Rápidas cariocas, parte 4

Jardim Botânico
Talvez o lugar mais legal que eu tenha conhecido no Rio desta vez. Hoje patrimônio histórico e artístico nacional, o Jardim Botânico foi fundado em 1808 pelo então príncipe regente de Portugal, D. João. Abriga algumas das mais belas paisagens cariocas.

A dica que eu dou é começar o passeio indo até o chafariz das musas, ao lado do espaço Tom Jobim, na área central. No entanto, a bem da verdade, inicie sua caminhada por qualquer outro lugar. É igualmente bonito.

A entrada custa R$ 6 e o tempo necessário para dar um bom passeio pelos 55 hectares abertos ao público lá (outros 82 são fechados), acredito, que seja uma tarde inteira – o horário que o jardim fica aberto é entre 8h e 17h. No verão, o expediente se estende até as 18h.

Toca do Vinicius
Quem gosta de bossa nova não pode deixar de reservar outra tarde para conhecer a Toca do Vinicius, que fica na rua Vinicius de Moraes, perto da Nascimento Silva (sugestivo, não?). Lá vendem-se discos, livros, cds, dvds e outras coisinhas relacionadas principalmente à boa música criada naquelas bandas há pouco mais de 50 anos.

Mas se é só uma loja temática, para que reservar uma tarde? Para ficar um tempo conversando com o dono, ué. Simpático como poucos – e militante da causa – Seu Carlos é dono de um conhecimento vasto sobre bossa nova. Mesmo sendo Toca do Vinicius, o objetivo é outro: “O importante é que a bossa nova não fique centrada só em um nome. O movimento foi muito maior”, prega ele.

Além do conhecimento, ele é portador de umas raridades também. A ideia é criar um museu com suas relíquias. O espaço, segundo o dono, vai ser ambientado nos anos 50, porém ainda não existe uma previsão de inauguração. “Eu só posso arrumá-lo quando tenho tempo. E quando tenho tempo? Não sei”, explicou-me.

Escadaria Selarón


Para quem também é fã de arte – ou nem isso, mas que goste de ver belos lugares – vale uma volta na colorida Escadaria Seláron, entre a Lapa e Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro. São 215 degraus e mais alguns vários metros quadrados de parede decoradas com milhares de azulejos coloridos, colocados ali pelo chileno Jorge Selarón.

A ideia, conforme o artista, é fazer da escadaria uma obra de arte mutante, já que ele, de tempos em tempos, substitui uns azulejos por outros. Personalidades e história carioca estão presentes nos degraus, assim como o elemento presente dele: uma mulher grávida. Clica na foto e confere a história, escrita no início da escadaria. Nos azulejos, é claro.

Rápidas cariocas, parte 3

O Rio além da praia

Centro antigo do Rio

Centro antigo do Rio

Que tomar um banho em Ipanema ou Copacabana, dar uma caminhada na orla de Botafogo e no Aterro do Flamengo é bom ninguém questiona. Mas, por favor, não vamos resumir o Rio apenas à praia, Corcovado e Pão de Açúcar. O Rio é mais que verão e samba, bem mais.

Uma vez já falamos aqui que a troca da capital do país do Rio a Brasília prejudicou – e muito – os cariocas. Enquanto no Planalto Central as coisas são rotineiras e prevísiveis, o Rio tem cultura. Cultura que tem todas as outras capitais nacionais que conheço. Como por exemplo…

Entrada da Biblioteca Nacional

Biblioteca Nacional
Um prédio pomposo, de uns quatro espaçosos andares. Com ares europeus. Além da consulta de livros – feita por computadores lá instalados – há a possibilidade de realizar visitas guiadas. Porém, é bom agendar com antecedência de uma semana pelo menos. É bem concorridoo.

Theatro Municipal
Nas proximidades da biblioteca, na Cinelândia, fica o Theatro Municipal. Outro prédio com uma pompa incrível. outro lugar em que dá para fazer uma visita guiada, aonde chegando uma hora antes do horário pré-programado, fica tranquilo.

