Diários Mexicanos: O Mergulho no Cenote

cenote zaci

Passei uns bons anos da minha vida pensando que deveria ir a Paris. Nem que fosse para tirar umas fotos da Torre Eiffel, que, mesmo inferior a tantas outras que a gente vê por aí, poderia dizer: essas são minha. Isso equivaleria a algumas outras tantas situações, que podem ser chamadas de experiências.

Isso que me motiva a viajar, sempre tentando algum horizonte novo. Confesso que tenho um pequeno orgulho dessas experiências. Já rodei um pouco, talvez um pouco mais que a média dos que me cercam. Mas ainda assim é tão pouco diante do tamanho do mundo. Paradoxalmente, quanto mais se viaja, mais se percebe que há muito chão para se pisar.

Esses dois parágrafos não querem dar um tom de “seja-viajante-e-largue-tudo-e-vá-conhecer-o-mundo”. Não. Mas não deixam de ser um conselho para viver as situações pelas próprias experiências. Ter suas próprias lembranças e opiniões sobre onde se vai. E tal como certo dia em Paris, tive a mesma sensação ao mergulhar nas águas do Cenote Zací, um lugar incrível quase ao lado do centro de Valladolid.

De uma forma grossa e não-científica, cenote consiste em praticamente uma piscina de um azul incrivelmente sedutor em uma caverna semiaberta (as águas podem ficar totalmente expostas ao sol ou não, em outras formações geológicas). Até não parece, mas sua profundidade vai a dezenas de metros.

Foi só esse que conheci, dentre tantos que existem especialmente na península de Yucatán – e são muitos mesmo. Foi incrível, mesmo ele não sendo “um lugar turístico”, segundo uma guia turística de Cancún. Uma experiência tão ou mais legal que conhecer Paris ou outra grande metrópole deste planeta.

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Respingos do Iguaçu, parte 2

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Mereceria um poema, mas aqui faltou poeta. Que se lembre, então, das bonitas imagens e sons que se vê e se ouve ao longo do caminho do Parque das Aves, bem ao lado das famosas Cataratas do Iguaçu, naquele cantinho de Brasil, que já é quase Argentina.

Cores e gritos de uma natureza recuperada do homem pelo homem – quase metade das aves do parque foram salvas do tráfico ilegal, essa crueldade. Uma coleção de lembranças tanto para adultos quanto para crianças que fazem a trilha em meio a 16 hectares de mata atlântica.

Com um quê de zoológico, o Parque das Aves tem seus momentos até de safári, onde araras, tucanos e papagaios fazem alguns quantos rasantes sobre os visitantes, dentro de aviários gigantes que minimizam humanos. Aviários e até borboletários, abrindo aí a licença poética ao colorido inseto.

Num mundo tão cheio de desmatamentos e urbanização, é bom ver a natureza se regenerar. Ainda que em cativeiro. E haja memória para tanta foto (clique na imagem abaixo para abrir a galeria):

Foz do Iguaçu 2016

Maceió mais ou menos

praia do gunga (2)

Coqueiros & Mar: chatos dirão que é entediante

Logo que se chega – e se anda um pouco – por Maceió percebe-se que a capital alagoana não é lá bem o que se pode definir como uma cidade bonita por seu conjunto da obra. Tem, sim, uma das orlas mais lindas do Brasil. Mas para dentro da cidade deixa-se um pouco a desejar tanto no quesito urbanismo, quanto no que se refere à igualdade social.

Tal característica faz de Maceió um destino exclusivamente turístico de praia. A água ora verde, ora azul turquesa em um mar calminho é convidativa não só a banhos como também para passeios, mergulhos, pesca e o que mais possível for para se estar em contato com ela ou, de fato, imerso.

Só que esse lindo mar não banha apenas Maceió e algumas das mais famosas atrações ficam nas imediações, ou nem tanto, da cidade. E pacotes turísticos, transfers, taxistas e gente se oferecendo para levar os visitantes a esses locais não faltam. As abordagens começam desde que se desembarca no pequeno e funcional Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, a uns 20 quilômetros do centro.

Como não havia acertado com ninguém, optei por alugar um carro com um desafio e tanto: conhecer as ditas lindas praias do Gunga e do Francês em uma tarde. Do centro de Maceió até o Gunga a estrada é boa, bem sinalizada e, de quebra, com uma paisagem repleta de coqueiros e algumas vistas para mar e rios da região. São uns 40 quilômetros de trajeto, ou nem isso, vencidos em pouco mais de meia hora.

 

O que me incomodou um pouco começou ao chegar ao Gunga. Antes de se descer à praia tem um mirante. Mas para se subir uns dois lances de escada e tirar uma foto legal são necessários R$ 2. Indo para a orla, antes do estacionamento, já há uma cancela com alguém cobrando R$ 10 para se deixar o carro – e não há outra opção de estacionamento em um raio de um quilômetro, quase.

