Viagem no jornal

Carros, Motos & Viagem

Carros, Motos & Viagem

Paramos nossa programação normal para um momento assessoria de imprensa (própria): Depois de ganhar alguns vários posts por aqui, a viagem de março foi parar no jornal. E com direito a uma página inteira.

Uma crônica/resumo daqueles 2,5 mil quilôemtros ao longo de sete dias entre Brasil, Argentina e Uruguai foi publicada no caderno Carros & Motos do Correio do Povo desta quinta-feira, 20 de junho.

Como dá para perceber, a página é essa anexada aqui ao lado, que, se clicada, aumenta de tamanho. Mas com um cadastro gratuito, pode-se ler tudo no site mesmo. Por R$ 1,50 você lê a matéria e ainda ganha um jornal de brinde :P.

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O que aprendi nas ruas

fotoCentenas de jovens nas ruas reclamando de algo é uma situação. Centenas de jovens voltando às ruas por dias e dias seguidos é outra. E aqueles que mantêm uma rotina dessas não podem simplesmente ser taxados de “vagabundos”, “baderneiros” ou “vândalos”. Há muito mais complexidade nesta massa do que apenas transtornos no trânsito ou mera “baderna”.

Talvez eliminar este pré-conceito tenha sido o maior ensinamento que tive como jornalista nos primeiros meses de 2013. A força dos gritos das ruas – uma grata surpresa, diga-se de passagem –, a tensão do ambiente e uma outra gama de fatos que presenciei e cobri entre março e abril deste ano e que vejo agora se repetir em outras cidades me fizeram refletir sob muitos aspectos, como cidadão e profissional de comunicação.

Das poucas conclusões que é possível chegar é que, por mais esforço que haja, nunca haverá a cobertura perfeita, pois diante de uma sociedade extremamente dividida, as verdades são muitas e cada um escolhe a que lhe convir. Existe depredação à toa, existe abuso policial, existem provocações (de ambas as partes). Há, no meu ponto de vista, uma obrigação ao repórter: de se manter (ou pelo menos tentar) o equilíbrio.

Repórter x tempo

2013-04-04 18.39.41Todo grande protesto envolve uma complexidade enorme de lados. O repórter, que vive contra o tempo e não vê diariamente uma coisa dessas na sua cidade, tem diante de si a revolta da população contra um aumento abusivo, os danos ao patrimônio público, o caos no trânsito da região e um deadline ou uma entrada ao vivo. Tudo isso é notícia e só puxar por um viés é errado, afinal.

O manifestante tem imbuído em si a coragem das grandes massas e a indignação transbordando. Isso não lhe dá o direito de sair quebrando o que tiver na frente, porém. Ainda mais se o objeto que receber sua raiva for público. No front também há os policiais e guardas municipais. Que, em sua maioria, recebem um salário ridículo e tem no estresse uma companhia permanente. Muitos deles, imagino, não recebem o treinamento adequado para a situação. Muitos deles, imagino, nem sabiam que a população se revoltava assim. E aposto que a mobilização tem surpreendido os próprios manifestantes pela força.

Ou seja, o pavio ali no front sempre é curtíssimo.

Em Porto Alegre, a vitória das ruas não chegou a demorar a acontecer e foi legítima, reconhecida na justiça. Na minha opinião, todos os atores passaram por mudanças no decorrer dos atos. Se boa parte dos jornalistas narrou a manifestação mais pelo caos no trânsito, os editoriais foram trocados em seguida por questionamentos cabíveis.

Uma grande vitória. Até junho

2013-04-04 19.04.15Os manifestantes oscilaram, mas no geral tinham diminuído o prejuízo alheio – até explodirem novamente numa nova revolta, agora em junho, quando o quebra-quebra foi grande e houve a promessa de reviver uma nova Turquia. A censura aos vândalos dentro do movimento aumentou no grupo, ao menos. Ainda assim, não chegou a conter os atos.

Policiais, depois de uma briga feia no primeiro protesto, apenas trataram – ao menos na maioria das vezes – de manter a ordem nos encontros seguintes. Até este último, agora em junho, quando mais prisões aconteceram e balas de borracha cruzaram a noite porto-alegrense.

Este último protesto em Porto Alegre, diga-se, aconteceu horas depois de o Tribunal de Contas do Estado confirmar a vitória nas ruas, mantendo as passagens em R$ 2,85, valor que pode baixar ainda mais com um novo cálculo. Até a noite de 13 de junho, uma certa calma pairava na capital gaúcha, que serviu de exemplo a muitos.

