. Chegar à Avenida Independência sem percalços é um pequeno motivo de alívio. Nada me aconteceu. (mas me aconteceria?). Sigo a reta, mais subida. Há um cachorro-quente tradicional lotado ao lado de uma praça adotada como lar por diversos mendigos. Adiante, o Bambus, tradicional bar alternativo da Capital, sempre com gente disposta a beber sem se importar com as condições e a lembrar o quanto a boemia é importante a uma cidade. Porto Alegre anda precisando de mais Bambus.

O fim da subida é um teste para o fôlego e os músculos das pernas – que trabalham pressionados por um medo implícito de parar em algum lugar da inóspita noite porto-alegrense. Quando o plano retorna, boa notícia: já é bairro chique. Fachadas mais arrumadinhas e prédios residenciais, ainda que gradeados, devolvem uma certa tranquilidade.

Vem a descida mais inclinada e, com o embalo, outra dúvida: se entra ou não em um parque público nesta hora da noite? Sim, se entra. Apesar de muito bem iluminado em noite agradável, ele está quase completamente vazio. Salvo uma gente, digamos, peculiar e mais alguns atletas perdidos ou atrasados. Por que não ocupamos esta área até tarde da noite ou por toda a madrugada mesmo?

Passa o parque e vem o bairro. Entre mais subidas e raras descidas, vizinhos em sua maioria recolhidos. Um que outro passeando com seus cachorros, aproveitando o que era sim uma boa noite para se caminhar. A bicicleta, porém, segue passando por gente de passo apertado e olhar desconfiado àquela hora.

Ao chegar em casa, o corpo escancara o sinal da pressa em forma de uma violenta cãibra. Coube à panturrilha sentir o peso de pedalar tarde da noite, de não poder viver tranquilamente não importa a hora que seja nas ruas. A dor eu sei que passa. Fica é a torcida que passe também essa apreensão em se viver a noite da cidade em que eu moro.

O Palhaço

palhaço transito

Fato 1: a nota de vinte reais é amarela e com um macaco no verso. Está do centro para cima na hierarquia do bilheteiro brasileiro, mais valiosa que as de dois, cinco e dez reais e inferior às de cinquenta e cem. E como quase todas as notas de real, pouco é vista na minha carteira. Tal como alguém entre a geração Y e Z, adaptei-me sem maiores dificuldade ao conceito abstrato de dinheiro, no qual ele é não mais que um número que diminui toda vez que uso um cartão de plástico com chip e sem bicho algum desenhado.

Cena 1: trabalho no centro de Porto Alegre. E praticamente todo o dia, em um determinado cruzamento, a mesma pessoa está lá, jogando seus malabares para cima na esperança de arrecadar, de moeda em moeda, sua sobrevivência em uma capital onde a renda per capita é de R$ 1.877 – terceira mais alto do país, segundo o IBGE. Na luta pelo ganha-pão, ele ressalta um diferencial: veste-se (vestia-se, a bem da verdade) de palhaço e sempre começa suas apresentações com gritos de “alegria, alegria” seguidos de alguma piadinha em algum motorista que demonstre atenção. A aposta, além do malabares, é na simpatia para angariar fundos no escasso tempo de uns 25 segundos que a sinaleira permite.

O Palhaço é daqueles anônimos que se vê todos os dias em meio à rotina. Para mim, ele é integrante do cotidiano naquela fração de tempo e hora. Da mesma forma que uma senhora que vendia doces em outra esquina – que ela nunca soube, mas sempre me passava algo de bom em seu olhar. Ou como antigamente era outro senhor que vendia churros na hora saída do colégio em que eu estudava. Enfim. São pessoas, cada uma com suas vidas, mas que, para nós, enquadram-se num determinado momento. Sabemos e saudamos suas existências, porém não mais que superficialmente.

A esquina onde o Palhaço trabalha é minha rota em seis dos sete dias da semana há cerca de três anos – ainda que ele trabalhasse numa transversal antes, que anteriormente era meu caminho. Ou seja, ele existe para mim há quase meia década.

