Sobre audiência. Ou momento confessional nº 15

Jornalistas não deixam de ser movidos, uns menos outros (muito) mais, a ego. Ao escreverem, falarem ou narrarem histórias querem serem lidos, ser repercutidos. Em certos casos vale a máxima “falem mal, mas falem de mim”.

Mas quem vive o dia a dia de uma redação online volta e meia se decepciona ao ver os índices de audiência. Não raro, aquela matéria apurada, trabalhada ao longo de dias, tem metade das visualizações, ou nem isso, de algo feito às pressas, com assunto banal.

É chato, mas com o tempo a gente até se acostuma.

Pois bem. Isto aqui não é uma redação online, é apenas um blog. Dos antigas, reconheço. A Telha do Tiago como projeto completa uma década de vida em agosto próximo – este endereço está quase completando nove anos. E algo que, admito, me dá um certo orgulho é ter atualizado – nem que seja uma vez por mês – em todos os 105 meses desde o longínquo primeiro post desta página.

No entanto, o que me deu ainda mais orgulho foi ver a repercussão de uma matéria, que foi publicada originalmente no Correio do Povo em 2013, e mais tarde postada aqui como uma espécie de votos de feliz ano novo, em janeiro de 2014 – que acabou sendo, de fato, um ano feliz. O texto trata da virada de jogo que a judoca Taciana Lima deu em sua carreira. Um verdadeiro recomeço aos 29 anos de idade, que será coroado em agosto, quando ela disputará os Jogos Olímpicos Rio-2016 defendendo Guiné-Bissau.

Dia desses passei a matéria para ela, que publicou em suas redes sociais. Logo o número de acessos do blog deu um grande salto. Tanto que domingo passado quebrou o recorde de visitas em um mesmo dia – e visitas de todos os cantos do mundo. O recorde anterior durava desde 2008, época de outra edição dos Jogos Olímpicos.

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Olha por onde a história da Taciana passeou em menos de uma semana

Só me resta agradecer: obrigado, Taciana. Pelo exemplo. E por dar a alegria de um jornalista ver uma matéria mais especial ser bastante lida e repercutida. Trabalhamos por boas histórias, apesar do nosso ego.

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Sorte nos Jogos, Taci!

O lado oculto do fio da meada

blocoA grande ideia surge, mas logo agora? “Isso é brilhante”, penso, numa recente empolgação. Mas a caneta some, o computador nem ligado esteve. O escasso tempo passa.

Não fica nem um rabisco que contaria aquela história. Ou talvez uma palavra, no máximo uma bifurcação obscura que leva a um pântano de palavras desconexas.

E então encontra-se a dúvida: para onde vai a inspiração para os textos que a gente esquece?

Rapidas panamenhas, parte 5

A reparar
Ao menos para mim, a Cidade do Panamá transpareceu um lugar com muitos mais contrastes do que Havana, que leva essa fama. A modernidade dos rascacielos com a vanguarda dos prédios antigos é muito escancarada. As próprias ruínas de Panamá Viejo ficam hoje próximas a uma veloz autopista – financiada pelo governo do México – e entre prédios gigantes.

Lado a lado, carros modernos dividem espaço com táxis às vezes caindo aos pedaços e motocicletas transformadas em carrocinhas de cachorro quente e outros quitutes. Tudo normal, com o contraste sendo quase algo da própria cultura da Cidade do Panamá, uma capital bastante cosmopolita.

Conectividade
Ainda que precise resolver umas questões sociais, conectividade não é problema na Cidade do Panamá. Muitos dos lugares em que passei, como inclusive o Canal, oferecem uma rede wifi com boa velocidade gratuitamente. Já em Bogotá, a cobertura é menor.

Tecnologia viajera
A produção de todo o conteúdo nesta viagem, por sinal, foi ajudada bastante pela tecnologia e a internet. Embarquei com um iPad, uma câmera de mão e meu celular galaxy ace, com quem tirei algumas das fotos e as subi em Instagram, Picasa, Twitter e Facebook.

Claro que a boa e velha dupla amiga dos jornalistas bloco & caneta sempre ajudam também.

Uma das primeiras fotos da viagem, em Bogotá

Uma das primeiras fotos da viagem, em Bogotá

La plata
Não cheguei a levar muito dinheiro, porque resolvi deixar as contas mais para o cartão de crédito, estratégia que funciona bem em Buenos Aires, mas nem tanto em Montevidéu. Em Bogotá é bom ter uma graninha a mais, porque não são todos os lugares em que se pasa la tarjeta. Na Cidade do Panamá é um pouco mais tranquilo, até porque não é difícil achar um caixa eletrônico.

Blog velho, modelo novo

   Não que o blog tinha oficialmente parado. Nunca houve decreto dizendo isso. Mas com a periodicidade mais baixa que a temperatura de cerveja de fim de semana, decidi que era hora de recomeçar.
   Recomeço, então, a postar no blog – que, repito, na verdade não estava parado, no máximo meio distraído com histórias mundanas. De quebra, aproveito para reciclar a já velha Telha do Tiago, coincidentemente no mês do seu aniversário de quatro anos.
   Como blogueiro pseudoexperiente, não prometo mantê-lo atualizado (discurso clássico de quem desiste), mas garanto que vontade (ao contrário de tempo) não irá faltar.

