Pra que voltar, infeliz? Já não basta todo o atraso – e o estrago – que causaste a mim na estação passada? Agora vens, outra vez simpática, conferir se ainda não lhe esqueci? Só podes estar brincando.
E pra que surgir tão linda assim? Vieste com cabelo renovado, com o papo em dia e o sorriso ainda mais branco apenas para provar que pode ser mais que a atual. Jogas baixo, minha cara.
Mas, sinto muito, não vai dar certo. De novo. Tanto eu sei que vais fugir novamente já no próximo minuto, como tu percebes que vou te abandonar mais uma vez logo que notar a indiferença no ar.
No fim de tudo, amor, não passamos de reféns de nós mesmos. Da nossa indecisão, do nosso medo. E só assim – afastados – é que estaremos de verdade juntos. Um morando no pensamento do outro.
A crônica daqueles que não deram certo
21/11/2009 por Tiago MedinaQuando as máquintas têm que parar
12/11/2009 por Tiago Medina “Caralho!!! São Paulo está TODA sem luz. Derruba a capa agora e vê o que aconteceu, por que tá assim? O Rio também tá?! Puta que pariu, arranja foto de uma vez! O ministro vai falar na TV daqui a cinco minutos, atenção. Itaipu tá funcionando? E furnas? Olha ali, tem um cara de uma tal de ONS falando – que porra é essa??? Presta atenção, presta atenção. E começa a escrever de uma vez que já é quase 11 da noite!
Parem as máquinas!!!”
E mais ou menos nesse clima que foi meu final de expediente de terça-feira, 10 de novembro, o dia do apagão no Brasil. Pra quem não sabe, “Parem as máquinas”, é um famoso jargão jornalístico. Uma cena na qual todos, ou quase todos, os jornalistas gostariam de presenciar.
Explico para o leitor leigo. Imagine mais ou menos assim: jornal já rodando, imprimindo milhares de exemplares por segundo, mas daí chega uma notícia bombástica de última hora. O editor/repórter desce até a impressão e grita o tal famoso jargão. Para tudo em nome da notícia. Em nome da informação.
É claro! Isso não acontece todo dia – nem todo mês e às vezes nem todo ano. Quase nunca. Fez parte de uma era romântica da profissão, lá por meados do século passado. Quando as notícias eram redigidas no cleck-cleck da máquina de escrever e internet como é hoje não tinha nem nas naves intergalácticas dos seriados americanos da época.
O episódio do blecaute foi o primeiro grande evento desses na minha ainda curta carreira. Quando a notícia que a luz se apagou nas dusa maiores cidades do Brasil chegou à redação do Correio do Povo, onde trabalho, o jornal impresso do dia seguinte já estava pronto e, provavelmente, alguns já sendo impressos.
Na minha área, a internet, era apenas mais uma noite tranquila. Era! A velocidade do meio transformou a calmaria em furacão em questão de minutos. Com a sombra da concorrência, cada instante tornou-se importante. Até nós – e boa parte dos colegas – entender o que houve, já havia se passado quase uma hora.
Nesse tempo, muitas matérias foram publicadas e ligações, feitas. Atingiu o Rio Grande do Sul? Aonde? E o aeroporto, teve voo atrasado? Foram cinco, sete, nove ou dez estados atingidos, afinal? Mesmo com o intensificar da cobertura, surgiam – e até agora ainda surgem – mais perguntas do que respostas.
Os conhecimentos de quatro anos em que estudei para ter o meu diploma (que hoje dizem que não vale nada) foram basicamente todos resumidos em poucas horas. Não fosse por eles certamente o trabalho ficaria comprometido. Ainda que tenha sido uma verdadeira aula de jornalismo, requereu bastante embasamento.
No fim das contas, acho que conseguimos fazer uma boa cobertura – que se estendeu por mais horas após o fim do expediente daquela noite. Fiquem à vontade pra conferir, clicando aqui.
Contando os dias. Ou momento confessional nº 6
09/11/2009 por Tiago Medina Ei, daqui a uma semana – mais precisamente no fim desta – estarei conhecendo o Rio de Janeiro. Será uma passagem breve, brevíssima, até, que não chegará a 72 horas. Por isso, caro(a) leitor, peço que me sugiras alguns lugares obrigatórios para se conhecer. Até agora, a programação de sábado consta “apenas” mergulho em Ipanema, beber em algum bar de lá – numa singela e sincera homenagem a Vinicius & Tom.
À noite, dica é o Rio Scenarium. O domingo, por enquanto, ainda está vago. Se não houver sol, 40°C, essas coisas, obrigar-me-ei a ir ao Maracanã fazer aquilo que faço durante todas as semanas: ver futebol. Ou seja, mesmo sendo o maior do mundo, está em segundo plano.
Ainda há muitas horas vagas e ainda mais lugares a se conhecer, por isso, como disse, aceito sugestões tuas caro(a) leitor especialmente carioca e/ou frequentador da cidade maravilhosa.
Aguardo!
Sobre a dúvida
22/10/2009 por Tiago Medina Tinha uma dúvida. Analisando bem cada cena, se deu conta que poderia estar confundindo todos os olhares involuntários com outra coisa. E aqueles sorrisos? Era só porque ela era uma guria bacana mesmo? Será? Diante das repetidas situações, até poderia estar começando algo entre os dois. Ou simplesmente não. Havia uma interrogação na sua cabeça.