Sempre nos cruzamos pelo fim da tarde. Não é constante, porém. Tem dias em que pego a sinaleira aberta e passo a 40 km/h ali. Tem outros que acabo parando num canto e não sou notado. Em outros eu lembro de alguma moeda no meu bolso ou alguma roupa para doar e o chamo, rápido. E sigo. E vou. Ele fica. Cada um com sua labuta. Cada um com sua vida.

Mas aconteceu no inverno passado algo cotidiano, mas fora da rotina. O encontro do fato 1 com a cena 1. Seria corriqueiro se fosse fim da tarde, só que o relógio marcava depois da meia-noite. Quase não tinha mais carros ali. Todavia ainda havia o Palhaço e seus três malabares verdes. Gritando um insistente “alegria” a esmo, ao vazio. O eco do seu grito escancarava a dificuldade que deve ter sido aquele dia, certamente de féria escassa.

Parei e troquei umas palavras de consolo. Cheguei a seguir, entretanto parei metros adiante ao lembrar daquele artigo raro para a minha carteira. Dei meia volta e retornei àquela esquina. Foi a primeira vez, então, que conversamos além do tempo da sinaleira. Despiu-se o Palhaço e surgiu o homem, cansado e doente – alguma coisa em seu olho que o fez até errar o malabarismo antes. Em seguida, entreguei os vinte reais para ele, que expressou um sentimento entre o alívio e a felicidade. Pelo jeito, a grana para pagar a diária do hotel em que ele contou viver, finalmente estava garantida.

Meses se passaram. Por um tempo esteve ausente e cheguei até a me preocupar, porém ele voltou faz alguns dias. Desde então, a gente segue se cruzando quase que diariamente. Hoje, no entanto, sou reconhecido. Ele aponta para mim, como se me apresentando aos outros motoristas e diz algo como “meu amigo”, “meu parceiro” e me cumprimenta na sequência, aí respeitoso.

O irônico é que ele é uma das figuras prediletas do meu cotidiano, mas nem sei seu nome – e tampouco ele sabe o meu. Pouco importa. Ele é meu amigo também. E me deixa feliz com a sinceridade usada ao falar “satisfação” ao me ver e “fica com Deus” quando arranco e me vou.

Num mundo de tanta rede social, tanta correria e desinformação, às vezes faz bem conhecer melhor o cotidiano da nossa rotina.

 

ps: na foto que ilustra este texto, ele veste uma camiseta que doei para ele no fim do ano. “Reconheceu?”, ele me perguntou dias depois. “Serviram todas muito bem”, me contou, já informando o sucesso sobre as outras duas peças que havia lhe entregado.

Morreu, mas passa bem

Ainda sobre o Marcelo Yuka, tema do último post, mas principalmente acerca de jornalismo online. O músico morreu no sábado, 19 de janeiro. Mas duas semanas antes, em 3 de janeiro, ele também havia morrido.

Como assim? Bem, confusões. Morreu porque seu ex-colega d’O Rappa, Marcelo Lobato, publicou em seu Instagram uma mensagem de “valeu, Yuka. Sentiremos sua falta”. Coisa assim. Num breve texto, ainda que desse a entender, sequer anunciava de fato a morte do músico. Apesar de fraco, o pulso ainda pulsava.

Foi, porém, o bastante para pelo menos dois grandes veículos publicarem a morte de Marcelo Yuka. Julgaram que a pauta já estava apurada o suficiente e tocaram no ar. Tiveram que se desmentir nos minutos seguintes, quando a questão fora levemente esclarecida, com o assunto ganhando corpo em nível nacional na primeira quinta-feira do ano.

Conhecendo redação, dá para dizer: foi uma aposta. Tivesse morrido mesmo, teriam sido os primeiros a publicar. O que se ganharia mesmo com isso? Mais cliques? Um lugar melhor no Google? Talvez. Mas não vale a pena.

A pressa por um “furo” desses, em caso envolvendo morte – seja de artista famoso ou anônimo – é uma armadilha. Pare-se aqui para não entrar na seara da discussão ética sobre noticiar a morte de alguém vivo.

Coberturas que envolvem a morte requerem cuidado e respeito. Até porque, ao repórter, poucas situações são mais desagradáveis do que ter de fazer uma nota desmentindo uma informação dada poucas antes. Tornando-se um famoso caso do “morreu, mas passa bem”.

