Força oculta

motos

A rua estava completamente trancada. Era horário de pico de uma quarta-feira, com a maioria das pessoas indo de casa. Não havia escapatória no trânsito. O jeito era esperar as mais de 10 mil pessoas e seus cartazes passarem pela avenida central ali adiante.

O inerte destino se aplicava até para as motos. Resignado, reparei no banco na calçada e atraquei, aproveitando para tirar o capacete, refrescar o rosto e, dali, esperar. Ideia que, em minutos, foi copiada por outros três motociclistas.

Coincidentemente, era uma parada de ônibus. E lá havia uma senhora, que contou estar há mais de uma hora esperando o ônibus distante cerca de 150 metros dali, completamente parado e atrasado em meio aos muitos carros ao redor.

O cenário beirava o distópico a quem trabalhou o dia inteiro e só ansiava por chegar logo em casa. Mas, incrivelmente, não havia irritação entre desaventurados que ali trocaram alguns comentários e, totalmente estranhos, provavelmente nunca mais se falarão na vida.

“Eu achava que as coisas iam melhorar quando ela saísse. Mas não, esse aí é muito pior. São tudo sujo. Tem mais é que cair mesmo”, comentou a senhora. “Eu já sou aposentada, mas o que eles querem fazer com a previdência é um absurdo”, disse.

A mulher que tinha descido da moto depois de trabalhar o dia inteiro concordou, ainda que estivesse ali forçadamente devido ao trânsito. Ninguém se atreveu a chamar os manifestantes de “vagabundos” por estarem protestando contra a reforma da previdência. Ninguém criticou, apesar do pesar que era estar ali.

Houve uma cumplicidade involuntária entre anônimos no meio de uma massa. Claro que era um grupo pequeno. Mas talvez não sejam tão poucos, esses grupos. Talvez esteja havendo um novo despertar das ruas.

O que poderá estar para acontecer adiante?

Por um segundo

Rua Duque de Caxias, Centro de Porto Alegre. O relógio quase marca de 23h30 de uma quinta-feira que teve cara de feriado em razão das paralisações do Dia Nacional de Lutas.

Saí do jornal pouco antes e seguia no caminho de sempre, sobre a minha moto. No cruzamento com a rua João Manoel, um carro preto dá pisca para a direita, o que, pra mim, significa a oportunidade da ultrapassagem. Acelero.

Eis, porém, que o motorista do automóvel deu-se conta de seu engano de rota e, ao mesmo mesmo tempo em que troca a direção do pisca, vira a direção à esquerda, em movimento. Eu já tinha acelerado poucos metros atrás.

Aproximando-me e sem mais tempo para frear, não consigo conter um pequeno “ahh” crescente. Não fecho os olhos e mal sei o que deveria fazer, mas faço: curvo um pouco para a esquerda e volto, entre o carro e a calçada, continuando a Duque de Caxias, sem buzinar e nem conseguir soltar um palavrão.

Não bati, não cai e segui. Mas, ao mesmo tempo: bati, cai e fiquei estatelado no asfalto, urrando de dor.

Em mais alguns dias completo oito anos com habilitação para motos e este foi meu maior quase acidente. Desde o já distante 10 de agosto de 2005, a única vez que tombei no chão foi quando insisti no que sabia ser erro. E, por sorte, nada de grave aconteceu.

Depois de milhares de quilômetros rodados, me considero um motociclista experiente. Como tal, talvez pudesse xingar o motorista do carro preto ou fazer uma mea-culpa pela aproximação naquele ponto. Mas não. Verdade absoluta é que: merdas acontecem. Em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Ainda mais no trânsito.

No meu roteiro, segui andando de moto, mas ao mesmo tempo recebendo os primeiros socorros ainda no chão da Duque, lamentando o incidente, a proximidade das férias, as corridas, o futebol de sábado e conhecendo a dor que minha irmã sentiu quatro anos atrás, quando um outro motorista não percebeu a placa de Pare justo quando ela passava.