Era novo na aula. Para completar sua timidez, ainda entrou na turma cerca de dez dias depois do início do semestre. Cidade nova, faculdade também, amizades, idem. Tanta novidade realmente o deixava confuso.
Ela foi uma das primeiras a conversar com ele. Em seguida, até acabou um tanto ofuscada pelo turbilhão de novas coisas e pessoas. Mas não esquecida. Longe disso.
A moça não era o que se podia considerar de sexy simbol. Bonitinha, com suas qualidades reconhecidas, porém sem unanimidade entre a parte masculina. Encantava mais até pela simpatia, brilho nos olhos e, claro, as covinhas nas bochechas. Confundia-o mais por isso.
Certa feita, então, cruzaram-se no corredor. Mesmo cansado, quis ser legal e reclamou – inocentemente – que ainda não ganhara o seu beijo naquele dia. Ousada, ela sorriu e espiou os lados. Chegou perto, mais perto, e deu-lhe um selinho. Apenas um. Virou as costas e seguiu seu caminho, balançando o rabo de cavalo.
Não teve como não admitir. Apesar de toda a sua experiência – ou “currículo”, como gostava de falar – fora pego de surpresa. Quase de maneira infantil. E, quando desceu das nuvens, aquilo que era dúvida virou uma certeza. Poderia não ser absolutamente nada entre os dois. Mas era.
Telha do Tiago, 2 anos…
15/10/2009 por Tiago Medina
… de wordpress!
Neste 15 de outubro (dia do professor, aliás, parabéns, mãe!), o blog completa dois anos aqui no wordpress – se contar o endereço anterior, já são mais de três anos nessa brincadeira de escrever na internet. Confesso que, quando comecei, não estipulei prazo de validade ou algo assim. E nem tenho, escrevo porque gosto. Mas, hoje, olhando pra trás, tenho uma certeza do porquê de continuar, por tua causa, caro(a) leitor. Meus sinceros agradecimentos por cada visita que me fazes.
=)
Hora do conto 2 – Canalha!
05/10/2009 por Tiago Medina
Ok, ok, tu, caro(a) leitor, não precisa nem passar os olhos no texto abaixo para se convencer de que deve ler “Canalha!”, do Fabrício Carpinejar. Acredito que já tenhas ouvido falar um pouco desse cara e, além disso, o livro acabou de ganhar o prêmio jabuti. Mas vamos lá, caso ainda estejas em dúvida, espero convencê-lo.
O mês era julho e eu estava a fim de comprar um livro. Mas qual? Tragos a mais em uma noite numa famosa casa noturna porto-alegrense e um sonoro “canalha” seguido de beijo fizeram-me decidir. Coincidentemente, ainda comprei-o no dia do orgasmo. Sim, a história começou bem.
Talvez como tu, já tinha ouvido falar bastante em Carpinejar, porém ainda não tinha lido nada dele. Na época, sequer havia conhecido seu blog e nem imaginava que poderia segui-lo no Twitter. Ele é um autor moderno. Multimídia, sem a menor dúvida.
Estava curioso. “Será que esse cara é realmente bom?”, questionava-me. Pois mal abri o livro – antes mesmo das crônicas – e tive a resposta: sim, ele é ótimo. Ao invés de prefácio, “Canalha!” tem dois diálogos que preparam o leitor para o que vem a seguir. O primeiro – e melhor, na minha opinião – é assim:
“– Desejo passar o resto da minha vida com você.
– Não, uma vida com você nunca será resto.”
Pronto! Já nessa primeira página, o autor já arranca um sorriso e prova que, além de ser ótimo cronista e poeta, é também grande frasista (confere no Twitter). Mas não só frases soltas, frases encaixadas dentro dos textos – o que é raro. “Canalha!”, com isso, credencia-se para ser passatempo de uma tarde só, de tão delicioso e rápido que é.
Entretanto, no decorrer das páginas, Fabrício Carpinejar mostra-se menos canalha do que como a mídia normalmente o apresenta. Quem aguarda um José Mayer faminto encontra um Richard Gere com rosa na mão. No fundo, ele é romântico – ou um canalha arrependido, como numa das (melhores) crônicas.
Ao longo dos 127 textos, encontramo-nos em várias situações. Não raro levamos a mão à testa imaginando que aquela nossa história escondida num passado poderia ser diferente se o livro fosse publicado antes. Ou que agimos de outra maneira e foi melhor. Ou bem pior. E, assim, a obra interage.
“Canalha!” explora o íntimo, conta a conversa a qual tivemos apenas com nosso melhor amigo. Para escrever, Carpinejar transformou-nos em cases. Descobriu nossos segredos e os publicou em livro vencedor de prêmio nacional. Tudo isso com várias sacadas geniais. Não se trata de auto-ajuda, mas tem a solução para muitos dos problemas que enfrentamos a dois.
Canalha!
Autor: CARPINEJAR, FABRICIO
Editora: BERTRAND BRASIL
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA – CONTOS E CRÔNICAS
fonte: Livraria Cultura




