Sobre os autógrafos verdadeiramente especiais

leonam

Meu primeiro contato com o jornalismo da PUC aconteceu quando eu tinha 17 anos. Era então mais um rapaz prestes a terminar o terceiro ano do ensino médio e às vésperas do seu primeiro vestibular. Um pessoal da universidade foi na escola onde estudava apresentar um pouco de cada curso.

Naquele fim de ano do já longínquo 2003, já havia me decidido pelo jornalismo, opção então diversas vezes confirmada em testes vocacionais – de que até hoje não me arrependo, apesar dos pesares. A apresentação que assisti só reforçou a ideia do que gostaria de me tornar.

Recordo que nessa ocasião leram uma crônica – que até não tinha muito a ver com o jornalismo em si – de alunos da Famecos em que o fio condutor da história imaginava uma utópica sociedade onde as pessoas para quem pediríamos autógrafos fossem professores e não jogadores de futebol.

Pois bem. Aquilo ficou na minha cabeça, porque tinha achado bem inusitado. Naquele momento tinha alguns professores por quem nutria admiração, mas jamais havia passado na minha cabeça pedir autógrafo a eles, ainda que dominassem como ninguém mistérios químicos e físicos, algo que realmente me faz tirar o chapéu até hoje.

15043406_346825149012805_3809828483396272128_n

Dos recados nas correções: sempre um aprendizado

Cinco primaveras depois daquele dia eu estava prestes a terminar outro ciclo. Já estávamos nós, colegas de Famecos, nos olhando com um princípio de saudosismo diante do fim da faculdade. Neste último ano, sem muita pretensão, organizamos um evento junto aos professores. Era o “Mestre Cuca”, que nada mais consistia em convidarmos alguns dos nossos mestres a preparar uma janta regada a boa conversa e álcool.

A ideia pegou e teve até professor oferecendo casa e data para cozinhar para nós que, modéstia à parte, formávamos uma turma muito legal, além de competente – ao menos na arte de beber socialmente. A cada período de tempo, em meio a um capuccino ou outro da Famecos, decidíamos quem seria o nosso professor. Consciente ou inconscientemente, deixamos o mais especial por último, Marques Leonam.

Quem teve aula com ele, certamente nutre uma admiração difícil de traduzir em palavras. Leonam tem um jeito peculiar de ser cativante, tanto em grupo quanto individualmente. Antes de ser um jornalista, é um repórter – e há uma diferença nisso. Lamento não encontrar mais gente parecida com ele no meio em que convivo.

Na noite dele, Leonam foi para um jantar como se fosse para uma aula, trazendo consigo sua já surradinha pasta cheia de papéis com o que ele transformava em pílulas do saber. Preciso confessar que Leonam foi o único que não cozinhou para a nossa turma. E ninguém se importou. O professor não pilotou o fogão para não ser atrapalhado entre uma história e causo ou outro.

E como praxe em todas as suas aulas, deixou conosco um desses papéis com uma mensagem. Foi quando, e aí não lembro quem começou, que reparei que ele estava assinando um a um deles, com uma dedicatória. “O autógrafo de um professor”, sorri, lembrando, então no fim do meu curso, daquele contato inicial com o jornalismo da PUC.

O encantador de pessoas

Atenção de uma plateia encantada

Nesse 6 de junho, mais uma vez, recordei daquela crônica. Troquei de horário no trabalho, encarei uma fila de mais de duas horas apenas para encontrá-lo e receber mais um autógrafo seu, agora no livro que conta sua história, com um justíssimo nome de “O Encantador de Pessoas”, escrito pelas jornalistas e ex-alunas Ana Paula Acauan e Magda Achutti.

O lançamento transformou-se numa noite de boas recordações e reencontro. Mas também uma noite em que me provou que bom é o mundo em que a gente prefere pegar autógrafo de um professor ao invés de qualquer jogador de futebol. E olha que essa certeza me vem às vésperas de uma Copa do Mundo.

***

A Famecos cobriu o evento e disponibilizou fotos neste link. Interessados em comprar o livro podem entrar em contato pelo e-mail mestremarquesleonam@gmail.com.

Anúncios