Sem graça são os outros

charlie

Tudo está perdoado?

Longe de mim ser fiscal de opinião alheia em busca de coerência. Mas certos fatos teimam em chamar a minha atenção. O limite do humor é um deles.

Meses atrás houve comoção, cujo ápice cunhou a frase “Je suis charlie” como um símbolo tanto de protesto ante ao terrorismo como de um grito em prol da liberdade de expressão. Liberdade, inclusive, que não previa limites para o humor. Ataque ele quaisquer símbolos, sejam ou não sagrados para alguma religião, mesmo que ela tenha lá cerca de 1,5 bilhão de seguidores.

Não deixava de ser uma defesa a uma revista que, por conta de uma série de piadas que para 20% da população mundial soam sem graça e até ofensiva, foi vítima de um terrorismo bárbaro. E aqui ressalte-se: nada justifica o que aconteceu na redação da Charlie Hebdo naquele dia de janeiro de 2015.

Pois bem.

Passado esse tempo, em que o caldo político fervilhou o clima no Brasil, o esquete Porta dos Fundos, então adorado por boa parte do público. Público esse que faz o canal um dos principais casos de sucesso na internet brasileira – eles ganham dinheiro com conteúdo digital, algo que muito jornal grande aí não consegue.

Foi por conta do vídeo “Delação”. Há uma piada sátira contra a Polícia Federal, essa que há meses vem buscado um monte de petistas (e indiciado gente de uma gama de outros partidos também) em casa para levá-los à prisão.

Soou como um atentado terrorista virtual. Cobraram o fechamento do esquete, com tuitaço #RipPorta, campanha de boicote e tudo mais. Nos comentários, agressões e um palavras de um calão tão baixo que chega a ser negativo. Por quê? Por conta, veja só, de uma piada.

Faltou contexto, nos ataques. Disseram que eles se venderam, falaram em dinheiro via Lei Rouanet. Talvez nem tenham se lembrado que um de seus fundadores, Antonio Tabet, é um crítico feroz ao governo ou que em vários outros vídeos teve crítica forte a petistas em geral.

A questão ignorada foi o respeito a opinião alheia, à liberdade de expressão, algo defendido no “Je Suis Charlie”. Algo comum por esta época, afinal o inferno são os outros. Sempre.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s