Centro histórico/Cinelândia
Se tu gostas de história, saia do Theatro e siga caminhando pela Cinelândia e Centro antigo, tudo pertinho dali. Por ali há utros tantos teatros, igrejas e museus. E aí, como eu, comprove que há bem mais que praia e samba nesta cidade.

Academia Brasileira de Letras

Machado de Assis, em frente à ABL

Machado de Assis, em frente à ABL

Também naquela volta, fica a sede da Academia Brasileira de Letras. Queria descrevê-la por dentro, mas não pude entrar, pois vestia roupas impróprias: bermuda e camiseta sem mangas. Então capriche no vestuário quando quiser conhecer a ABL – e não apenas tirar uma foto com a estátua do Machado de Assis.

Palácio do Catete
Um pouco mais distante – mas não muito – da Cinelândia fica o Museu da República, antigo Palácio do Catete, sede do governo brasileiro antes de Brasília. Lá, em 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas saiu da vida e entrou na história. O local é bem conservado e ainda há um belo de um jardim atrás do prédio. Vale o passeio.

Rápidas cariocas, parte 2

Vamos brincar de retomar nossa seriezinha de turismo? Dessa vez o destino foi o Rio de Janeiro, onde estive ao longo de cinco dias deste 2012 que começou há pouco. Seguem aí algumas considerações, continuando o post, inaugurado em novembro de 2009 – que, diga-se de passagem – permanece atual.

Rio$ de dinheiro$
Que a cidade é maravilhosa e cheia de encantos mil é redundante (além de, cá entre nós, clichê) escrever. No entanto, o Rio, ao menos em janeiro, tem algo de não maravilhoso e tão pouco encantador: a conta. Assim, imagine qualquer produto. Agora o inflacione algumas dezenas de pontos percentuais. Pois é, via de regra, os preços são assim em solo carioca.

Metrô Rio
Funciona – e bem – além de ser bem útil especialmente para quem se dirige à Zona Sul. Da estação Cinelândia, a mais próxima do Aeroporto Santos Dummont, até a Ipanema, são cerca de 15 minutos – provavelmente bem menos do que se leva de carro em quase todos os horários do dia. O serviço custa R$ 3,10 e há a possibilidade de comprar um cartão pré-pago, que, inclusive, dá descontos em alguns eventos, mas não na passagem.

Pra quem gosta de estar informado, também é uma boa oportunidade. Só eu peguei o trem com três jornais gratuitos: Metro, Destak e RJ Sports (antigo Jornal dos Sports).

Bike Rio
Além do metrô, uma alternativa ecologicamente correta, saudável e barata é alugar uma bicicleta. Peguei uma na Lagoa Rodrigo de Freitas. Teoricamente seria R$ 10 por uma hora. Mas o carioca responsável revelou, com seu sotaque chiado, que sempre deixa o cliente ficar um pouco mais. Ao cabo que só consegui devolver a bike na terceira tentativa, quando o relógio já marcava cerca de 1h30 de passeio.

Lagoa Rodrigo de Freitas

Outra alternativa DO CARALHO (desculpa, caro(a) leitor, mas merecia um palavrão) é a promovida pelo Banco Itaú. Hoje, do Aterro do Flamengo até a ponta do Leblon, pessoal pode pegar bicicletas ao preço de R$ 10 mensais ou R$ 5 diários. Tem que fazer um cadastro e se libera via celular. É um baita incentivo para quem quer andar. E deveria ser copiado em outras cidades.

Rio também a pé, oras
Caminhando, se percebe mais detalhes da cidadeTá, esquece o metrô, esquece a bike e vai a pé. Perigoso? Talvez, se tu inventares de ser um turista ratão e/ou andar dando sopa em lugares não muito próprios. Caminhei – e muito – pelo Rio. A bem da verdade, a maioria pela Zona Sul, que parece outra cidade. Mas muito pela região central também, em diversos horários. O Rio me pareceu um tanto tranquilo, bem diferente daquele que eu via na TV tempos atrás, que mais parecia um velho oeste à beira-mar.

O que me chamou atenção, também, foi a notável presença de policiais, até mesmo na praia, onde – de sunga e camiseta – fazem a operação “Choque de Ordem”. De forma meio leiga, diria que está dando certo. Ainda que assassinatos seguem sendo registrados diariamente sob os olhos do Cristo Redentor.

