O Palhaço

palhaço transito

Fato 1: a nota de vinte reais é amarela e com um macaco no verso. Está do centro para cima na hierarquia do bilheteiro brasileiro, mais valiosa que as de dois, cinco e dez reais e inferior às de cinquenta e cem. E como quase todas as notas de real, pouco é vista na minha carteira. Tal como alguém entre a geração Y e Z, adaptei-me sem maiores dificuldade ao conceito abstrato de dinheiro, no qual ele é não mais que um número que diminui toda vez que uso um cartão de plástico com chip e sem bicho algum desenhado.

Cena 1: trabalho no centro de Porto Alegre. E praticamente todo o dia, em um determinado cruzamento, a mesma pessoa está lá, jogando seus malabares para cima na esperança de arrecadar, de moeda em moeda, sua sobrevivência em uma capital onde a renda per capita é de R$ 1.877 – terceira mais alto do país, segundo o IBGE. Na luta pelo ganha-pão, ele ressalta um diferencial: veste-se (vestia-se, a bem da verdade) de palhaço e sempre começa suas apresentações com gritos de “alegria, alegria” seguidos de alguma piadinha em algum motorista que demonstre atenção. A aposta, além do malabares, é na simpatia para angariar fundos no escasso tempo de uns 25 segundos que a sinaleira permite.

O Palhaço é daqueles anônimos que se vê todos os dias em meio à rotina. Para mim, ele é integrante do cotidiano naquela fração de tempo e hora. Da mesma forma que uma senhora que vendia doces em outra esquina – que ela nunca soube, mas sempre me passava algo de bom em seu olhar. Ou como antigamente era outro senhor que vendia churros na hora saída do colégio em que eu estudava. Enfim. São pessoas, cada uma com suas vidas, mas que, para nós, enquadram-se num determinado momento. Sabemos e saudamos suas existências, porém não mais que superficialmente.

A esquina onde o Palhaço trabalha é minha rota em seis dos sete dias da semana há cerca de três anos – ainda que ele trabalhasse numa transversal antes, que anteriormente era meu caminho. Ou seja, ele existe para mim há quase meia década.

Sempre nos cruzamos pelo fim da tarde. Não é constante, porém. Tem dias em que pego a sinaleira aberta e passo a 40 km/h ali. Tem outros que acabo parando num canto e não sou notado. Em outros eu lembro de alguma moeda no meu bolso ou alguma roupa para doar e o chamo, rápido. E sigo. E vou. Ele fica. Cada um com sua labuta. Cada um com sua vida.

Mas aconteceu no inverno passado algo cotidiano, mas fora da rotina. O encontro do fato 1 com a cena 1. Seria corriqueiro se fosse fim da tarde, só que o relógio marcava depois da meia-noite. Quase não tinha mais carros ali. Todavia ainda havia o Palhaço e seus três malabares verdes. Gritando um insistente “alegria” a esmo, ao vazio. O eco do seu grito escancarava a dificuldade que deve ter sido aquele dia, certamente de féria escassa.

Parei e troquei umas palavras de consolo. Cheguei a seguir, entretanto parei metros adiante ao lembrar daquele artigo raro para a minha carteira. Dei meia volta e retornei àquela esquina. Foi a primeira vez, então, que conversamos além do tempo da sinaleira. Despiu-se o Palhaço e surgiu o homem, cansado e doente – alguma coisa em seu olho que o fez até errar o malabarismo antes. Em seguida, entreguei os vinte reais para ele, que expressou um sentimento entre o alívio e a felicidade. Pelo jeito, a grana para pagar a diária do hotel em que ele contou viver, finalmente estava garantida.

Meses se passaram. Por um tempo esteve ausente e cheguei até a me preocupar, porém ele voltou faz alguns dias. Desde então, a gente segue se cruzando quase que diariamente. Hoje, no entanto, sou reconhecido. Ele aponta para mim, como se me apresentando aos outros motoristas e diz algo como “meu amigo”, “meu parceiro” e me cumprimenta na sequência, aí respeitoso.