Despreparo político e policial  

Assistindo de longe as manifestações em outras cidades, especialmente em São Paulo e no Rio, torço que esta “evolução” aconteça em breve, mesmo que os sinais não apontem isso. Ao menos nas primeiras matérias se vê mais isso: vandalismo exagerado, excesso de violência da parte dos policiais, além de uma falta de contexto maior nas reportagens. E aquilo que se vê no Twitter é ainda mais assustador. Isso é uma derrota para todos.

O maior revés à população, contudo, acho que é a incômoda ausência dos governantes no calor da hora. Em todas as ocasiões os vi realmente distantes do povo, não importa orientação política, não importa legenda. Quando falam, tempos depois do confronto, tentam culpar alguém e algumas frases chegam a constranger.

Em meio ao movimento, eu, que não sou sociólogo nem tenho bola de cristal, estou acreditando que isto é só o estopim. Que começou por R$ ,020 do transporte público, só que vai se espandir a outras áreas sociais. Mas isto talvez seja uma verdade apenas minha e que certamente não convém a todos.

*Escrevi este texto antes do protesto do dia 13. Horas depois, claro, precisei adaptá-lo.
**As fotos são minhas, dos protestos em março e abril. Foram tiradas com meu celular, na correria de enviar algo para a redação.

Uma gata na minha pauta

Ainda que oficialmente ele não sirva para muita coisa, tenho o meu diploma de jornalista há três anos e cinco meses. O tempo de carreira ainda é ínfimo para o que imagino e pretendo ter. Mas suficiente para tornar a surpresa algo corriqueiro. Afinal, disso que é feito um jornal.

Todo o dia é algo novo. Porém hoje aconteceu algo que na minha cabeça soava como inimaginável para uma cidade pseudometrópole como Porto Alegre. Algo que imaginava apenas em quadrinhos infantis: bombeiro salvando gatos em cima da árvore.

Assim que o telefone da fonte caiu na minha mão, imaginei que em cinco, oito linhas tudo estaria resolvido. Que nada. Porto Alegre faz parte do Rio Grande do Sul, tinha polêmica, como todo e qualquer assunto neste estado.

O resultado, publicado no site do CP, está aí embaixo:

Gata é resgatada após ficar seis dias presa em árvore em Porto Alegre

O que parece história de desenhos animados aconteceu em Porto Alegre, nesta segunda-feira. Na manhã de hoje, bombeiros escalaram uma árvore para resgatar de lá uma gata de rua, que estava entre os galhos. Só que a bichana ficou por lá seis dias, período em que a temperatura e o clima variaram bastante – inclusive hoje foi o amanhecer mais frio do ano na Capital, com 5,5°C .

Em prol da gata, uma verdadeira mobilização na internet foi realizada. E ela começou com a nutricionista da Ufrgs Rita Cherutti. Ela conta que chegou ao local do incidente, a rua Andaraí, na zona Norte da cidade, após ligação de uma amiga. A situação em que o animal se encontrava preocupou Rita, dona de cinco gatos: “Todos retirados das ruas”.

• Blog registra em vídeo resgate da gata

Desde a noite de domingo, Rita e um grupo de amigos começou a ligar para o Corpo de Bombeiros, que chegou a ir ao local. Em uma primeira tentativa, a cada vez que os bombeiros se aproximavam da gata, ela subia para mais alto da árvore, ultrapassando o limite das escadas. “À noite, eu estava embaixo de edredons na cama com meus filhos mais cinco gatos e sentíamos frio. Imagina ela, lá em cima”, compadeceu-se Rita.

O capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Paz explica que o grupo não tinha disponível equipamento do tamanho necessário para a operação e por isso que a operação precisou ser adiada para a manhã de hoje. Segundo o oficial, as escadas medem cerca de 9,5 metros de altura e o animal já se encontrava a 15 metros do solo. O caminhão com auto-escada poderia chegar até o topo, mas devido a questões logísticas, seu uso seria impossível no local. “Era necessário que o homem estivesse na escada para poder resgatar a gata”, acrescenta o capitão.