Corneta gratuita (ou cuspe no prato que se come)
Rua Nascimento Silva, 107Cá entre nós, quem elegeu a Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre, como a mais bonita do mundo nunca esteve em Ipanema. Nem a da capital gaúcha e muito menos a da fluminense. O trânsito pode ser até melhor, porém a beleza não supera. A rua em que o Tom Jobim morou – citada em “Carta ao Tom” – é um exemplo.

Não é tão difícil assim

Muçulmanas com seus corpos devidamente escondidos cruzam com morenas atléticas suadas e seminuas; Negros correm ao lado de brancos em meio a conversas sobre como foi a virada de ano no calenário gregoriano; Héteros e homossexuais chamam a atenção da mesma criança que anda com sua bicicleta, acompanhada pelos pais.

Vips, pseudovips e o cordão dos puxa-sacos olham a paisagem de dentro de carros importados e menos abastados contam as moedas para o ônibus atrasado no congestionamento de verão – isso enquanto hippies, a pé, passam ao lado. Ciclistas mais apressados forçam a pedalada em busca da saúde ou da não-poluição.

Argentinos vindos de Buenos Aires “sacam” fotos da paisagem, enquanto uruguaios de Montevidéu se esforçam para entender o português acelerado falado na Ilha de Santa Catarina. Europeus sisudos descobrem que o Brasil vai um pouco além do Nordeste e do Rio de Janeiro.

Carros com placas estrangeiras lotam Ao mesmo tempo, o pescador vai ao mar querendo em voltar com algumas dezenas de peixes. Como faz diariamente. Há anos.

Todos mais ou menos no mesmo lugar. Isso tudo sem discriminação, tudo isso sem preconceito. A vida bem que poderia se resumir a um passeio na orla de Florianópolis às vezes.

Acabem com dezembro. Ou resmungos de um capricorniano de dezembro

Esta sociedade hipermoderna-acelerada me espanta cada vez mais. Hoje se aceleram tanto as coisas que o ano está prestes a ter 11 meses. Sim, transformaram o mês de dezembro em uma burocrata contagem regressiva para o ano-novo – até o especial do Roberto Carlos foi reapresentação!

Ok, talvez tenha exagerado. Dezembro também se resume à última rodada do Brasileirão e à troca de presentes no Natal. Natal, que antes era em 25 de dezembro, tem começado mais cedo (ainda). Lá por fins de outubro, um que outro Papai Noel já dá as caras pelas ruas ou shoppings, iniciando aquela aflição de comprar todos os presentes para todos os parentes.

E entre uma vitrina de loja e outra, dezembro inexiste. Mal que mal começa e surgem os mesmos suspiros de “nossa, o ano passou voando”. Entra-se na internet e as notícias rareiam-se, sendo substituídas por incansáveis retrospectivas. Tudo isso ao som de Simone – que nos lembra que esquecemos de comprar o presente do amigo secreto aquele.

A pressa e o anseio da chegada do novo ano é tanta, que tenho a leve desconfiança que ainda vão acabar com o mês de dezembro. Trarão o Natal para uma semana depois da última rodada do Brasileirão e, em seguida, vão entrar em recesso os que têm essa sorte e iniciar a contagem regressiva para o réveillon. Para depois, claro, contar os dias que faltam para o carnaval. E assim a vida seguirá. Em ritmo de futuro atrasado.

Causos de bastidor

Na tarde que começara chuvosa, mas que já havia se ensolarado no Centro de Porto Alegre, jornalistas de variados veículos e meios de comunicação aglomeravam-se próximo a uma grade, montada de forma um tanto quanto improvisada, no cais do porto – um dos lugares mais bonitos e escondidos da capital gaúcha. Em forma de U, repórteres ignoravam o calor que já se fazia presente na esperança de ficar próximo ao púlpito transparente, onde a excelentíssima senhora presidente da República poderia falar logo a seguir.

Com o atraso na agenda presidencial, justo naquela tarde em que os graus Celsius iniciavam uma escalada rumo aos 30, talvez um ou outro integrante da imprensa já tivesse começado a esboçar alguma irrelevante impaciência no local – que de nada adiantaria, afinal, o xingamento estouraria em quem? Na presidente quase aniversariante é que não seria.