O irônico é que ele é uma das figuras prediletas do meu cotidiano, mas nem sei seu nome – e tampouco ele sabe o meu. Pouco importa. Ele é meu amigo também. E me deixa feliz com a sinceridade usada ao falar “satisfação” ao me ver e “fica com Deus” quando arranco e me vou.

Num mundo de tanta rede social, tanta correria e desinformação, às vezes faz bem conhecer melhor o cotidiano da nossa rotina.

 

ps: na foto que ilustra este texto, ele veste uma camiseta que doei para ele no fim do ano. “Reconheceu?”, ele me perguntou dias depois. “Serviram todas muito bem”, me contou, já informando o sucesso sobre as outras duas peças que havia lhe entregado.

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Buenos Aires

Buenos Aires

Se formos parar para reparar, esquecemos a maioria absoluta dos momentos da nossa vida. A gente não guarda a informação sobre com qual mão nos servimos o café de manhã, assim como trivialidades como onde encontramos todas as pessoas pelas quais cruzamos ao longo do dia. Essas entre tantas outras situações.

Logo, tudo o que temos na memória são um punhado de flashbacks e lembranças que por alguma razão são úteis ou especiais. Uma dessas me veio à mente por esses dias. Remeteu a dezembro de 2008, quando um então jovem jornalista descia a pé a rua Humberto Primo, em San Telmo, Buenos Aires. Foi quando ocorreu um pensamento espontâneo que o surpreendeu: “Eu moraria nesta cidade”.

O motivo da surpresa foi porque eu havia conhecido a capital argentina havia apenas poucas horas. E desde já tão cedo me senti em casa. Por certo esse pensamento teria sido logo taxado de entusiasmo juvenil e esquecido se ele não tivesse tomado o rumo inverno e se solidificado nos dias seguintes e nas outras três vezes em que cá estive.

Há e sempre houve uma relação especial com Buenos Aires. É uma cidade que manteve seu encanto por mais que seja impossível esconder totalmente seus problemas – sociais e econômicos. Alguns desses tão comuns ou até mais graves do que os da realidade que estou acostumado a acompanhar.

Refletia sobre essa relação, introvertido, caminhando a passado lento em uma fria noite de agosto. Vagava imerso em mim em meio àquele brilho exagerado dos painéis da 9 de Julio, reparando o clima antique da arquitetura de muitos daqueles prédios. Ali estava distante com meus pensamentos, recorriendo la ciudad.

— Com licença, señor. Eu me chamo Fábio, soy brasileño y estoy há uns meses em Buenos Aires. Poderia me ajudar com algumas monedas? – interrompe-me um desconhecido na calçada, em um legítimo portuñol.

Ao voltar bruscamente à realidade, franzo a testa e logo a resposta saiu automaticamente no idioma local: “No tengo nada. Lo siento”. E então cada um segue seu caminho.

¡En facto, es muy natural yo estar en Buenos Aires!

Rápidas argentinas, parte 10: Peso leve, levíssimo

buenos aires

A relação entre economia argentina e crise tem ares duradouros. Mais de uma vez, já falamos disso aqui certa feita, num momento em que – cinco anos atrás – o Clarín fez uma matéria listando produtos em vias de romper o que chamaram de barreira psicológica dos 100 pesos.

Pois bem. Se já não está em tempo, em breve haverá uma nova reportagem sobre a quebra da barreira dos mil pesos. Isso em cinco anos, tamanho o galope da inflação porteña. A propósito, há uma vítima fatal nesta história já: a nota de 2 pesos (que era a menor da família) já não é mais aceita. Este valor foi substituído por moedas – seria esse um destino para o real?

Nas ruas, algo incomum a primeira vez que cá estive é corriqueira: lojas, restaurantes e todo mundo aceitando até o real no pagamento. E, repare só, em diversas situações é mais vantajoso fazer pagamentos com a divisa fabricada ao Norte do Rio da Prata do que a comum em Buenos Aires.

Isso sem falar nos já tradicionais cambistas de ruas, como o da Florida. Oferecem-se aos montes para trocar seu dinheiro, seja real ou dólar, por pesos. E anunciam fazer um preço melhor do que as casas oficiais.

