Aquilo que une Jose Mujica e Jorge Bergoglio

O século XX foi um marco na história da humanidade. Começamos andando a cavalo, quando muito, e terminamos com dois carros na garagem. Iniciamos com o telefone em priscas eras e, em 2000, já conseguíamos nos comunicar com gente do outro lado do mundo de forma instantânea. Entre tantos outros fatos, é claro.

Todas essas evoluções passaram por uma série de etapas, dentre as quais a pior face humana, a da guerra. E da guerra, sangrenta ou fria, saiu o modelo econômico mais consagrado entre nós, homo sapiens, o capitalismo.

Paralelo à discussão se é justo ou injusto e somado à exposição das redes sociais, invento já do século XXI e pelo qual todos somos obrigados a sermos felizes, em algum momento dos últimos anos aprendemos a apreciar o caro, a ostentação. Subjetivamente aceitamos que para se alcançar sucesso e felicidade é necessário o acúmulo de bens.

Mas duas personalidades latino-americanas nascidas logo nesta época destacaram-se em nível mundial recentemente, praticando justo o contrário. E o fato de terem nascido às margens do Rio da Prata que José Mujica e Jorge Bergoglio não passa de mera coincidência.

Em um mundo tão enfeitado a ouro, eles cultuam a simplicidade. Característica tão comum ainda hoje – ainda que invisível aos olhos de endinheirados – e presente na história humana, que vem bem de antes do século XX.

Taxado como presidente “mais pobre” do mundo quando esteve à frente do Uruguai, Mujica refutou o rótulo. Não se trata do culto à pobreza, mas sim da contestação ao poder do dinheiro, em que ele fala tão bem, acaba por roubar a liberdade. É uma mensagem simples, mas que tornou-se complicada de entender.

Figura pouco mais recente no cenário mundial, Bergoglio optou pelo pelo exemplo. Desafeiçoou seu alto cargo do ouro, dispensou privilégios. De privilegiado, tornou-se um comum. Aproximou uma instituição em crise das pessoas, graças a sinceridade de seu exemplo.

Exemplo este que vem desde o início. Ainda em 2013 espantaram-se pela escolha do nome Francisco, homenagem ao santo que abriu mão da riqueza, optando pela simplicidade. Houve pelo menos 265 papas antes que puderam ter escolhido este nome – 85 desde a canonização de São Francisco. Nenhum o fez, em dois milênios da igreja que começou com um menino que nasceu no presépio.

Em um mundo movido pela força de interesses econômicos, é bom ver líderes pararem para ouvi-los. E aplaudirem por eles falarem nada mais que o óbvio. Um discurso extremamente simples, mas que, ao longo da vida, acaba sendo esquecido pela pressa de trabalhar, de conquistar algo para chamar de seu.

Nessas duas figuras latino-americanas não é a pobreza – ainda que se insista em olhá-los assim – que chama a atenção, é sim a simplicidade. Por terem acesso ao luxo, dispensarem e serem felizes desta forma.

Mostram que ser simples é um dom que desaprendemos ao longo da vida. Mas que é genuinamente humano, e que dinheiro algum pode comprar.

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