Mais tarde, já deitado na cama, me viro e a minha mulher acompanha o movimento. Como sempre, ela, me beija mesmo dormindo. Eu estava lá, descansando e mexendo e sentindo levemente a perna e o pé no lençol. Mas ao mesmo tempo em uma mesa cirúrgica, ou esperando atendimento em maca de hospital.

Ao fim dormi repetindo a imagem daquele capô preto crescendo, do carro virando a direção. E me conscientizando que a diferença entre o tempo paralelo que vivi e a realidade foi de, no máximo, um único segundo.

Diários de Motocicleta: os 700 quilômetros de Punta del Este a Porto Alegre

Partida em frente a La Mano, em Punta

Partida em frente a La Mano, em Punta

Partindo para as duas últimas etapas da viagem, deixamos Punta del Este por volta das 10h. Antes de pegarmos a estada voltamos a Punta Ballena para explorar com mais calma a vista dali e conhecer o atelier de Vilaró.

Além das fotos, claro que deu vontade de levar algum presente para casa. Opções, como telas, livros etc, não faltam, mas quando um chaveiro começa custando 20 dólares as coisas complicam. Os suvenires ficaram na lembrança mesmo.

Para deixar o balneário utilizamos uma rota secundária, a 12, que passa ao lado da Laguna Del Sauce. A quem está de passeio e sem problema algum com (falta de) gasolina, o caminho de 14 quilômetros é bacana. Há, por ali, algumas fazendas e hotéis bucólicos.

Os sóis que Vilaró faz

Os sóis que Vilaró faz

O caminho quase rural leva até a Ruta 9, rodovia que entre Chuí e Montevidéu. Lá, pegamos o rumo norte, ao Brasil. Pelo caminho, ficaram as convidativas entradas para Rocha/La Paloma, Castillo/Cabo Polonio, Punta del Diablo e o Forte de Santa Tereza – os dois últimos destinos mais frequentados pelos gaúchos.

Duas horas e pico depois da largada chegamos ao Chuí. Apesar das centenas de quilômetros de Rivera, por onde passamos na ida, o cenário é idêntico: forasteiros numa terra meio que sem lei à procura de ofertas em free shops, enquanto locais, em sua maioria com cara de mal encarados/picaretas cruzam o caminho.

2013-03-11 10

Parada em Punta Ballena para ver a paisagem

Após um almoço que foi um verdadeiro assalto – R$ 86 dois pratos com arroz, bife (que mentiram que era filé) e batata frita – partimos, mas não sem antes encher o tanque para não dar zebra ao longo dos despovoados quilômetros da BR 471 até Rio Grande.

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As capivaras do Taim

Pela rodovia, se passa pela Reserva Ecológica do Taim, onde o limite de velocidade é 60 km/h – ainda que uns apressadinhos ignorem isso. Por lá, e até sem muita sorte, sempre se vê umas capivaras. Para as crianças é legal.

O dia de viagem terminou num fim de tarde em Pelotas, cerca de 250 quilômetros dali e após outras duas horas e pouco de estrada. Em meio a uma cidade congestionada, consultamos três hotéis na região central. O mais barato tinha a diária de R$ 150. Complica para quem pensa em passar só 12 horas. Dormimos em um hotel na estrada mesmo.

Fim de linha em Porto Alegre

Fim de linha em Porto Alegre

Dali, saímos bem cedo para rodar os meus últimos 280 quilômetros – o pai ainda seguiu mais 450 até Floripa. Em obras, a BR 116 parece que vai ficar bonita quando a duplicação terminar – por ora ainda exige um pouco de atenção. Já a chegada a Porto Alegre é em via duplicada, e assim vai norte afora.

