Diários Mexicanos: Turismo para o bem e para o mal

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Quantos mexicanos há numa praia mexicana?

Cancún é um polo turístico como outros tantos neste planeta. Tal como um, vive numa dualidade incrível, entre o povo que vem de fora e o povo que vive lá. Mesmo escancarada, a realidade nem sempre é percebida por quem vai lá com foco em tomar a direção do aeroporto (ou da marina) dali a alguns dias.

O próprio aeroporto já é um indicativo. Se lá de cima vê-se um monte de ruas sem asfalto, na pista há um número considerável de aviões de pequeno porte, esses que carregam gente que paga bem mais para não precisar sentar ao lado de desconhecidos em voos comerciais.

A Zona Hotelera de Cancún em nada lembra a horizontalidade de áreas que ficam a não muitos quilômetros dali. O mesmo dinheiro que ergue prédios e resorts enormes à beira da praia, às vezes afasta quem é, originalmente, dali. De tantos prédios quase à beira-mar, entradas públicas à praia transformam-se em ruas quase estreitas entre espigões enormes.

E no mesmo asfalto em que passam carros seis dígitos de dólar, passam ônibus lotados de mexicanos – e alguns turistas mais humildes, ressalte-se. Ainda assim, há diversão entre os locais, que, ao menos num primeiro momento, não escancaram alguma “turismofobia” como em outros cantos do mundo. Talvez, isso de relevar (até certo ponto) a desigualdade, seja uma característica latino-americana.

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A praia e seus espigões

No fim, não é para se reclamar de tudo mesmo. A grana que vem de longe faz a roda girar. E o povo se vira e se esforça para ficar com verdinhas alheias. O vendedor de souvenir fala qualquer coisa para gerar um mínimo de intimidade e atrair aquele que vem de longe, o marinheiro trata bem para expor ao fim da viagem um pequeno cofre em forma sugestiva de porquinho e dizer que vivem da “propina” oferecida. O mexicano se veste de Máscara em frente ao Coco Bongo para surfar a mesma onda e levar uns dólares a mais daquela carteira internacional.

O turista, de fato, recebe grande atenção por onde passa em Cancún. Mas talvez tudo não passe de encenação. Tudo seja uma simpatia paga. Sorrisos para se conseguir dinheiro e evitar dores lá na frente.

E a vida segue.

Diários Mexicanos: O Mergulho no Cenote

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Passei uns bons anos da minha vida pensando que deveria ir a Paris. Nem que fosse para tirar umas fotos da Torre Eiffel, que, mesmo inferior a tantas outras que a gente vê por aí, poderia dizer: essas são minha. Isso equivaleria a algumas outras tantas situações, que podem ser chamadas de experiências.

Isso que me motiva a viajar, sempre tentando algum horizonte novo. Confesso que tenho um pequeno orgulho dessas experiências. Já rodei um pouco, talvez um pouco mais que a média dos que me cercam. Mas ainda assim é tão pouco diante do tamanho do mundo. Paradoxalmente, quanto mais se viaja, mais se percebe que há muito chão para se pisar.

Esses dois parágrafos não querem dar um tom de “seja-viajante-e-largue-tudo-e-vá-conhecer-o-mundo”. Não. Mas não deixam de ser um conselho para viver as situações pelas próprias experiências. Ter suas próprias lembranças e opiniões sobre onde se vai. E tal como certo dia em Paris, tive a mesma sensação ao mergulhar nas águas do Cenote Zací, um lugar incrível quase ao lado do centro de Valladolid.

De uma forma grossa e não-científica, cenote consiste em praticamente uma piscina de um azul incrivelmente sedutor em uma caverna semiaberta (as águas podem ficar totalmente expostas ao sol ou não, em outras formações geológicas). Até não parece, mas sua profundidade vai a dezenas de metros.

Foi só esse que conheci, dentre tantos que existem especialmente na península de Yucatán – e são muitos mesmo. Foi incrível, mesmo ele não sendo “um lugar turístico”, segundo uma guia turística de Cancún. Uma experiência tão ou mais legal que conhecer Paris ou outra grande metrópole deste planeta.

Respingos do Iguaçu, parte 3

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Foz do Iguaçu, já dissemos aqui, não tem lá uma geografia complicada. É uma cidade plana e suas ruas dividem-se em um grande “L”. Entre seus limites há duas pontes – para Argentina e Paraguai. Em suas pontas, duas obras magnânimas, uma da natureza e outra, veja só, do homem.

