Repensar o Rio como capital

museu nacional

Museu Nacional do Brasil, no Rio

Uns anos atrás estava eu e meu pai resolvendo alguns problemas aleatórios em mesa de bar. À nossa pauta chegou a situação do Rio de Janeiro, ainda antes da eclosão de todo este escândalo de corrupção que fariam os fluminenses verem quatro de seus ex-governadores serem presos.

Ex-morador do bairro do Catete, o pai, convicto, defendeu a tese de que a mudança da capital para Brasília destruiu com o Rio de Janeiro. Para ele, menos do que todo o investimento na construção de uma metrópole do zero seria suficiente para manter o Rio em ótimas condições.

A invenção de Brasília quebrou o Rio, defende ele. Faz sentido. À época, enviamos a sugestão de pauta à coluna “E se” da Superinteressante – até contei aqui. Nunca saberemos, mas talvez e provavelmente o Rio de Janeiro fosse uma cidade melhor se fosse capital ainda hoje.

Lembrei da ideia e voltei a notar que ela não era tão absurda como algumas soluções tomadas em mesa de bar são ao ler este ensaio no Nexo Jornal. Nele, o diplomata Igor Abdalla sugere transformar o Rio em uma cidade federal – lembrando que diversos países têm duas capitais.

O Rio, ele cita, é ainda hoje sede diversos órgãos do governo federal, grande presença das Forças Armadas e por aí vai. O Rio é cosmopolita. É a cidade do Museu Nacional, da Academia Brasileira de Letras, da Biblioteca Nacional, entre tantos outros órgãos que levam o rótulo deste país.

E isso afora de toda um resquício imperial em suas ruas, algumas delas carregadas com parte importante de diversos momentos marcantes da história brasileira. Se Salvador foi capital por mais tempo, o Rio era a capital em momentos determinantes do desenvolvimento enquanto sociedade.

rio antigo

Para o bem e para o mal, o Rio é uma das principais vistas que o mundo tem do Brasil. Nosso principal cartão postal. E está necessitando de um resgate, de fato. Histórico e econômico. Revitalizá-lo como capital, cidade federal ou qualquer coisa que o ajude, fará bem, também, ao Brasil. É preciso repensar o Rio de Janeiro.

*Segunda foto retirada do site da Biblioteca Nacional, originalmente disponível neste link

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Livros dos meus mestres

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Este trata-se de um post que vem para esta página com cerca de 24 horas de atraso. Mas tudo bem, a vida é corrida. E em homenagem ao Dia do Livro, celebrado nesse 29 de outubro que recém passou, festejo esta foto de dois livros, de duas pessoas com extrema relevância para a minha formação.

O primeiro já falamos por aqui, um biografia do professor Marques Leonam, um marco no aprendizado de uma geração inteira de jornalistas gaúchos no que tange o ofício do repórter, a busca pela notícia. O segundo, “Não existe mais dia seguinte”, apesar do nome pós-apocalíptico – que até poderia ser apropriado a muitos derrotados eleitorais nesse segundo turno – é uma obra mais amena: o primeiro livro do professor Vitor Necchi.

O lançamento desses dois livros neste ano acabou por ser uma feliz coincidência – também pelo fato em que ambos geraram grandes filas e abraços apertados. Na Famecos da primeira década deste século, Leonam e Vitor, não nesta ordem, foram os responsáveis por ministrar as disciplinas de redação aos futuros jornalistas que frequentavam aquelas salas de aula – dentre eles, eu.

Se Leonam pregava o tino da reportagem, Vitor ensinava o refinamento do bom texto – e a diferença que isso faz para o leitor. A aula dos dois se complementava: jornalismo é uma missão em prol da cidadania, mas também pode ser uma arte e, como tal, deve se moldar para atingir os mais variados públicos – culto, popular, gonzo…

Então, com um dia de atraso, contudo ainda fazendo referência ao Dia do Livro, meu muito obrigado aos professores, que tanto contribuíram na minha formação.