Entre um e outro pedido de repórter televisivo preocupado com a posição de seus microfones no púlpito, surgiu Seu Medeiros. Acatando ordens de alguma superiora, ele e seus cabelos grisalhos mais para brancos lá iam ajeitar o tal do púlpito. Mais para trás, mais para o lado. “Não posso perder esse emprego”, justificou ele, com um irônico sorriso gentil e um sotaque de algum lugar distante do Sul do Brasil.

Acostumado a atrasos no Executivo, aos poucos, Seu Medeiros foi alertando um que outro jornalista – alguns certamente com nem metade da sua idade: “Não quer que eu desligue a bateria, pra ligar quando ela chegar?”. Enquanto isso, algum colega seu na assessoria de imprensa do Planalto reiterava a cada dez minutos: “Pessoal, não garantimos que ela vá falar, hein. Talvez ela passe reto, depois não nos cobrem”. “Que nada. Montei tudo, ela vai falar”, respondia Seu Medeiros, baixinho.

Como passatempo, ele, aos poucos foi revelando sua vida. Apesar de temer “perder o emprego”, contou que sua carteira de trabalho foi assinada em Brasília há nada menos que 26 anos. Nesta linha do tempo, viu Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e, agora, convive com Dilma.

Histórias brotaram logo a seguir: “O Lula gostava de falar”, comentou – como se alguém ali não soubesse. O ex-presidente, aliás, foi responsável pelo maior dia da sua existência: “Teve uma vez que uma das pernas do púlpito quebrou, e tava cheio de microfones. Aí eu lá fui segurar. Rapaz, foram os 12 minutos mais longos da minha vida”.

Acostumado a coletivas, deu a dica para os repórteres presentes: “Não pode começar com uma pergunta dura. Uma vez lá na Paraíba, o Lula se aproximava para a coletiva e um repórter já largou: ‘E o deputado acusado de oposição, você vai puni-lo?’. O Lula deu meia volta e saiu sem falar com ninguém. Depois o repórter teve que se acertar com seus colegas”, recordou. “Então, começa com uma pergunta fácil.”

Em meio a conversa, a comitiva republicana chegou ao cais. Cliques de máquinas fotográficas se dispararam aos montes. Dilma faz que confere retroescavadeiras ao lado de aliados gaúchos. Dirigindo-se ao armazém, onde centenas de outros engravatados a esperavam, ela olhou para os jornalistas e disse: “Gente, eu falo cinco minutinhos com vocês, mas depois, tá?”. Frustração.

Em meio ao desânimo geral à sua frente, Seu Medeiros apenas respirou fundo, sem desfazer o sorriso, e passou a devolver microfones a repórteres apressados que correriam sem se despedir até o evento ao lado. Não era a primeira vez que aquilo acontecia. E nem a última.

Zen dinheiro não tem budismo

   Dia desses caminhava distraidamente na Praça da Alfândega. Um dos hippies que sempre estão por lá me abordou. Com um portuñol bem mais ou menos explicou suas roupas (um pouco mais) exóticas que o normal: Budista. E estava em missão para difundir sua religião.
   Dei trela.
   Português vai, espanhol vem, e aí ele me revela que poderia adquirir muito conhecimento e evoluir – espiritualmente falando – lendo alguns dos livros que ele carregava. Ao ouvir o primeiro “não tenho dinheiro”, não se abalou. “Mas é poquito, dá-me uma contribuicíon apenas.” Ok, venceu. Sinceramente simpatizo com budistas.
   Porém, na carteira, não havia nada além de cartões. Fui para a segunda opção. Ao que me surge no bolso uma única e solitária moeda de R$ 1. “É o que tenho”, resignei-me. Os segundos seguintes, imagino eu, foram de um constrangimento para o riponga budista. Ele havia me passado um resumo da cultura anti-materialista por alguns minutos. E agora teria de negar essa transmissão de conhecimento, pois 100 centavos era pouco.
   Antes da angústia para ele inventar uma maneira de me negar, eu mesmo disse que era melhor não comprar. Assim ele fazia um negócio melhor dali a pouco. Sugestão aceita na hora. Dei dois tapinhas no braço, virei as costas e me fui Andradas afora.
   Num mundo capitalista, o altruísmo, ainda que bem intencionado, precisou ficar para depois.