Ao descer do veículo, logo algum dos vendedores já chega para oferecer as opções de divertimento por ali: aluguel de buggy ou quadriciclo ou um dos passeios de barco na região – de fato, linda. Com exceção do quadriciclo, que neste ensolarado abril de 2016 saía por R$ 100, o restante dos preços era tabelado de forma individual e não por casal, o que era o caso nessa ocasião. E por ali as negociações de praxe são feitas em cash. E talvez vocês saibam: a vida de um jornalista é dura, especialmente a carteira.

Com pouca grana na mão, não aluguei e não embarquei em nada. Então, haja perna! A praia é encantadoramente linda, perfeito cenário para qualquer filme em que retratasse a chegada dos portugueses ao Brasil, há cinco séculos. Da entrada até as famosas falésias são seis quilômetros, segundo os locais. Devo ter percorrido uns quatro até ter uma visão levemente satisfatória dessas encostas. E isso sob um sol forte e constante.

 

falesias praia do gunga

Ao longe, mas o mais perto que cheguei de graça: falésias

Conforme se anda, menor é o movimento na areia. Então tive a linda sensação de estar numa paradisíaca praia abandonada. Pero no mucho: a poucos metros das ondas passam os buggies e seus turistas indo e vindo das falésias. E aí o fato triste: muitos dos visitantes (ou mesmo os locais) “esquecem” alguns lixos por ali, numa natureza quase virgem.

Do Gunga fugimos ao Francês, onde chegamos por volta das 15h15min e encaramos uma realidade nordestina que os sulistas como eu estão pouco acostumados. Apesar do horário, meio de tarde na minha casa, o clima já era de fim de festa. Pessoal recolhendo barracas, bares encerrando o expediente etc. Como a maré já estava subindo, não havia muito mais o que se fazer por lá, além de tirar algumas fotos mais para dizer que um dia estive por lá.

Detalhe que quase passa desapercebido: a Praia do Francês fica na cidade de Marechal Deodoro, por ser a cidade onde este cidadão, que proclamou a República do Brasil em 1889, veio ao mundo. “A República nasceu aqui”, gabam-se seus conterrâneos, hoje, em uma pintura no viaduto de acesso.

A situação fez com que o meu único dia inteiro em Alagoas chegasse ao fim de forma um tanto quanto frustrante. “No pain, no gain”, afinal estamos num destino turístico e, com pouca grana na carteira ou uma mão fechada demais, as atrações ficam distantes e as imagens paradisíacas ficam nos cartazes dos outros.

 

praia do frances

Praia do Francês: pra não dizer que não fui

Pedaço de Paraíso – parte III

     Terça-feira de carnaval, 14 horas. Certamente nesse momento, o Rodrigão abria a cerveja dele em Laguna, o Pippo acordava com ressaca no Farol de Santa Marta e a Gabi e a Daphne ajeitavam os seus biquínis na Ferrugem, eu, ainda que estando no mesmo bendito solo catarinense, fiz um programa totalmente diferente dos amigos supracitados. Quem acompanha a Telha, já deve saber o que é: trilha.
     Sim, isso mesmo. A escolhida da vez foi a que leva para a Praia dos Naufragados, no extremo sul de Florianópolis. Para chegar lá, ou de barco ou pela trilha. Confesso que essa era uma que eu sempre quis fazer, por alguma razão. Nunca dava ou sempre enrolava… Pois bem, como não tinha nenhuma cerveja para sorver, ressaca para curar ou biquíni para admirar às 14 horas desta terça, rumei ao sul. E bota sul nisso.
     Para se chegar ao começo da trilha, é preciso ir até o final da Rodovia Baldiceno Filomeno, a ‘estrada-geral’ do Ribeirão da Ilha. Vá sem pressa, nem fique ansioso por chegar, porque a via é longa. Por vezes asfaltada, por vezes esburacada, e nesse ritmo vai se revezando e parecendo não ter fim até, quando vê, termina. Como este é um caminho procurado por ecoturistas e, consequentemente, bem visitado, há terrenos para se estacionar o carro. Pago, claro.
     Deixei o fusca lá e parti para encarar os mais de 2600 metros rumo a tão escondida praia. Subidas íngremes e com muitas pedras no início – o que a tornaria desanimadora para iniciantes. A vista é bacana já no começo da caminhada. A medida que se vai andando, o Ribeirão da Ilha, às costas de quem vai, revela um horizonte inesquecível. Em um lado, o mar, ao longe, no outro, o morro e, se você tiver sorte, quiçá veja um bovino pastando, totalmente alheio aos turistas que passam no seu lado.
     Ainda no começo, ganho uma companheira, que ficaria comigo até a praia: uma borboleta azul. Podia até nem ser a mesma que voava nas minhas voltas durante o percurso, mas era bem parecida. Exibida, não se deixou fotografar, embora passasse bem perto de mim em alguns momentos.
     A trilha pode ser facilmente percorrida a pé. Exige um certo preparo físico, é verdade, contudo nada de espetacular. Uma garrafinha de água cai bem em alguns momentos. E, o melhor de tudo, é a possibilidade de reabastecer esse líquido num dos seis córregos que cortam o caminho. Garanto, a água do maior deles, é boa. Há, no morro, uma cachoeira, origem dos riachos, porém não visitei nessa vez. Fica para a próxima.
     Outra coisa bacana dessa trilha é o seu som. Certa hora, parei para ouvir algo tão raro para uma pessoa que mora numa grande cidade como eu: o silêncio. O mais puro, mudo e surdo silêncio. Cortado apenas por cantos de pássaros e passos de animais a cada segundo. Indescritível. E, depois do silêncio, logo depois de uma curva, eis que o mar impõe sua presença. As ondas se fazem ser ouvidas quando restam alguns metros de caminhada e a presença humana já é notada ao redor.
     Achei a Praia dos Naufragados bem parecida com o Pântano do Sul, com a diferença que na primeira, por ser um dos extremos da Ilha, tem farol. Fui lá, mais trilha e só encontrei um lagarto de plantão. Fora isso, pedras nas pontas, areia clara, mar azul… e botecos na beira da orla. Quando cheguei, às 15h40min já tinha um pinguço sentado olhando pro chão da mesa, que estava sob umas sete latas vazias de skol. Esses estabelecimentos – que vendem até pão caseiro –, a possibilidade de poder voltar de barco e a natureza local fazem dos Naufragados um lugar excelente para passar um dia inteiro. Ou quiçá até mais – há uma que outra barraca por lá. Sem dúvida, é um ótimo passeio.