Rápidas:
Ao longo da Ruta 9, paramos duas ou três vezes. E nos postos Ancap – a maior rede de lá – havia internet wifi. Algo um tanto impensável em muitos estabelecimentos do outro lado da fronteira.
Saímos do Uruguai em 11 de março. Coincidência ou não foi o último dia de validade do meu passaporte. Achei uma bonita homenagem a esse companheiro que já foi a cinco países comigo.
Ao todo foram sete noites, três países, inúmeras cidades em dezenas de paradas, cerca de 2,4 mil quilômetros rodados, centenas de fotos – muitas delas no Instagram meu e do pai – e boas

Diários de Motocicleta: Reflexões de Nogoyá a Buenos Aires

Amanhecer bucólico de Nogoyá

Amanhecer bucólico de Nogoyá

Parado à beira da estrada, imaginei que Nogoyá fosse uma cidade minúscula. De fato, grande não era, mas para pequenina assim não serve e conta até com um jornal de nome pomposo: o Nogoyá Times. Por ali moram cerca de 22 mil pessoas, que, vistas superficialmente, parecem manter aquele clima interiorano, onde pessoas circulam nas ruas em volta da praça e se cumprimentam nas ruas.

Algumas práticas comuns em cidades grandes, por exemplo, não pegam por lá. Uma delas é o uso do capacete. Entretanto – coisas de cidade pequena – o uso da motocicleta é completamente diferente do que há em metrópoles. Afinal, lá, uma moto leva duas, três, quatro pessoas – sendo a metade crianças às vezes. Irresponsabilidade? Sim, mas e se eles não passarem de 30, 40 km/h? Eles seriam eles mais irresponsáveis que boa parte dos motoboys que adoram beirar os 100 km/h na cidade? Bem-vindo à questão Nogoyá (e de Tacuarembó e acho que de tantas outras).

De volta à estrada, deixamos Nogoyá para trás em direção a Rosário, via Ruta 26 – e posteriormente a 174. Aí também trocamos de província: de Entre Ríos a Santa Fé. A estrada, além de não duplicada, tem um movimento mais acentuado que as anteriores. E aí já dá para se perceber duas características: argentinos gostam de correr. E nem sempre respeitam uma faixa contínua.

De Rosario a Buenos Aires se vai pela Ruta 9, uma via expressa duplicada até as proximidades da capital, onde, pouco a pouco, tanto o número carros quanto o de faixas vai crescendo, a velocidade aumentando e, quando a gente se dá conta, está em uma megaestrada com seis faixas, cujas velocidades máximas se alternam por pista, sendo a mais veloz de 130 km/h. Mesmo com o movimento, pouca gente tira o pé do acelerador.

Aí também me fez pensar em outra questão. Antes desta viagem, achava os argentinos motoristas totalmente imprudentes. Mas não é beeeem assim. Rodados mais de 500 quilômetros por três províncias a gente vê que eles são é acostumados, educados a correr, isso sim. Mesmo a 120 km/h, ultrapassamos pouquíssimos carros, praticamente só caminhões. No mais, precisávamos ceder espaço, porque atrás sempre havia um argentino mais rápido.

Não sei os índices dos acidentes por lá, mas fiquei com a impressão que se os brasileiros se metessem a correr daquele jeito teria visto alguns acidentes pelo caminho, o que não percebi por onde andei. O problema, claro, é quando eles fazem isso em outras rodovias, como as nossas, onde uma hipócrita placa de 80 km/h fica ao lado da rodovia para ser ignorada pela maioria. Falando nisso, não consigo entender o porquê das BRs terem um limite de velocidade tão inferior às rutas uruguaias e argentinas, tão semelhantes às nossas.

Rápidas

Longe da civilização, mas perto do wi-fi...