Foi o que enfim ocorreu na manhã desta segunda-feira, quando o Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros, usando trepas, subiram na árvore. Assustado, o bichano se afastou ainda mais, até onde não havia mais para onde ir, sendo finalmente resgatado. Depois da operação, a gata ficou aos cuidados do professor da Ufrgs Renato Zamora. O resgate foi acompanhado por Rita, que cancelou os compromissos da manhã e ver o salvamento.

Reclamações quanto a atuação dos bombeiros

Apesar do final feliz, Rita reclamou da falta de apoio das autoridades. Segundo ela, na noite de sábado, os bombeiros se negaram a realizar a ocorrência, o que é desmentido veementemente pelo capitão Marcos Paz: “Bombeiro não se nega a atender nenhum tipo de ocorrência”.

A mulher também conta que ligou para a Secretaria Especial dos Diretos dos Animais e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Ambos órgãos da prefeitura teriam lhe respondido que o atendimento só poderia ser realizado pelo Corpo de Bombeiros.

“Muitas foram as ligações de moradores do bairro, e outras pessoas envolvidos com o sofrimento do pequeno ser, porém muitos poucos realmente fizeram alguma coisa”, desabafou ela, no Facebook. “Quem ama animais e resgata sabe a dificuldade que é conseguir pessoas que realmente queiram ajudar.”

De acordo com o comandante do primeiro comando regional dos bombeiros, tenente coronel Roge, o resgate de animais não é necessariamente um trabalho dos bombeiros. “Fazemos o serviço até para evitar que alguém suba querendo salvar e acabe se machucando, mas não temos equipamento para tanto”, diz. Conforme ele, a responsabilidade nesse caso é do GBS. No entanto, o oficial não sabe informar porque os atendentes do 193 não chamaram o batalhão adequado e a gata ficou tanto tempo sem água, comida ou maneira de descer.

“Gatos não descem, eles vão derrapando e caem. As unhas deles são projetas para subir, não para descer. Ele ia pular, e morrer”, esclarece Rita.

*Colaborou a repórter Leda Malysz

Das coisas que ficam para trás

Foi meio que sem querer que entrei na rua Dona Augusta numa tarde de fevereiro e me deparei com aquele clarão. Uma luminosidade estrondosa que eu não havia reparado na minha vida inteira. Algo estava diferente. E, de fato faltava um integrante do cenário. Ou melhor, ele ainda estava sendo retirado. Uma estrutura fincada no bairro Menino Deus havia mais de 80 anos, o Estádio dos Eucaliptos.

Para quem não sabe, os Eucaliptos foi a casa do Inter entre 1931 e 1969. Sediou dois jogos da Copa do Mundo de 1950. Para quem não sabe, meus avós moraram por quase toda a sua vida na rua Dona Augusta, defronte a um dos portões do estádio, até morrerem, em 2010 e 2011.

Desativado há mais de quatro décadas, o Eucaliptos passou por diversas fases nesse interim. Chegou a ser até um autódromo durante um tempo. Fazia uns dez anos sediava quatro quadras de futebol sete. Antes, em 1999, teve um suspiro de vida, ao ter seu campo principal reformado, recebendo até um jogo amistoso do time principal do Inter.

Ao contrário de toda a mídia que a novela da assinatura do contrato de remodelação do Beira-Rio – o estádio sucessor – a demolição dos Eucaliptos não teve aviso de pauta, palavra de autoridades nem enrolação. Quase que de um dia para outro, grandes máquinas entraram em no gramado (àquela altura transformado em matagal) por onde já desfilaram centenas de craques. Em questão de uma semana, os antigos pavilhões já não passavam de amontoados de vigas, concreto e tijolos.

E a rua Dona Augusta, acostumada a passar as tardes à sombra das arquibancadas, reencontrou o sol. Ao menos por ora, enquanto não brotam ali seis ou sete torres residenciais, que por certo haverão de causar um pouco de tumulto no bairro Menino Deus.

Cerebral Larry

Pego de contrapé com a demolição, tentei produzir uma matéria especial, ao menos para registrar uma despedida do Eucaliptos. Por uma dessas forças maiores que acontecem em redações, ela acabou não vingando.

Por sorte, teve gente que não desistiu, como o pessoal do blog Impedimento. Eles fizeram um HISTÓRICO documentário com o ex-atacante Larry Pinto de Faria, dono do apelido Cerebral Larry – o que convenhamos não é para muitos.