Tá, se tu já és leitor do blog, já deve estar se perguntando onde se clica para ver as fotos. Bem, caro (a) leitor, ficarei te devendo. Como contei, meu pai foi para o Ushuaia recentemente, levou a câmera e não tinha recarregado as pilhas até esta terça de carnaval e ainda quando estava aquecendo, se foi a bateria. Clicando aqui, tu consegues ter uma vaga noção do lugar que visitei. Vaga, frise-se. Prometo que, em breve, voltarei lá e trarei imagens inesquecíveis. 

Pedaço de Paraíso – parte II

     Num dos primeiros posts do blog, defini o que é Floripa, lembram? Recém tinha feito a trilha da Praia da Solidão, no sul da Ilha e achei que todas aquelas visões maravilhosas que tive mereciam ser compartilhadas com outros seres da internet. E fiz. Pois bem, em 16 de dezembro novamente estava eu na capital de Santa Catarina e novamente resolvi fazer uma trilha básica. Desta vez no leste, na Lagoa…
     E a Lagoa da Conceição é o máximo. É um dos lugares que mais gosto de Florianópolis. Onde é possível passar bem cada uma das 24 horas do dia. Dá pra passear com cachorro, fazer compras, arrumar prancha, windsurfar, beber cerveja, andar de barco, conversar com os hippies ou simplesmente sentar e ficar olhando umas bundas passarem. Isso para não citar o resto.
     Apesar de tudo isso, desta vez, me fui para o mato. Desafio: Costa da Lagoa ao Canto dos Araçás. Mais de 7000 metros de subidas íngremes, descidas um tanto quanto perigosas, pedras, muitas pedras, anúncios imboliários, casas, casinhas, casarões, paisagens bonitas, pedras, mais pedras, algumas quedinhas d’água, pescadores, ricos, bêbados, lagartos, flores, aranhas, bambus, trapiches e diversas outras coisas mais. A cada cem metros, muda-se o cenário, impressionante. Só um companheiro é onipresente: o estrume. 
     Sim, há bosta de cavalo ao longo de toda trilha. Felizmente, por incrível que pareça, não fica aquele cheiro pouco agradável, pelo menos no dia que eu fui. O que não dá pra deixar de pensar é como que um cavalo consegue subir por entre as pedras. Mistérios florianopolitanos… 
     Enfim, a trilha é uma bela dica. Tenho três recomendações para quem se interessou: 1) leve água – essencial; 2) leve dinheiro – afinal, dá pra voltar de barco e cansar bem menos; 3) converse com os moradores locais – ainda mais se for o Zé Luís. Ah, e prepare-se bem fisicamente. Essa cansa mais do que a da Solidão. São mais 7000 metros, lembra?!
     Eu não a completei, fiz metade. Parei num restaurante. Sentei na primeira cadeira que vi e, a julgar pelo meu esforço, bem que merecia umas moças havaianas de top less dançando. No entanto, elas não vieram e tive que me contentar com um camarão a milanesa mesmo. Não foi lá uma troca muito proveitosa, só que depois de horas de caminhada, até que valeu a pena.
     Obviamente tirei um monte de fotos. Elas estão aqui.