Alguém viu a Duda?

     A Duda sumiu e junto com ela um pouco da minha alegria ao chegar em casa. Pra quem não sabe, a Duda é a cachorra mais legal do mundo – acho que já falei isso antes – e morava lá em casa. Até essa última semana.
     Inteligente, legal e companheira, a Duda nos seguia pelas ruas sem o menor receio e diversas vezes voltava para casa sozinha. Era famosa no bairro. Alguns sábados atrás, dei uma volta com ela pela quadra e, pelo menos, cinco pessoas fizeram cafuné em sua cabeça bege.
     Sempre saía serelepe pelas ruas do bairro, balançando seu rabo de um lado para o outro constantemente. Mal a via, é verdade. Abria o portão para ela ao sair para trabalhar e, quando retornava, encontrava-a bem esparramada na cadeira que adotou. A Duda podia até estar dormindo, mas quando eu chegava, sempre se levantava e pedia um carinho. Querida!
     Aí veio a quarta-feira. Chego pra casa, olho para a cadeira, não vejo nada. Cadê a Duda? Ninguém soube responder: “Talvez volte mais tarde”. Vou a faculdade e, depois, a mesma cena. Putz! Ela não voltou. No canto estava apenas a solitária cadeira vazia. Tristeza!
     Passado um tempo, olhei novamente para a cadeira. Vazia. A metáfora perfeita para o que eu senti. Tenho outras duas cachorras – que estão lá em casa agora – contudo, o vazio realmente era enorme, bem mais que imaginaria. Amo-as, todas e muito, porém nenhuma preenche o espaço da outra.
     Eu sei que a Duda tá bem, porque conheço a sua esperteza. O problema é que ela não tá em casa. Não duvido que alguém tenha adotado-a e hoje dê até mais afagos do que ela recebia antes e esse meu pesar seja apenas puro egoísmo. Pode ser, mas eu fiquei triste e quero a minha cachorra de volta.
     Além disso, desde a semana passada, olhar para uma certa cadeira vazia tem me dado uma dor no coração.

***

Breve reflexão
     O sumiço repentino da Duda causou certa comoção, entenda-se choro, no Beco onde moro. Entre alguns soluços e lágrimas, ouvi a seguinte frase: “Nunca mais eu quero ter cachorro. Olha o sofrimento que é perdê-los…”.
     Imagine a situação (no lugar de cachorro, caro(a) leitor, coloque qualquer animal de estimação, fique à vontade, a escolha é sua). Vale a pena não ter um bichano apenas para não sofrer quando este se for? Não, né?! Se pensássemos assim, o que seria de nós?
     Não vamos ter mais filhos e sequer fazer novas amizades – imagine se acontece alguma coisa. Torcer para um time, nem pensar – vai que ele cai pra segunda divisão. Vamos nos privar daquilo que é mais essencial para o ser humano: o amor.
     Amar implica em sofrer – pelo menos em algum momento. Porém, se o primeiro sentimento for mais duradouro e consistente que o segundo, por mais doloroso que seja o sofrimento, sempre valerá a pena. Então, depois que a tempestade passar, as coisas voltarão ao normal.
     E aí, quem sabe, surja outra cachorra tão legal quanto a Duda. Não para fazer esquecê-la e sim para tentar preencher algum vazio de uma cadeira qualquer.

Anúncios

3 pensamentos sobre “Alguém viu a Duda?

  1. As perdas causam marcas profundas, mas nos fazem crescer, amadurecer. De qualquer forma, estou na torcida para que a Duda reapareça para que tu, meu amigo, não sofra mais. Abraço.

  2. Titi!!
    tenho certeza q ela ainda vai voltar…
    pelo menos podemos ter essa esperança!
    e com certeza aonde ela estiver está recebendo muito carinho tbém…
    te amo..
    não fica triste!bjus

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s