Rápidas

Noto que a estrutura deste texto coincidentemente ficou muito parecida com o que publiquei em 2013. Então vamos recordar a escalada do preço do metrô, que ao menos indica que a inflação ali não seguiu no mesmo embalo. O passe único de 2011 era 90 centavos; em 2013 estava 2,50; agora, em 2018, 12,50 pesos.

Naquele texto também citei uma matéria da piauí sobre denúncias ao clã Kirchner. Este assunto continua. Por estes dias, a Polícia deu uma varredura em residências da ex-presidente e hoje senadora. Inclusive em uma casa em Calafate, cenário das denúncias da matéria original. Em um dos textos, o jornal cita que brasileiros se aproximaram das ações policiais e, ao tomar conhecimento do que se tratavam, asseguraram aos periodistas argentinos que era a versão da Lava Jato.

#diáriosdocaos

Na greve, teve bici | Foto: Brayan Martins / PMPA

Foi na quinta da semana passada, quarto dia da greve dos caminhoneiros. Vi a minha impressão sobre o movimento ser furada ante uma paralisação que parecia ganhar mais força a cada dia diante de um governo enfraquecido e acuado. Derrotada minha avaliação, peguei a minha moto e saí por Porto Alegre atrás de míseros três ou quatro litros de gasolina para não ficar a pé. Após ver uma que outra plaquinha escrita “sem combustível” e diversos dedos indicadores de frentistas indo para um lado e para o outro no ar, voltei para casa. Resignado, com o tanque no fim da reserva e sem uma gota de gasolina a mais.

Apesar de estar relativamente tranquilo, o ambiente ao meu redor era de um cenário pré-apocaliptico. Já havia notícias pipocando de imensas esperas (e inflação) nos últimos postos com gasolina e etanol à disposição e filas homéricas nos supermercados que começavam a ficar sem estoques de alguns produtos – e aproveitando para lucrar um pouco mais com o que ainda havia à venda.

Resolvi entrar no clima, então, e iniciei uma série batizada de um carinho irônico-moderno #diariosdocaos. Como, enfim, aquela greve afetava de fato a minha vida.

A bem da verdade, apostei mais alto. Mesmo que tenha que perdido gasolina e ficado a pé, segui acreditando de que a greve não duraria tanto a ponto de me deixar também faminto em casa – o que não chegou nem perto de acontecer, porém ovos e omeletes desapareceram da cozinha lá de casa.

O que mudou de fato foi a logística. Uma mudança de hábito que preferi encarar com a melhor das boas vontades. Os 15 minutos de moto para chegar ao trabalho transformaram-se em 30 de caminhada somada a uns 22 de bicicleta, pelo sistema BikePoa.

Dia a dia, somei – e como bom nerd, tuitei – todos os percursos em que substituí a tração do motor pela animal – no caso, minhas duas pernas. Oito dias se passaram, com 35,1 quilômetros caminhados e 27,2 pedalados (antes de procurar a calculadora: deu 62,3 quilômetros, ao todo). Apesar de sensivelmente mais cansado à noite, não foi nenhum sacrifício maior do que perder horas do meu dia numa fila monstruosa e estressante por… gasolina.

Fui voltar ao posto só depois de ter certeza de que não ficaria dezenas de minutos por ali:

Com a situação já se encaminhando para a normalidade, e com dinheiro do SUS indo para o diesel, concluo que a reocupação da cidade por pessoas, bicicletas (e até cavalos, em alguns casos) talvez tenha sido a melhor parte desta greve para quem não é caminhoneiro. Redescobrir caminhos e detalhes de uma cidade a qual estamos acostumados a ver só pela janela ou, no meu caso, atrás de um capacete.

Claro que não posso sobrepor a minha realidade a outras. Eu tive essa opção de poder caminhar e pedalar, porque moro a uma distância não tão longe do meu destino diário e num horário ok. Para muita gente, isso não foi uma opção e o que restou foi um ônibus lotado e atrasado. (A essas pessoas, um convite para debater uma mobilidade urbana sem o uso de combustíveis derivados do petróleo)

Ainda assim, apesar de alguma dor no joelho ou cansaço nas pernas, a greve me deixou uma satisfação de ser incapaz de me prender ou obrigar a desperdiçar o já escasso tempo livre em locais indesejados, muito antes pelo contrário. A falta de combustível acabou sendo um convite para reencontrar a minha cidade.

