Foi para ser

(Ou Textos para o Laion 2)

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Foto do Cristiano Munari, repórter em Chapecó

Ainda não me sai da cabeça aquela defesa do Danilo. Foi aos 44 minutos do segundo tempo, quase à queima roupa, no reflexo. “Levei sorte”, admitiu ele próprio, minutos após o jogo. E não só esse derradeiro lance: noites antes houve quatro pênaltis de uma vez só que ele defendeu para garantir que a Chapecoense avançasse nesta histórica campanha. Quatro!

Tudo foi prólogo da heroica vaga na final e seu consequente e trágico destino. Fosse qualquer uma dessas bolas centímetros para um lado ou para o outro, mais forte ou até mais fraca; fosse uma decisão diferente, um reflexo não tem bem apurado… Talvez.

Nessa última noite ainda teve mais uma notícia lamentável. O avião não alcançou a pista por falta de combustível. Ele até tinha chegado ao destino, mas por conta de outros problemas de outra aeronave que saiu de outro lugar em outro horário, precisou ficar no ar um pouco mais. E aí, não deu tempo. Justo ali, já tão perto.

Não tive como não refletir sobre isso. Se antes foram centímetros, agora foram segundos ou minutos. Nem dez minutos, talvez nem cinco, poderiam ter feito toda a diferença. Ocorreu uma minuciosa equação de fatos, que desencadearam toda esta situação. Houve toda uma construção antes, iniciada coletivamente dias, meses, anos antes.

Do que nos cabe, de nada adianta revoltar-se com o acontecido. Simplesmente era para ter sido assim. Foi assim. O futuro do pretérito não altera nada. Resta agora torcer para que o presente de hoje vire reflexão àqueles propensos a cometer eventuais erros que apontados neste caso, como uma resignada menção honrosa a 71 histórias que trilharam diferentes caminhos para chegar ao mesmo destino. Na mesma hora.

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3 pensamentos sobre “Foi para ser

  1. É, meu irmão… mais uma vez o tempo… o tempo de mover um pé, o tempo de um sobrevoo, o tempo de uma leitura… só hoje consegui vir aqui, te ler. O tempo, é chave de tudo! E curativo de tudo também.
    Ele, tão sábio, alivia a dor, fecha a ferida, mas deixa a cicatriz… para que a gente nunca esqueça os cortes, mas lembremos sempre que até os mais profundos, com o tempo, serão mais memoráveis do que doloridos!!!
    Vai com Deus, amigo Laion.
    Fiquemos bem, amigo Tiago… de preferência o mais rapidamente possível. É assim que ele gostaria que estivéssemos!

  2. Pingback: Do reencontro | Telha do Tiago

  3. Pingback: O Brasil ainda não entendeu o carinho que recebeu da Colômbia | Telha do Tiago

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