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Pra que a urna passa por testes se o eleitor não vai à ela? | Foto: Nelson Jr /TSE

Vinte e cinco milhões setenta e três mil e vinte e sete pessoas. Quantidade de gente que, se fosse um país, formaria a 51ª maior população do mundo, mas que no Brasil representa pouco mais de 17,5% do eleitorado apto a votar. Apto, mas que, por algum motivo, não compareceu às urnas neste primeiro turno das eleições.

Apenas em Porto Alegre, 247.240 pessoas, seja por saúde, preguiça, viagem ou protesto mesmo deixaram de expressar sua opinião. Outras 135.295 foram até a sua urna, mas votaram em branco ou anularam sua opinião – ainda que isso não deixe de ser uma forma de expressão.

Anularam-se, então, 382.565 votos.

O total de gente que não votou ou anulou ou votou em branco quase supera a soma dos dois primeiros colocados na eleição de Porto Alegre. A diferença é de pouco mais de 16 mil votos. Ou, olhando-se para os outros, o volume de votos desconsiderados é maior que a soma do alcançado pelos outros seis candidatos que estiveram no pleito. E ainda sobrariam mais de 65,8 mil votos. É uma quantidade que decidiria a eleição, portanto.

Coincidência ou não, isso ocorre ao fim de uma campanha que mal se notava, tamanha eram suas limitações. Pouco tempo de TV, pouco dinheiro para se investir em material gráfico, pouco entusiasmo do eleitorado. Escrevi isso no mês passado e, semanas depois, um colunista de Zero Hora foi na mesma linha, dizendo que tinha saudade até dos incômodos cavaletes de outras épocas.

Teve gente que descobri que se candidatou ao ver a lista da apuração no site do TSE. Se, de fato, livrou Porto Alegre e outras tantas cidades de candidaturas aventureiras e oportunistas, o contraponto faz-se necessário: quantos bons legisladores ou até prefeitos não foram perdidos por total falta de espaço de debate?

A um eleitorado não acostumado a acompanhar de perto o noticiário político, as informações que chegam de modo geral dão conta apenas de escândalos, de Lava Jato, de desvios. Pouco ou nada se sabe de propositivo e quase todo mundo que foi preso é do PT, que, por coincidência também, encolheu bastante nesta eleição.

Soma-se ao caldo diversos candidatos não se rotularem como esquerda ou direita, dizer que estão em prol da cidade e não do partido. Sabe-se que não é assim que as coisas funcionam na prática. E se alguém se filia a um determinado partido, logo escolhe o lado daquela sigla, esteja ela no campo que for.

“Não há nada de errado com aqueles que não gostam e política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”, já dizia Platão. Bem antes de o Facebook ter virado o coreto da nossa praça.

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