Jornalismo, e não só o online, cobra apuração e não correria.

Yuka

yuka

“É pela paz que eu não quero seguir admitindo”

Foi lá pela virada de século (ou de milênio, se preferir). Ainda antes de uma difusão em massa da internet e bem antes de tempos de redes sociais e polarização exacerbada e tóxica. Uma época de ouro para videoclipes, que potencializavam bandas e, consequentemente, as mensagens que suas músicas carregavam.

Nestes tempos, a MTV tinha uma audiência cativa de milhões de jovens brasileiros (na maioria elitizados, reconheçamos) e era um local de sonho para muitos. E, com este poder quase mágico, realizava o Video Music Brasil, o que poderia ser considerado um verdadeiro Oscar da música.

Algumas bandas souberam surfar como poucas naquela nessas ondas. Uma delas, no seu auge, foi O Rappa – que, em 1999, havia lançado “Lado B Lado A”, certamente um dos melhores álbuns do gênero já gravados neste canto de planeta.

Volto a este disco e especificamente às suas letras em memória de Marcelo Yuka, então baterista e um dos líderes da banda. Yuka morreu neste sábado. Pode-se dizer precocemente, só aos 53 anos e com graves problemas de saúde. Com suas letras, ele jogou luz a problemas sociais graves – que já ocorriam e que ainda ocorrem.

Yuka e O Rappa daquela época levaram à MTV e a milhões de brasileiros problemas sociais comuns da periferia. Deram voz a parte considerável da população por meio de outro gênero musical que não o samba e o rap. Uma pegada negra com a guitarra elétrica. No top-10 da MTV.

Vencedor do VMB de 2000, O clipe de “Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)” é uma pequena obra de arte, tal qual sua letra. No mundo seguro onde há TV a cabo, não é fácil questionar se as grades de condomínios trazem proteção. Ou aprisionam. “Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz?”

E que paz sem voz – resumiu o compositor muito antes de um clima azedo atual – é medo. Não é todo verso que consegue atravessar décadas mantendo o poder da reflexão – e neste caso mantendo-se atual. Yuka fez vários ao longo de sua carreira. Isso é para poucos.

Os anos passaram. A MTV acabou (ao menos como era), assim como o VMB. O Rappa foi esfacelado, com Yuka saindo da banda pouco após essa sequência vitoriosa de prêmios e sucessos. Ficaram sim os ruídos e a impressão de que o Brasil deveria ter ouvido com mais atenção Marcelo Yuka.

Dez anos daquele canudo

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A sensação de ver uma foto antiga

Parece que foi há muito tempo, mas faz só dez anos que recebi um canudo e um papel que diziam que eu tornava-me, enfim, jornalista. Esse mesmo papel que meses depois foi desacreditado pelo Supremo Tribunal Federal, assim como sindicatos de bem menor poder – um deles até hoje não deixa eu trabalhar em rádios se não fizer o curso deles.

A vida jornalística desde o início prova que não é fácil, afinal.

Diverti-me procurando fotos para lembrar dessa data. Jovens: em 2009 ainda não se tinha ideia do que um smartphone poderia fazer e a troca de imagens acontecia por e-mails. Dezenas, às vezes centenas deles, quando a conversa e o grupo de amigos era bom – como o meu foi, durante e depois da faculdade.

Nos resgates em um @hotmail.com antigo, como a foto que estampa este texto, revi uns quantos colegas que já abandonaram a lida há algum tempo. Desertaram do sonho e hoje atuam em outras funções, as quais quase sempre relacionadas à comunicação social – que sofreu uma transformação enorme desde aquele quente 9 de janeiro em Porto Alegre. Nesta foto, somente um segue em redação. Casualmente na mesma que eu.

Assim como o número de então repórteres da imagem, em dez anos, a maneira de se trabalhar o jornalismo mudou bastante. A pressa, outrora tão festejada como furo, talvez venha sendo usada contra nós. A pressão também cresceu, especialmente nos últimos meses e há a tendência de que sejam anos complicados, os vindouros.

Nunca fiz projeção de carreira, onde gostaria de estar dez ou vinte anos depois de me formar, mas jamais me vi arrependido pela escolha tomada na década passada. Se acumulei algumas decepções com a carreira e o ambiente, fiz várias pautas que guardo com carinho, proporcionadas graças ao fato de eu ser jornalista, que mude o que for, é, ainda e sobretudo, uma testemunha da história.