E que saudade eu estava de Porto Alegre.

Desde Chile: Valparaíso ou Viña del Mar?

valpo (2)

Valparaíso é uma antítese a metrópoles brasileiras. Se do lado de cá, o morro tem aquela sina de ter problemas e ser abandonado pela sociedade, lá o morro é o local onde a cidade é mais feliz. Onde vibram artes, turismo e gastronomia. E tudo com uma vista e tanto.

Valpo, como os chilenos a chamam, tem alma. A alma está tanto nas proximidades do mar e do porto quanto nos morros, lugar onde a arte foi descaradamente incentivada e escancarada. Deixou museus e ateliês para ganhar as ruas e o cotidiano, encantando olhares. E como faz diferença ter presente a arte popular – e destacada.

Não é à toa que Valparaíso tem um morro, dentre seus tantos, chamado de “Cerro Alegre”. Imagine que cinza ele não é. Tudo menos cinza. Tudo menos cor pastel. É um viva às cores.

Por entre o sobe-e-desce dos morros, há uma quantidade enorme de grafites, artesãos e casas onde a cultura de um lugar está à mostra e à venda. Difícil caminhar de forma objetiva e sem se distrair com o que o morro oferece para se ver, admirar e refletir. E tudo isso sem mencionar a vista para o mar que banha Valparaíso, que volta e meia dá as caras em meio às casas.

Não que tudo seja perfeito, claro. Os pés dos morros têm lá seus ambientes para assustar um pouco aquele que acha que fora do Brasil não existem problemas. Aquele quê de cidade portuária, de forasteiros, de estivadores. Às vezes o cheiro e os resquícios de noitadas regadas a álcool, às vezes o forte odor dos peixes pescados há pouco.

Tudo isso faz parte de uma cidade com alma, virtudes, belezas e defeitos. Se o metrô é novinho, bonitinho e com vista para o mar, andar de ônibus rumo à rodoviária não deixa de ser uma pequena experiência antropológica, por exemplo. Ao se caminhar, alguém vai falar: “Cuida com a tua bolsa no centro”.

Mas tudo de boa, em especial – infelizmente – àqueles que são moldados na dura realidade brasileira.

Valparaíso ou Viña del Mar

vinaSe Valparaíso tem esse ar mais autêntico, Viña del Mar transpira algo da serenidade mais elitista. E essa talvez seja a principal diferença entre duas cidades que são coladas – o próprio metrô vai de uma a outra na mesma e única linha.

Viña del Mar tem bem menos história – e arte e grafites – mas é mais organizada e arborizada. É mais feita para o turista que está de férias e busca alguma bolha de tranquilidade, quem sabe.

Ao visitar as duas lembrei-me da relação entre Gramado e Canela, na serra gaúcha – cidades igualmente irmãs. A mais famosa e turística, a mim parece um tanto artificial, feita para os outros a verem e a consumirem. Parece buscar um status europeu em pleno sul brasileiro – o que não deixa de ter, diga-se. Canela, porém, é uma cidade com uma vida mais própria, ainda que bem parecida com a vizinha. São sensações que se entende quando se caminham nessas ruas, tanto em solo gaúcho, quanto no litoral chileno.

É questão de gosto saber o que lhe agrada mais e a partir de então decidir onde aportar.

Desde Chile: Un cajón para se conocer

cajon del maipo (1)

Certa feita uma amiga minha trocou a sua foto de perfil no Facebook por uma em que aparecia em frente a um lago e uma montanha. Perguntei se era na Suíça ou no Canadá, aquela vista. Ledo engano: Chile, um lugar bem mais perto da minha casa. Mais especificamente um local chamado Cajón del Maipo, a não muitos quilômetros de Santiago.

O nome “Cajón del Maipo” me chamou a atenção. Cajón, em português, é nada mais que caixão. Nome esquisito para um lugar, digamos, visitável. Mas perfeitamente compreensível na literalidade da língua espanhola. O cajón que batiza a região é porque todo aquele vale fica rodeado de montanhas, como se estivesse em uma grande caixa – sentido até semelhante com o nome da Bombonera, estádio do Boca, em Buenos Aires.