Libertadores tem que ter emoção

   Eu tinha como uma das metas quando criei o blog não misturar muiti trabalho e diversão. Mas tu, caro(a) leitor, já deve ter percebido que volta e meia entram umas matérias desde o tempo lá da Sogipa, passando pelo Jornal do Comércio e chegando ao Correio do Povo. Esses dias publiquei até uma que fiz para a Federação Gaúcha de Judô.
   Enfim, te peço licença para publicar mais uma. De novo, crônica de jogo, algo quase corriqueiro na minha rotina de trabalho. Mas achei que essa ficou legal. E subo ela ainda com um pouco da adrenalina do jogo. Porque partida de Libertadores que se preste tem que ter emoção.
   Emoção que os colorados tiveram ao longo da noite, quando assistiram o fraco desempenho do time no primeiro tempo. Viram um esboço de crime se desenhar no Beira-Rio lotado. Mas que não se confirmou após a redenção da etapa final, quando o mundo pareceu que voltou a conspirar a favor de quem veste vermelho e branco. Isso que eu tentei narrar, numa crônica quase falada.
   Se quiser conferir o link original da matéria, que tem galeria de foto e áudio dos gols, clica ali atrás. Se quiser ler por aqui, siga adiante.

Após sufoco, Inter bate Emelec e se classifica em primeiro do grupo

   Não foi de forma tranquila que o Inter carimbou seu passaporte às oitavas de final da Libertadores, na noite desta terça-feira. Diante de um Emelec matreiro, o time de Falcão ganhou por 2 a 0, mas os gols de Rafael Sobis e Leandro Damião só saíram no segundo tempo, após até vaias serem ouvidas no Beira-Rio. O resultado garante aos colorados a primeira posição do Grupo 6 e a vantagem de decidir em casa na próxima fase.
   Ainda sem adversário definido, mas garantido como terceira melhor campanha na fase de grupos, o Inter volta a campo para as etapas eliminatórias do torneio continental na próxima semana. Antes, no domingo, vai a Caxias do Sul enfrentar o Juventude, pelas semifinais da Taça Farroupilha.

Primeiro tempo medonho

   O cronômetro mal havia apontado o primeiro minuto e Andrezinho cobrou falta colocando o goleiro Klimowicz para trabalhar. E aí você pensa que o Inter, empurrado por quase 40 mil nas arquibancadas, iria pressionar, certo? Ledo engano. Errando passes bobos, os colorados permitiram o adversário gostar do jogo em pleno Gigante da Beira-Rio.
   Menos mal que a sorte estava vestida de vermelho e branco no primeiro tempo. Até os 30 minutos foi mais ou menos assim: o Emelec, que armou um verdadeiro ferrolho no campo de defesa, recuperava a bola antes do meio de campo, fugia para o ataque, principalmente pela direita, e cruzava. Mas lá Renan ou a zaga para rechaçar. Foi assim nos cruzamentos de Gaibor aos 20 e aos 24. E também na tentativa de Iza, logo em seguida, que Bolatti afastou.
   Depois disso, o Inter até acordou. Porém, foi para frente sem efetividade. Aos 32, um D’Alessandro de fraca atuação até então cobrou falta na barreira e, logo após, uma breve sequência de levantamentos na área, que encontraram cabeças equatorianas ou colorados sem mira, como Damião e Andrezinho, que concluíram para fora.
   A situação não estava boa para o Inter. E piorou no final do primeiro tempo. Menéndez chegou a fazer um gol depois de se livrar de Bolívar, aos 39. Entretanto, ele tinha cometido falta e o lance foi anulado. Ao trilar o apito final do primeiro ouviram-se algumas vaias para o time de Falcão. “Não jogamos bem. Precisamos melhorar”, ordenou o vice de futebol, Roberto Siegmann.

Dupla de ataque resolve

   A ordem do dirigente não foi atendida imediatamente. E por cinco minutos a etapa complementar foi uma repetição da inicial. Por cinco, apenas, porque no sexto minuto, quando a torcida gritou com força um “Vamo, vamo Inter”, Rafael Sobis marcou o gol do desafogo. D’Alessandro cruzou da esquerda, Damião cabeceou para o meio e Sobis completou, também pelo alto. Klimowicz chegou a espalmar, fazendo com que a bola entrasse mansamente no gol. Ufa.
   A torcida ainda fazia festa quando Gaibor cobrou falta forte na intermediária no minuto seguinte. Renan caiu no canto esquerdo para evitar o crime. E aí o Inter embalou. Partiu para cima tal qual fazem os atuais campeões da Libertadores quando jogam em casa. Em boa jogada, D’Alessandro arrancou um “uh” da torcida depois de receber toque de calcanhar, aos 18. Após isso, Damião concluiu dentro da área e Klimowicz defendeu com as pernas. O goleiro, em seguida, saiu nos pés de Kleber, para operar outro milagre.
   Controlando o jogo, o gol era questão de tempo. E ele saiu aos 38 minutos – quando o Jorge Wilstermann já havia virado para 2 a 1 contra o Jaguares (resultado que ainda assim classificou os mexicanos), na Bolívia, o que garantia a tranquilidade geral dos torcedores colorados. O segundo gol do Inter começou com Guiñazu. O volante mandou da entrada da área. Klimowicz espalmou. Mas espalmou justamente nos pés de Leandro Damião, que estava no lugar que um centroavante precisava estar, fechar a conta.
   Com o resultado garantido, o Beira-Rio, que inicialmente viveu momentos tensos, terminou a noite com todos os colorados comemorando. “O Falcão arrumou o time e conseguimos os gols que precisávamos”, analisou Siegmann, enquanto a torcida festejava a poucos metros dele. O sonho do tri da América está vivo. Que venham as oitavas de final.