Nunca almejei mudar o mundo com meu trabalho, embora procure fazer o meu melhor possível dentro das minhas limitações. Isso já me garante a consciência tranquila. E num mundo com tanta notícia falsa, já é um fato a se comemorar.

 

ps: em meio a essa busca por fotos daquele dia, encontrei uma de outra formatura, de alguém que tornou-se um grande repórter, um ano mais tarde. O e-mail veio com a mensagem:
“Grande Tiago
Fiquei muito feliz com a tua presença na minha formatura. Segue a foto ae.
Abs,
Laion

Por mais representatividade

cap pqd

Foto: Marcos Corrêa / PR

Bastaram não mais que oito horas sob um novo governo para os jornalistas perceberem na pele que não serão coberturas fáceis enquanto o clã Bolsonaro estiver no Planalto. Num claro combate à “imprensa tradicional”, repórteres de todo o Brasil passaram sufoco até então não visto para simplesmente exercer seu trabalho.

E foi só o começo. Restrições à circulação entre autoridades e palácios onde ocorrem as decisões da República já começam a se tornar rotina nestas primeiras horas de novo governo, enquanto amigos da “mídia alternativa” têm seus acessos liberados.

Reação a esse cenário já teve. “Governo Bolsonaro ameaça liberdade de imprensa, segundo organizações”, publicou dia 2 a Folha de S.Paulo – um dos jornais non gratos do novo governo –, se não o principal. Nesta nota, há posicionamentos de Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Ótimo. Mas ao mesmo tempo em que se reclama das medidas do novo presidente – queira ou não democraticamente eleito por muitas pessoas que também olham com desconfiança a “imprensa tradicional” – não seria salutar discutir a relação entre nós?

Jornalistas, ao menos os daqui do Rio Grande do Sul, costumam ser um tanto “desunidos” sobre assuntos da classe. A falta de um Conselho Nacional ou Regional cobra seu preço. Em dez anos de carreira, ainda me pergunto: por que me filiar a alguma delas? Sequer tenho certeza se já me procuraram para isso. No mínimo não insistiram. Desconfio que falo por muitos da minha geração.

Para ser justo: a Abraji, especialmente pelos cursos promovidos, é quem mais se aproxima. Só.

Faz tempo que há um vácuo de representação a ser preenchido. Associações como essas que assinaram as notas precisam reconquistar o próprio público interno – no caso, os jornalistas – até para ter mais força em momentos de cobrança contra o governo, situações que tendem a se tornar mais comuns.

Trabalhando a um quilômetro da sede, pisei duas ou três vezes no prédio da Associação Rio-Grandense de Imprensa. Uma foi em um evento em que palestrei e outra para prestigiar um amigo. Raros e parcos eventos de discussão jornalística – algo, na minha opinião, extremamente importante nesta época.

Jamais estive no Sindicato dos Jornalistas do RS – e até por isso evito críticas às negociações nem sempre bem sucedidas do nosso parco dissídio anual. Aliás, seu presidente ganhou fama meses atrás por tentar impedir o trabalho de um repórter, sob pretexto de protegê-lo. Episódio, esse, que gerou bastante desgaste.

Sobre a Fenaj, certa feita vi um de seus representantes dizer, na redação em que trabalho, que jornalistas de internet eram “sub-jornalistas” – visão e preconceito que havia e senti, mas que já está inevitavelmente diminuindo. Posturas como essa abrem uma rusga com parte importante do front da reportagem.

A impressão de dez anos de carreira é que tais associações (e aqui com a devida exceção à Abraji) vivem em outro tempo e não conseguem se aproximar do jornalista moderno – esse que não é só um repórter de jornal impresso – a representá-los. Esta falta de representação, ao fim, é prejudicial à imprensa toda.

É preciso se atualizar e se reunir. Compreender o novo profissional e se possível iniciar este diálogo lá na faculdade. O jornalismo brasileiro estará sob ataque – e com muita gente aplaudindo e celebrando a “mídia alternativa”. Só publicar nota “em defesa da democracia” vai ser pouco.