A memória de um 11 de setembro

museu memoria

Ainda lembro bem daquela terça-feira. Assim que cheguei da aula, por volta do meio-dia, soube de todo o ocorrido. A TV não parava de passar aquelas imagens. As torres gêmeas de Nova York atacadas e posteriormente caindo. Parecia cena filme holywoodiano. De lá para cá, muita coisa mudou.

Mas bem antes de 2001, houve um outro e lamentável 11 de setembro. Em 1973, no Chile. Aquele 11 de setembro alterou a vida de um país inteiro e junto dele afetou diretamente a vida de cerca de 40 mil famílias.

Conheci um pouco mais a história e a narrativa daquele dia – e dos anos seguintes – durante uma visita ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos, em Santiago, em abril passado. É um lugar forte, de reflexão.

Entrevistei o diretor do museu dias depois. Virou matéria pro Correio do Povo, porém aqui vai o texto completo, livre das limitações de espaço. Uma entrevista na qual se ressalta: é importante lembrar para não esquecer.

“Democracia é uma construção coletiva”

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40 mil histórias contadas | Foto: Divulgação

“É importante educar em uma nova cultura de respeito, de bom trato, da ética dos direitos humanos, recordando o que aconteceu, mas ajudando as pessoas a refletir sobre o que está acontecendo agora com esses temas, com nossos indígenas, com os temas de gêneros, a migração, entre outros”, conclui Francisco Estévez.

Estévez é chileno e trabalha em Santiago, mas sua fala poderia ser adaptada a diferentes realidades e sociedades da América Latina – e também do mundo, nesses tempos de polarização. Ele é o diretor do Museu da Memória e dos Direitos Humanos, um dos 15 museus mais populares do continente e o mais visitado do Chile.

Se museus normalmente levam a um passado que pode vir a despertar curiosidade ou mesmo nostalgia, o Museu da Memória, não. Dentro do prédio – projetado por arquitetos brasileiros – o conteúdo remete a um período sombrio do país: a ditadura, que durou de setembro de 1973 até março de 1990. E que deixou um saldo oficialmente reconhecido de 40.018 vítimas, sendo 3.065 mortos ou desaparecidos.

O convite à reflexão ocorre de forma interativa. No museu, pode-se desde ouvir o último discurso do presidente deposto Salvador Allende, no fatídico 11 de setembro de 1973, a ver a cobertura jornalística da época da reabertura. Isso passando por lembranças dolorosas em memória das vítimas, dispostas ao longo dos três andares da casa.

Com a democracia chilena se aproximando dos seus 30 anos – e com alternância entre esquerda e direita no poder – Estévez crê que seja necessário não esquecer do período sob o general Augusto Pinochet. Principalmente para que uma época dessas não ressurja.

“Na América Latina, estamos vivendo um ressurgimento de posições negacionistas, que pretendem revisar e justificar o que aconteceu na ditadura. São provocações na hora de revisar os atos de violações cometidos pelo Estado chileno, argumentando que não haveria incorrido nenhum abuso de direito”, diz. “Este é o nosso maior desafio como museu.”

Citando uma pesquisa a qual atestou que 57% dos jovens chilenos que cursam o oitavo ano do ensino básico concordaria viver em uma ditadura desde que ordem e segurança fossem garantidas, ele afirma: “É importante que todas estas gerações dialoguem sobre o tema”.

Recheado de histórias individuais e coletivas, por meio de fotos, vídeos, documentos e gravações, o museu foi visitado por cerca de 150 mil pessoas no ano passado. Os visitantes foram oriundos de 187 países, sendo Brasil e Estados Unidos a maior parte dos estrangeiros que passaram por lá. Houve também “um aumento significativo” de venezuelanos que repassaram a história da ditadura chilena, segundo Estévez. O Chile, por sinal, é um dos destinos mais procurados pelos venezuelanos que optaram por deixar o país nos últimos anos.

