Veterano

bola

A bola veio a feição, devo reconhecer. Após uma raríssima boa trama de passes, a bola finalmente se ofereceria em condições de um chute frontal com chance concreta de gol para o nosso time. E estávamos precisando, pois àquela altura sofríamos uma goleada em plena noite gélida de um sábado qualquer.

A tarefa não seria das mais difíceis a quem estava a menos de dois metros da bola – no caso, eu. Acelerar o passo e chegar chutando de peito de pé, para estufar as redes. Daquela distância azar era do goleiro. Fácil? Para quem nunca teve lá muita habilidade com os pés – motivo pelo qual pesou para migração ao gol – e sempre tentou optar pela velocidade, não seria complicado. Explosão muscular, apenas.

Porém, com 30 anos a comunicação entre cérebro e pernas talvez já não seja a mesma. Ou até é, mas a resposta, definitivamente, não. Fato que tentei correr, fato que inclinei o corpo para frente. E fato que caí sozinho, ralando o joelho que nem criança e sem nem ter a oportunidade de cavar falta, já que o marcador precisou pular para não acertar o corpo que se estendia no chão.

O futebol, às vezes, tem uma face cruel até para seus apaixonados seguidores. Principalmente aqueles que ingressaram na casa dos 30 anos e que, das arquibancadas dos estádios, adjetivam jogadores desta faixa etária como “veteranos”.

A bola pune, sempre.

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Um pensamento sobre “Veterano

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