No início do mês, também tive a oportunidade de entrevistar Larry, em uma matéria bem mais humilde. Um senhor simpático, atencioso e cheio de histórias para contar. A que ele me contou foi a vez que ele ganhou de 5 a 1 do Santos. O do Pelé. Dessa vez foi para o ar.

Onde fica(va) o Eucaliptos

La Prensa argentina – uma pequena reflexão comparativa de domingo

   O taxista já havia avisado – como se os cartazes e pichações não deixassem claro: o argentino é um ser muito politizado. Muito, e em razão disso, explicou, é porque lê bastante jornal. Procuram se informar do que passa pela Casa Rosada e demais arredores do poder.
   A edição do Clarín de domingo, 20 de março, ilustrou a fala do taxista. Já a primeira das 88 páginas de muito conteúdo trouxe uma manchete causadora de alguns cabelos brancos na cabeça de Cristina e seus assessores – investigando a ligação da família Kirchner com traficantes. Outra matéria avisava sobre uma rota que tem sofrido com assaltos nas proximidades portenhas. Nos esportes, uma editoria plural. Houve notas de 14 modalidades diferentes, após quatro (haja assunto!) páginas exclusivas sobre o jogo entre Racing e Boca, na noite anterior. Além, claro, da cobertura sobre o evento tangueiro no Obelisco (que será assunto do próximo post).
   Agora vamos comparar com os jornais brasileiros. A edição dominical da maioria deles, nos quais se incluem os principais, fica pronta no sábado pela manhã e circula nas primeiras horas da tarde. Denúncias contra governos e afins? Difícil! Mais arrevistada, a edição de domingo costuma apostar em reportagens atemporais. Quanto ao que aconteceu no sábado à noite, o leitor só saberá na segunda-feira ou pela internet. Os esportes basicamente se resumem a futebol.
   Detalhe a ser considerado: o Clarín e a Cristina Kirchner não têm boas relações. Mas isso é de conhecimento geral e aberto. Logo, não é de se surpreender que o jornal procure, fuxique e talvez até amplie quaisquer denúncias contra a presidente.
   Aqui no Brasil muitas publicações, pra não dizer todas, têm linhas políticas determinadas pela direção, mas nem todas abrem isso, percebendo apenas nas entrelinhas. Também se dizem “imparciais” – mito que todo estudante de jornalismo ouve e defende.
   Algumas revistas criticam ou defendem bastante, porém não se posicionam oficialmente quando o assunto é política. Resultado: confusão na cabeça de quem paga para lê-la.
   Sinceramente, não sei qual postura pode ser considerada melhor – ou menos pior: a crítica aberta, com a possibilidade de matérias tendenciosas, ou uma imparcialidade disfarçada, na qual só o leitor mais atento percebe.
   Noto que as faculdades do Brasil insistem na segunda opção, até porque a primeira não se desenvolveu muito nas bandas tupiniquins. Acho que a mídia brasileira precisa ampliar suas experiências.

“Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

   “Era para eu estar passeando nesta semana e tirando fotos”, lamenta a administradora Vanuta Kich, 23 anos. Gaúcha de Rosário do Sul, ela vive no Cairo, capital do Egito, desde abril do ano passado, onde participou de um intercâmbio, cujas atividades terminaram na última semana, justamente quando começou os conflitos no país, com a população saindo às ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
   Em entrevista ao Correio do Povo por telefone na noite desta quarta-feira, ela relatou como está o seu cotidiano no país, onde ficará até a próxima semana, quando retorna ao Rio Grande do Sul. Com voo confirmado, ela diz que a embaixada brasileira não lhe passou nenhuma recomendação especial, embora a grave crise no Egito já tenha deixado centenas de feridos e pelo menos três mortos. Enquanto isso, ela procura ficar no seu apartamento, onde é resguardada por vizinhos que montaram guarda para evitar ações de vândalos.

Situação de Hosni Mubarak

“Está chegando a um extremo que os manifestantes não vão abrir mão. Eles não querem nenhum tipo de desculpa para o Mubarak ficar até o final do mandato. O presidente já falou que não vai se recandidatar, mas o povo não está muito crente, porque não é a primeira vez que ele fala isso. Eles querem que Mubarak saia agora. Enquanto o presidente não sair, os manifestantes não vão parar. Está uma indefinição total e ninguém sabe o que vai acontecer no país. Em geral, as pessoas estão respeitando o toque de recolher, mas o pessoal que está na praça Tahrir não está abrindo mão, eles estão inclusive dormindo lá.”