Encarando a história

Mas que história é essa? Passadas quase três décadas, debater ditadura no Chile segue como um tabu. Igualmente como em outros lugares, há quem denuncie e quem apoie. “Opositores do museu reclamam do caráter não-histórico da iniciativa, já que somente mostra uma parte da ‘verdade’, aquela que dos ativistas da esquerda e partidários da Unidade Popular. Consideram que o período entre 1973 e 1978 (até a promulgação da lei da Anistia) correspondente a uma situação de guerra interna. Assim não haveria vítimas e sim baixas de guerra”, explica Estévez.

Não é só. “Alguns intelectuais exigiam a inclusão de um ‘contexto histórico’, no qual estaria marcado pela deterioração do processo democrático chileno, o que explicaria a extrema repressão depois do 11 de setembro. Neste caso, não negam as atrocidades da ditadura e ainda menos a necessidade de um lugar de memória, mas igualam a retórica revolucionária do governo de Allende com a violência do golpe”, acrescenta. Para esses – contextualiza Estévez – o golpe militar se deu pelo medo do comunismo e a ameaça de um processo semelhante ao que aconteceu em Cuba.

“Uma luta memorial segue presente entre quem disputa o status de vítima. No entanto, hoje em dia a interpretação histórica favorece majoritariamente aqueles que sofreram as atrocidades da ditadura”, conclui o diretor do museu.

Críticas na internet

Esse embate acaba se transferindo para a internet. “Há certo ódio que recebemos diariamente nas nossas redes sociais. Isso porque há pessoas que negam o ocorrido”, avalia Estévez. Ainda assim, a página oficial do museu no Facebook tinha, no início de agosto, uma avaliação de 4,6 numa escala que vai até 5. Além de 152,7 mil fãs.

Entre junho e julho, a página do Museu da Memória e dos Direitos Humanos no Facebook recebeu 32 avaliações ou recomendações. Dessas, sete foram negativas – com duas estrelas ou uma, numa escala de até cinco. “A memória tem que ser um conjunto da sociedade e não de um setor político”, criticou Christian Chamorro, cuja foto de perfil é um capacete medieval. Já uma mulher, identificando-se como Ines Canales e com uma foto de cachorro no perfil, apenas justificou sua única estrela ao museu com a frase: “Humanoides desgraçados”.

Apresentando-se como um chileno morador de Nova York, Cristian Subiabre foi mais enfático em sua crítica: “Isso é uma mentira, feita para branquear os assassinatos e atrocidades da esquerda, ainda impunes”, postou, citando um político comunista que, segundo ele, seria responsável direto por pelo menos seis assassinatos. “O museu não vai falar sobre isso.”

No lado real, o museu reconhece que já foi alvo de protestos ao longo de sua história, mas sem ataques diretos às dependências, onde, na entrada, está a declaração universal dos direitos humanos, proclamada pela ONU, em 1948.

Democracia

Francisco Estévez afirma que o museu procura estabelecer canais de diálogo, inclusive na internet, quando lançou uma campanha #quepasasiolvido (o que acontece se esqueço). “Temos muita gente que nos ataca, mas a satisfação que outros defendem a oportunidade de ter um lugar que recorda o que nunca mais deve acontecer em um país: a violência exercida do Estado com a destruição da democracia”.

E democracia, na opinião dele, é “uma construção social, política e cultural”. Logo, é algo que corre riscos. “A democracia é uma responsabilidade comum, coletiva e cidadã. E quando isso se abandona então a democracia fica em um estado de fragilidade”, define. “Efetivamente se requer um compromisso permanente de educação e também um envolvimento dos atores sociais, os jovens e a política.”

Numa época de polarização extrema, tempos como os que o museu reporta podem voltar. E até por isso Estévez valoriza a importância do Museu da Memória e dos Direitos Humanos: “O que acontece é que se esquece que nunca, na democracia, é aceitável dar um golpe de Estado para resolver os antagonismos políticos”.

 

Meu fantasma

Tenho um fantasma que habita em mim. Um fantasma abstrato, contudo de uma presença impressionante. Um fantasma que certa feita foi feito de concreto e tijolos, mas que hoje já não existe mais, a não ser na memória de quem o conheceu. Uma recordação a cada dia que passa mais longínqua.