Longe da civilização, mas perto do wi-fi…

A atenção deve ser uma companheira dos brasileiros nas rutas argentinas. Até porque, alguns motoristas de caminhão, ao contrário dos daqui, piscam a esquerda quando a ultrapassagem é possível.
Apesar de serem um tanto isolados das cidades, todos postos de gasolina que paramos no trecho deste dia tinham conexão wi-fi de boa qualidade, por mais pé-sujo que o estabelecimento fosse.
O trecho deste dia teve quase 474 quilômetros. Se não passássemos por Rosario, a viagem diminuiria em 100 quilômetros.

Quer carona?

É aconselhável não se fazer isso, dirigir a moto com uma mão só pra segurar uma câmera com a outra, mas quem passa a vida inteira sem transgredir nenhuma regra? Eu não. Aí, para tentar passar ao máximo a sensação de se andar/viajar de moto a quem nunca foi, gravei dois trechos, oferecidos aí abaixo em ordem cronológica.

Primeiro, atravessamos a Puente Internacional General Artigas, que liga Paysandu, no Uruguai, a Colón, na Argentina – trecho que a gente falou aí embaixo. Após o pedágio, cruzamos o Rio Uruguay em pouco mais de dois minutos.

Olha aí:

Agora, a gente chega a Punta Ballena, na costa uruguaia. É lá que fica a Casapueblo, casa/hotel/museu/ateliêr do Carlos Paez Vilaró – local que a terá o seu devido post logo mais. De antemão, já recomendo: vale passar lá, especialmente ao fim da tarde. O pôr do sol compete bravamente com o de Porto Alegre pelo posto de mais belo do mundo. Pena que o vídeo não é nesta hora, mas dá pra ter uma ideia do quão legal é:

Diários de Motocicleta: Os 487 quilômetros de Tacuarembó a Nogoyá

Manhã ensolarada para se viajar

Manhã ensolarada para se viajar

Numa quarta-feira ensolarada, Tacuarembó ficou para trás. Não sem antes passearmos pela cidade sentindo o onipresente cheiro das parrilladas preparadas para La Fiesta de la Patria Gaucha. Nesta volta matutina pela cidade, descobrimos que os tacuaremboenses são muito fãs de motos. Há, em determinadas partes do Centro, espaços iguais para estacionamentos de carros e motos. Ainda que a velocidade de tráfego da cidade não seja lá muito grande, o capacete mostrou-se um acessório opcional.

A quem passar por lá rumo à Argentina #ficaadica: trocar dólar por peso argentino lá também é um negócio muito vantajoso: 1 Obama = 8,5 Cristinas.

No fim dessa manhã, após em abastecer num imperialista posto da Petrobras, Tacuarembó ficou no retrovisor. No horizonte, a Ruta 26, uma deserta e um tanto perigosa estrada. A vista é sempre a mesma: retão, verde pra um lado, verde pro outro, boi. Apesar de em boa parte a rodovia ter boas condições – suficientes a se andar a 120 km/h – o perigo ataca de três lados: o sono provindo do tédio; a falta de postos de gasolina em um trecho de quase 200 quilômetros; e as obras em algumas partes, que chegam a transformar a Ruta 26 num chão batido medonho.

La ruta y sus atractivos

La ruta y sus atractivos

Ao fim da ruta, burocracia

Ao fim da ruta, burocracia

Passados quase 230 quilômetros, chega-se a Paysandu, na fronteira com a Argentina. Antes da entrada da cidade, desviamos rumo à ponte internacional, onde há aduana, burocracia, pedágio e um free shop para consumistas. Somente na fila de lá, levamos uma meia-hora para vencer todos os trâmites e sermos liberados para cruzamos a ponte sobre o Rio Uruguai e chegarmos enfim à Argentina, em Colón. O objetivo do dia era ir até Rosário, a uns 300 quilômetros dali no rumo Oeste.

Depois de rodar um pequeno trecho na boa e duplicada Ruta 14, entramos na Ruta 39 e aí, numa pequena confusão por falta de estudo do mapas e da ausência de placas ao fim da Ruta 39, rodamos 60 quilômetros em vão. Com a perda de tempo e o fim da tarde, o jeito, então, foi dormir em Nogoyá, uma cidade com seus 22 mil habitantes, a cento e picos quilômetros de Rosário.