Aquilo que o homem fez chama-se Itaipu Binancional. Aquele canto de Foz não é Brasil, nem Paraguai. É uma terra administrada em conjunto por brasileiros e paraguaios. É uma obra-prima de engenharia, que gera 80% da eletricidade consumida no Paraguai e 15% da consumida no Brasil, um país com 204 milhões de habitantes.

itaipu-2Ao visitá-la, é impossível não se impressionar com tudo o que fizeram para fazê-la surgir. Um trabalho de anos, ressalte-se, para o qual veio gente de diversos cantos de Brasil e Paraguai e que transformou completamente este canto de região do Brasil, junto ao extremo Leste do Paraguai.

Itaipu é uma obra que começou lá na década de 70 e só foi concluída mesmo no início deste século, ainda que tenha começado a operar em 1984. Gente que veio de longe e alguns ainda ficaram por ali e que se animam em contar a história, como é o caso do Seu Domingos, um simpático senhor cheio de prosa, que trabalha no EcoMuseu, ali do lado. É uma dessas pessoas que são uma enciclopédia viva.

Itaipu, onde o ruído das águas é constante, significa em “a pedra que canta” na linguagem indígena (e agora, em tupi ou guarani?). São sons e construções – a barragem chega a 196 metros de altura – que se impõem na fronteira:

No outro lado do “L” de Foz ficam as cataratas do Iguaçu. É, sim, um cenário tão conhecido por nossos olhos, por meio de fotos e vídeos que chegam via redes sociais ou matérias de televisão. São quase clichês, tal como o Cristo Redentor no Rio, as ruínas de Cusco, o Elevador Lacerda em Salvador ou mesmo a Torre Eiffel de Paris e o Coliseu de Roma.

Mas, como em todos esses casos supracitados, ressalto: é preciso ver com os próprios olhos!

Há uma força incrível nas quedas de água do rio Iguaçu, que só pode ser sentida de perto. Não que forcem uma reflexão da pequeneza do homem diante da natureza ou algo assim, porém é uma força que te paralisa, que te arranca um “uau” de forma tão espontânea quanto embasbacada assim que elas são visualizadas em meio às trilhas que a contornam. Isso sem falar do caminho no qual se chega (e se molha todo) à Garganta do Diabo, pelo lado brasileiro, ou – principalmente – quando, pelo lado argentino – se vai até quase onde a água despenca. E onde tudo é branco, de tantos pingos, de tanta admiração.

São desses momentos que se fazem uma boa viagem. Por cenários assim que vale a pena ir para longe de casa, nem que seja por uns dias ao longo de um ano de rotina e cotidiano nem sempre amigáveis com a saúde.

Tem lugares que é preciso conhecer de perto, que é preciso ver com os próprios olhos, repito. São experiências a serem vividas ao invés do reforço da rotina. Não para entender, ou entender-se, mas para ter a exata noção do quanto o mundo é grande e muito maior do que nosso bairro ou nossa cidade. Às vezes até não parece, mas isso muitas vezes é uma descoberta incrível.

Respingos do Iguaçu, parte 2

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Mereceria um poema, mas aqui faltou poeta. Que se lembre, então, das bonitas imagens e sons que se vê e se ouve ao longo do caminho do Parque das Aves, bem ao lado das famosas Cataratas do Iguaçu, naquele cantinho de Brasil, que já é quase Argentina.

Cores e gritos de uma natureza recuperada do homem pelo homem – quase metade das aves do parque foram salvas do tráfico ilegal, essa crueldade. Uma coleção de lembranças tanto para adultos quanto para crianças que fazem a trilha em meio a 16 hectares de mata atlântica.

Com um quê de zoológico, o Parque das Aves tem seus momentos até de safári, onde araras, tucanos e papagaios fazem alguns quantos rasantes sobre os visitantes, dentro de aviários gigantes que minimizam humanos. Aviários e até borboletários, abrindo aí a licença poética ao colorido inseto.

Num mundo tão cheio de desmatamentos e urbanização, é bom ver a natureza se regenerar. Ainda que em cativeiro. E haja memória para tanta foto (clique na imagem abaixo para abrir a galeria):

Foz do Iguaçu 2016