*Ó, que fique bem claro que esse episódio aconteceu com budistas. Mas ocorre aos montes com outros pregadores também. Nada contra os seguidores de Buda, ok?

Não tá fácil pra ninguém

Quem planta colhe (e vende depois)

   Em tempos de crise, capitalisas norte-americanos apelam a (ex-)comunistas chineses para que mantenham seus investimentos multi-nacionais em países da Europa. A medida tem como objetivo salvar os lucros de engravatados e empregos de pé-rapados, mantendo sã a economia global.
   Já os cubanos, que sabem como ninguém como vender um charutinho no mercado negro em plena luz do dia, agora vão afrouxar um pouco as rédeas da tão exaltada Revolução. Sonham – se a crise de além mar permitir – com algumas moedinhas a mais no fim de cada mês.
   Por sua vez, os novos-ricos governantes brasileiros – espertos como são – já pensam em aumentar o preço da gasolina, pra garantir. Mal sabem eles que os compatriotas que acordam cedo para trabalhar, os mais preocupados com o resultado do futebol do que essa tal de crise, arranajaram outra solução: plantar dólar. Nunca esteve fácil para ninguém, afinal. Especialmente para eles

Para encher os olhos além do tango

   Não sei se eles já faziam um cinema assim faz tempo. Mas, atrasado ou não, descobri só no ano passado. E tal como a literatura, o cinema produzido na Argentina vale minutos, horas e posts de atenção.
Em matéria de cinema, considero-me leigo. Apesar de frequentar até que bastante, fico perfeitamente feliz se saio satisfeito da sala onde entrei, sem ter os vícios que conhecedores mais atentos podem ter em suas análises.
   Em 2010, reparei em “O Segredo de seus olhos” graças à vitória na disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro. Aproveitando seus quase seis meses em cartaz de Porto Alegre, fui ver. Assisti a um espetáculo, com diálogos marcantes e cenas fantásticas, como um plano sequência em meio a um jogo de futebol.

   Depois desse longa, que já nasceu clássico, perdi tempo e não vi “Abutres”, com o mesmo ator Ricardo Darín, mas me programei e conferi “Um conto chinês”, deste ano.
   Antes de mais nada, é bom só lembrar que a expressão “conto chinês”, nas bandas do Prata, significa uma história absurda, sem pé, nem cabeça. Expressão que faz jus à narrativa do filme, em que um chinês desamparado em Buenos Aires é hospedado, meio que forçadamente, por um argentino um tanto quanto avesso a relações sociais.
   Se não tem cenas tão espetaculares quanto o vencedor do Oscar, “Um conto chinês” não deixa por menos nos diálogos, além de outra atuação de luxo de Ricardo Darín.

   Menos famoso, “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital” entrou em cartaz no segundo semestre deste ano. A história de dois jovens solitários em uma grande cidade – que poderia ser a capital argentina ou outra metrópole qualquer – retrata muito bem o comportamento de milhões de contemporâneos hoje em dia.
   Para um olhar pouco atento, os dramas de Martín e Mariana não renderiam uma boa história, mas o diretor Gustavo Taretto conseguiu entrelaçar a trama fazendo um filme não no padrão dos outros dois, mas com uma qualidade inegável, aos moldes de um mudo geração Y.

Blog velho, modelo novo

   Não que o blog tinha oficialmente parado. Nunca houve decreto dizendo isso. Mas com a periodicidade mais baixa que a temperatura de cerveja de fim de semana, decidi que era hora de recomeçar.
   Recomeço, então, a postar no blog – que, repito, na verdade não estava parado, no máximo meio distraído com histórias mundanas. De quebra, aproveito para reciclar a já velha Telha do Tiago, coincidentemente no mês do seu aniversário de quatro anos.
   Como blogueiro pseudoexperiente, não prometo mantê-lo atualizado (discurso clássico de quem desiste), mas garanto que vontade (ao contrário de tempo) não irá faltar.