Esse fantasma tinha endereço. Morava no coração do bairro Menino Deus. Desde que foi ao chão, vaga por aí, entre antigas fotografias – desde as em preto e branco até as compostas por pixels – e lembranças alheias. Sobrevive, ainda que seu tempo seja contado, pois já existem gerações que não o conheceram pessoalmente.

Em breve chegará o dia em que aquele endereço na rua Dona Augusta tornar-se-á completamente desconhecido. Nunca hão de saber que lá o ambiente de um prédio mais novo qualquer era outro. Totalmente distinto. Tinha cheiro próprio, tinha vida, tinha alma. Foi um refúgio seguro ao longo de décadas, não só para mim. Tinha, acima de tudo, meus avós como seus habitantes.

Mas agora seu tempo é passado. Mesmo que insista em resistir no presente. Como um fantasma que surge em sonhos completamente aleatórios. Sai do vazio e transforma-se em cenário de um passado gostoso. Quase como uma máquina do tempo que nos saca da vida adulta diretamente à tenra infância.

É dúbio revê-lo. Bom e mau, porque às vezes veste a carapaça de um casarão mal assombrado. Como a faceta de um fantasma em meio à cidade grande. Cidade que o próprio cotidiano atual já não reconhece. O bairro de hoje cresceu em altura. Abdicou dos inúmeros gramados nos jardins em busca de vistas para o pôr do sol a uns poucos privilegiados.

Uma dentre tantas casas fantasmas, que viveriam a sombra de prédios se ainda fossem de concreto e tijolos. Cada qual com seus donos, todas fantasmas que deixaram a rua e agora residem em fotos. Que residem em memórias e residem em mim enquanto houver lembrança.

Cruel economia

Porquinho

É quase um mantra, algo que repetem como se fosse necessário crer: “A economia está melhorando, a economia está reagindo”. Deveríamos acreditar piamente que o pior já passou, que o Brasil vive novos tempos e que a pujança estará ao nosso alcance logo mais – especialmente se tais reformas forem aprovadas.

Mas há alguma coisa que parece errada. “A Selic nunca esteve tão baixa”, eles dizem. Fato, verdade! “A inflação está baixando”, concordo. Porém, o bolso segue meio vazio, e algumas sinapses cerebrais são feitas. Com certa dificuldade, ok, porque economia é algo assustadoramente complicado de se entender. Só que quando trocam-se números frios por dinheiro, a conta faz um pouco mais de sentido.

E o que não faz sentido são todos esses números, em tese, positivos. Eu tenho moto, por exemplo. Já faz 12 anos. Desde então, nunca tinha conseguido colocar R$ 40 para completar o tanque. Atualmente, “com a nova política de preços da Petrobras”, esse valor passa dos R$ 50. Já não lembro a última vez que disse “completa” num posto.

Gás de cozinha, eletricidade, plano de saúde… o reajuste mais leve apenas nesses três boletos que vencem todo mês foi de 27%. Muito maior que o índice usado para aumentar meu salário proletário, que por mais que mal sobre no fim do mês, ainda me coloca entre os 20% mais ricos da população. Aliás, receber mais que 80% da população brasileira e escrever um texto reclamando de economia é algo que me deixa chocado.

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Não bastasse esta crise (ou a saída dela) afetar o meu bolso, passou a mudar drasticamente o meu passado. E confesso ser essa uma das motivações para começar escrever isso tudo. Ao passar na frente de dois dos restaurantes do querido bairro Menino Deus, onde a vó morou por toda a minha infância – e até já depois dela.

Um deles, talvez o que mais fomos tanto em saudosos almoços festivos de família quanto em qualquer terça-feira sem comida em casa, está vazio e já bem empoeirado por dentro, sem móveis outrora tão utilizados. Uma história oca. O outro, esse mais de ocasiões especiais, ostenta em plena avenida as cores desbotadas de outros anos e uma grande placa “Aluga-se” na frente.