Internet e telefonia

“Sexta-feira parou de funcionar a internet. Hoje (quarta-feira) voltou por volta das 14h. O telefone ficou sexta e sábado fora. Nem ligações dentro do país funcionavam. No domingo voltou, mas a conexão não era muito boa. Funciona melhor à noite. Mensagens por SMS não funcionam.”

Meios de comunicação

“O canal local da televisão está funcionando, mas não sei sobre os jornais impressos. Acho que não. O discurso do Mubarak e o anúncio do toque de recolher foram transmitidos também por alto-falantes – os mesmos que anunciam os horários de reza para os muçulmanos. Durante o tempo em que a internet estava fora, ficávamos sabendo das noticias através do canal local, embora em árabe, e por amigos egípcios que iam nos atualizando. Agora, a notícia circula pelo Facebook e acompanhamos também pelo CNN e Al Jazzera online.”

Vândalos

“A gente vê homens de guarda no prédio, com pedaços de pau e pedras para protegerem seus prédios. Estavam entrando nos prédios e arrombando casas. Vândalos entraram no Carrefour, sacaram mantimentos e destruíram tudo.”

Barreiras nas ruas

“Andar na rua é um pouco perigoso. A cada quadra tem grupo de moradores ou exército, checando o que tem dentro e pedindo documento. A nossa rua (Ahmed Zomor) é muito movimentada normalmente e hoje não passa nada.”

Supermercados

“Eles funcionam entre às 9h e 12h – o horário permitido para sair na rua durante o toque de recolher é entre 9h e 15h. No início da semana, quando nós fomos, foi a época que o pessoal começou a falar que iria ter o toque de recolher, e era necessário se prevenir com estoques. Demoramos três horas para conseguir fazer compras. Havia pessoas brigando e corre-corre. Agora, já reabasteceram os mercados.”

Falta dinheiro em circulação

“Os bancos não estão funcionando desde quinta-feira e nem mesmo os caixas eletrônicos. Se tu não tem dinheiro em cash, esquece. As lojas também, em sua maioria, estão fechadas. As empresas estão em recesso desde a semana passada também.”

*Colaboração do jornalista Thales Barreto

**Matéria originalmente publicada no CP, na noite de 2 de fevereiro. Graças ao Thales consegui o contato com a Vanuta, feito por telefone, cuja qualidade da ligação estava excelente, embora o caos no país.

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

Uma viagem ao país mais fechado do mundo

…Ou retratos do comunismo, que você já viu aqui também

   Sair do Brasil e ir para um país de regime fechado como a Coreia do Norte é mergulhar em uma realidade totalmente diferente. Ao contrário da democracia brasileira, os norte-coreanos vivem sob a batuta comunista de Kim Jong Il.
   Para chegar a Pyongyang, arcando com as próprias despesas, a delegação do Atlético de Sorocaba precisou sair de Pequim e, da capital chinesa, embarcar no único voo internacional que vai até a Coreia do Norte.
   “Tivemos que ir à China, esperar o visto. Quando chegou, (o visto) era de apenas quatro dias. Embarcamos na manhã seguinte em um avião russo da metade do século passado”, relembra o ex-vice-presidente do clube paulista, Waldir Cipriani. “Nosso técnico na época não quis nem provar a comida oferecida. Passou o tempo inteiro com os olhos fechados.”
   E, na viagem, não apenas o transporte foi uma dificuldade. “Quando chegamos, verificaram se todos estavam ‘dentro dos critérios’”, relata Cipriani, sobre o fato que deixou todos os jogadores bem apreensivos. Ele também revela que as bagagens da delegação foram detalhadamente conferidas.
   Câmeras fotográficas e celulares foram artigos proibidos. Internet, telefone era algo inacessível mesmo no hotel, nem para comunicar a família que a viagem transcorreu bem. “Além disso, nossos passaportes não que ficaram retidos, mas bem guardados por um funcionário do governo.”
   O treinador do Atlético de Sorocaba na época, o ex-jogador Edu Marangan, recorda – em entrevista à Rede Record – a principal sensação que teve na Coreia do Norte: “Você chega no aeroporto e dá de cara com o Exército”, revela. “Parece que você é vigiado durante 36 horas num dia.”

Sugestão: Leia essa matéria aqui, publicada no CP