E Maipo é um dos rios que passam por ali. Simples e literal, assim.

cajon del maipo (2)A sensação deste “encaixotamento” é ainda mais presente quando se visita Embalse el Yeso, onde essa minha amiga foi tirar a foto dela. Poucos lugares são capazes de arrancar tantos “uau” por minuto quanto lá. Nesses tempos modernos, certamente serve de cenário para muitas fotos de perfil de Facebook.

De estrutura, mesmo, o embalse pouco tem – na verdade a empresa que administra a represa permite que agências de turismo levem gente até a beira da montanha onde trabalham. De lá sai a água que abastece a região de Santiago, então o banho sequer é permitido, apesar de que em outros pontos se possa fazer isso.

Ainda assim, mesmo que não haja um bar, um restaurante para se sentar, pedir um café ou uma cerveja e passar o dia reparando em cada curva delineada pela natureza, lá é lugar para contemplação e alguma caminhada em busca de um ângulo pouco mais espetacular. A vista impacta, até quando não é inverno, estação que, aposto, deve deixar o cajón muito mais bonito por conta da neve – e bem mais frio, claro. O Google dá uma ideia disso.

cajon del maipo (3)

É um caixão para, além de redes sociais, fixar a retina e guardar na memória.

Desde Chile: Santiago a las alturas

san cristobal

Cerro San Cristóbal

A altitude média de Santiago não chega a assustar para um país esculpido a partir de dezenas de cordilheiras e vulcões. São cerca de 570 metros acima do nível do mar, apenas. No entanto, apesar de boa parte da cidade ser no plano, esses 570 metros podem se transformar em quase 900 em questão de minutos. Mais especificamente em duas das principais atrações santiaguinas: o tradicional Cerro San Cristóbal e o moderno Sky Costanera.

O mais novo e artificial ponto turístico da capital do Chile é uma torre envidraçada de 62 andares e 300 metros de altura, que, segundo eles, é a mais alta da América Latina. Fica anexa a um grande shopping center que, veja só, chama-se Costanera.

sky costanera

Sky Costanera

Inaugurado em 2015, o mirante oferece uma vista em 360 graus da cidade. Ele é acessível após o visitante desembolsar uma bagatela de 15 mil pesos*. Confirmado o pagamento, o turista é autorizado a pegar o elevador, que, em menos de 1 minuto, vai até as alturas. A velocidade do elevador é de 7 metros por segundo, segundo a ascensorista.

Ah, não adianta chorar ou pechinchar. O preço é esse mesmo e o mirante não é acessível por escada. Porém, fique tranquilo, o suado investimento vale a pena, especialmente em determinados momentos do dia, como o pôr do sol. Programe-se, pois o tempo lá em cima é liberado. O Instagram deles dá uma ideia boa do quão legal pode ser.

Bem mais barato e até um pouco mais alto, é desbravar o Cerro de San Cristóbal. No ponto mais alto dele, junto à estátua de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, o mar chega a estar uns 880 metros abaixo dos nossos pés. Pés que podem ser poupados de boa parte da longa subida se o desbravador dispor de pelo menos 4 mil pesos* e ir até lá de funicular – um trenzinho que sobe em diagonal proporcionando uma vista gradualmente mais legal e por si só já é uma atração turística.

Chegando lá em cima, claro, há cachorros. Ainda que especificamente neste ponto de Santiago também encontrei numerosos gatos de rua. Um convívio aparentemente amigável entre os dois, talvez devido ao ar introspectivo/religioso do local – estamos falando das cercanias de um santuário de uma santa que é reverenciada no alto da cidade mais importante do país, afinal.

Agasalhe-se, caso encare esta subida. Além da vista, o frio também pode tornar-se inesquecível graças aos ventos que correm morro acima. Pelo topo do morro também há outras atrações, somando à igreja e ao mirante, como zoológico, alguns barzinhos para se tomar um café, artesanato e um observatório (quase sempre fechado). E ainda um teleférico para seguir passeio em outra direção do cerro.

cerro san cristobal

Vista do Santuário

*preços citados são de abril/2018