Diários Mexicanos: De otro tiempo

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Valladolid é uma microcidade da região central da península de Yucatán, a cerca de duas horas da badalada Cancún e tem um tempo diferente. Tal qual um sem-número de cidadecitas do interior hispânico. Seja do México, do Uruguai, da Argentina ou mesmo da Espanha. Enfim, aqui o tempo é outro.

Estamos em pleno século XXI, mas isto poderia não passar de especulação ao se observar atentamente os locais. Los mexicanos de Valladolid dão buenos días, buenas tardes y buenas noches a quaisquer desconhecidos que os encararem pouco mais de um segundo. E isso sem maior desconfiança – ao menos aparente.

Eles vendem jornais impressos – três (!) em uma microcidade – nas esquinas com calçadas apertadas para o pueblo passar no seu dia a dia. Aqui um breve parêntese: a aposta no noticiário policial e na chica desnuda parece sempre serem uma constante, onde quer que seja.

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A convicção de que estamos mesmo no século XXI pode diminuir um pouco mais se passarmos a reparar também na arquitetura desta pequena cidade, na qual a construção mais alta é uma igreja erguida em 1706. De resto, casinhas com dois, três pisos no máximo e quase todas coloridas. Um cenário muito mais para Zorro do que para Homem de Ferro.

O tempo retrocede ainda mais se se viajar cerca de 50 quilômetros para ir a Chinchén Itzá e deparar-se com a antiga cidade Maia, construída bem antes de qualquer espanhol pisar no solo hoje mexicano.

Mas talvez toda a culpa seja do Cenote Zací, um lugar incrível ali do ladinho do Centro. Diante de tanta beleza e com uma água sempre convidativa, o tempo quiçá se atrase querendo mais um mergulho neste local criado lentamente pela natureza milhares de anos atrás.

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Valladolid tem outro tempo. E nele ninguém se importa, afinal, se estamos mesmo no século XXI.

Jornalismo e a crise

Ontem foi dia do jornalista e talvez pela data esteja meio sentimental, especialmente nestes momentos turbulentos seja nas redações ou em salas de governo. Mas, com certo otimismo, ver este cartaz postado pelo Daniel Scola, da Rádio Gaúcha, me fez refletir superficialmente um pouco sobre a relação jornalismo x crise:

Chamou minha atenção a expressão “jornalismo eletrônico”. E isso falado lá por meados da década de 70, quando a televisão, dizia-se, estava em vias de acabar com o rádio, meio então mais consagrado por informar a população.

Não acabou, como todos sabemos. O rádio, desde essa época, adaptou-se. E segue uma nova era agora, com muitas emissoras AM levando seu conteúdo para a FM, onde a música já não é necessariamente o principal conteúdo oferecido. Com a profusão da internet, que não matou a TV, vivemos uma época que temos muitos acordes ao nosso alcance, afinal.

alina

A redação | Foto: Alina Souza/Correio do Povo

Pra quem não conhece, o Atualidade é um programa onde jornalistas de diferentes veículos e meios da RBS participam. Não deixa de ser uma atração de mídia convergente, tema da minha monografia de graduação em jornalismo em 2008. Tratei o assunto como uma grande novidade, pegando o caso de uma cobertura multimídia na web.

Porém, como bem se vê, já existia o “jornalismo eletrônico” havia décadas. Em quatro anos de faculdade ainda vi outras tantas expressões: “fotojornalismo”, “jornalismo cidadão”, “telejornalismo”, “jornalismo gonzo”, “jornalismo digital”, “jornalismo literário”, “jornalismo de dados” etc.

Há uma constante, nota-se. E mesmo com redações mais esvaziadas e a digitalização de processos, o jornalismo continuou – e continua. Menos gente pode significar mais trabalho, mas também mais responsabilidade àqueles dispostos a fazer um bom jornalismo (algo que nem todos os profissionais estão dispostos e, sim, dá trabalho!). Esses, tenho certeza, seguirão existindo independente da tecnologia que vier.

Muitos jornalistas têm medo que uma tecnologia arrasadora faça voar forte o passaralho. Mas o jornalismo vive nesta crise. Há décadas ele segue aí. E seguirá.