Rápidas
Ainda que tenhamos gastado 35 pesos uruguaios – uns R$ 3,50 – no pedágio da ponte internacional, os uruguaios, via de regra, liberam as motos dos pedágios. Em todas as outras praças, fomos orientados a passar pelo lado, sem pagar.
Muitos uruguaios atravessam a fronteira Paysandu/Colón para abastecer. O primeiro posto do lado argentino estava repleto… de carros do Uruguai. Mas esse intercâmbio só vale para gasolina. Uma placa na aduana avisa que é proibido ir para o outro lado e trazer produtos do supermercado, por exemplo.
O Google Maps NÃO SABE que há uma ponte em Paysandu. Se tu fores procurar o caminho deste post por lá, ele vai sugerir ir até Salto, ao Norte do Uruguai, e aumentar a viagem em mais de 100 quilômetros.

Diários de Motocicleta: Os 611 quilômetros de Porto Alegre a Tacuarembó

Ainda que tenha 27 verões completos, sendo oito deles com habilitação para conduzir motocicletas, esta foi recém a minha primeira grande viagem. Nas anteriores, o destino chegou por volta dos 100 quilômetros rodados.

Antes de pegar a estrada – sempre é bom lembrar – vale dar uma revisada no veículo, além de providenciar boas jaqueta e luvas de couro, afinal há milhares de insetos de variados tamanhos que não atravessam a rua quando a gente passa.

Nossa rota saía de Porto Alegre via BR-290 até Rosário do Sul, onde desviaríamos rumo a Livramento. De lá, pega-se a Ruta 5, que vai até Montevidéu, para andar pouco mais de 100 quilômetros e chegar a Tacuarembó.

No geral, todas essas rodovias estão em boas condições, apesar de a mão-dupla ser uma constante praticamente invariável. E já na segunda metade do trecho Porto Alegre-Livramento alcançamos o que seria uma prévia da viagem: o pampa. Reta, campo, vaca, ovelha, árvores, boi. Repita os ingredientes, sem a necessidade da mesma ordem. Eis o nosso cenário até a Argentina.

Em Livramento/Rivera, algumas constatações. 1) Gasolina do Brasil é mais barata. Consideravelmente mais barata: R$ 3,10 a R$ 3,90, por aí. 2) O câmbio sugerido pelo pessoal da aduana uruguaia era um paralelo, feito por um tiozinho com sua pochete. Apesar da desconfiança, seu preço tornar-se-ia um dos melhores oferecidos em toda a viagem, especialmente com o peso argentino – que escancara uma crise no país do papa. Era 8,68 pesos por dólar, quase o DOBRO do que se consegue no câmbio oficial em Buenos Aires. Para uma viagem de tiro curto como essa, faz diferença.

Da fronteira partimos a Tacuarembó. Na estrada cruzamos com muitos caminhões transportando as polêmicas madeiras que, creio eu, vão para a fábrica Botnia, que produz papel em Fray Bentos e fez Uruguai e Argentina brigarem feio em tribunais na última década. Pelo jeito, funciona a pleno hoje.

Muda o país, mas a não recomendação para crianças continua

Muda o país, mas a não recomendação para crianças continua

Rápidas

Enquanto para nós brasileiros a 51 é sinônimo de cachaça, para os uruguaios é cigarro. As carteiras de cigarro, por sinal, agora adotaram o alerta para as doenças causadas pelo fumo, o que já é corriqueiro no Brasil há algum tempo.
Apesar da área territorial pequena, o Uruguai é dividido em 19 departamentos, que equivalem a estados. Apenas neste primeiro dia, andando um pouco mais de 110 quilômetros estivemos em dois: Rivera e Tacuarembó.