Crônica dos 30

Já faz um certo tempo, admito. Não sei se foi bem neste dia, mas a data em questão é 2 de maio de 1991. Aniversário de 30 anos do meu pai. Mesmo com então cinco anos e quatro meses completados havia pouco, eu ainda aguardo vaga lembrança daquele evento, que é o mais antigo aniversário do pai que eu lembre.

Na verdade, o que me vem à mente se resume apenas a uma única cena: os amigos do pai na sala do apartamento em que morávamos, um bolo que, por ser escuro, deveria ser de chocolate e, o mais marcante: sem vela alguma nele. O que me fez refletir: será que as festas de aniversários de adultos, ao contrário das nossas, seriam tão chatas ao ponto do aniversariante sequer ter o direito de assoprar velas? Nem um parabéns a você? Estaria eu fadado a este destino dali a uns anos?

Eis que dias antes e começar a escrever este texto eu completei 30 anos. Se não tive um filho de cinco anos para me abraçar no dia recebi os cumprimentos de um sobrinho de dez (!) anos – que, se não me falha a memória, me deu parabéns pela primeira vez num aniversário  pessoalmente. Ao menos a primeira vez desde que ele tornou-se um guri, deixando a primeira infância para trás. Acredito que ele irá lembrar da data daqui a uns anos.

Particularmente gosto de fazer aniversário. Até por ser em uma data inóspita, na dita inútil semana entre Natal e Ano Novo. Acaba sendo a chance de rever grandes amigos, enquanto se bebe e se fala bobagem sem culpas ou pudores, tal como a vida poderia ser.

O problema, claro, é que completar aniversário implica em ficar menos jovem – ou mais velho, caso ache melhor, caro(a) leitor. Eu mesmo que não me importo tanto com esta questão da idade acabei parando para refletir um pouco sobre meu novo número e década: os trinta. Já posso ser considerado velho para algumas coisas, mas sou jovem demais para outras. Isso ao mesmo tempo em que também não sou (acho) considerado “homem de meia-idade” e apesar de “a vida começar aos 40”. Cara, que confusão.

O que talvez seja um fator positivo, visto alguns casos de amigos, é que completei 30 anos sem crises. Ainda que nestes dez dias já tenha arrancado um fio branco de barba – em nova batalha que venço numa guerra que hei de perder – está, sim, tudo bem com a nova idade. Aliás, às vezes até esqueço que estou numa nova década. E quando torno a lembrar a idade certa, não há dramas.

Talvez seja uma maneira mais amena de se levar a vida e se encarar novas situações, não sei. Mas sempre é melhor brindar a experiência nova do que lamentar a idade que ficou para trás, e que não voltará mais, queira ou não.

Por via das dúvidas, também é bom nunca deixar de festejar. Mesmo que o bolo dos 30 anos mais se pareça com um de três.

Trinta

A post shared by Tiago Medina (@tiagomedina) on

Anúncios

2 pensamentos sobre “Crônica dos 30

  1. Pingback: Triste equação. Ou momento confessional nº 14 | Telha do Tiago

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s