Sobre crises e oportunidades

Tal qual praticamente todo mercado de comunicação do Rio Grande do Sul me peguei surpreso na manhã desta quarta-feira, 8 de abril, com a informação de que o Jornal O Sul matara a sua versão impressa para transpô-la aos meios digitais. O motivo: a recente alta do dólar (que até já deu uma baixada e também já foi mais alto no período da existência do próprio jornal), que tornou logística inviável.

Em outras palavras, mais uma vez a crise – sempre ela – estrangulou até a (ainda quase) morte mais um jornal impresso.

Crises, porém, podem ser vistas como oportunidades. E não é discurso vazio falar isso, tampouco charla barata de otimistas de plantão. Reinventar-se é difícil, mas uma arte. E se der certo vira exemplo a ser citado no futuro.

Pois o jornal O Sul, que em pleno 2015 não conta com um site amigável e muito menos registra uma presença relevante nas redes sociais (em pleno 2015!) aposta todas as suas fichas na “migração para a internet”, garantindo, ao mesmo tempo, que não fará demissões. Nunca estive na redação d’O Sul. Conheci, apenas na boemia, alguns de seus profissionais. Chuto, no entanto, que tenha algo em torno de seus 20, 30 jornalistas. Por baixo, não duvido que tenha até mais.

A migração anunciada, porém, não tornará o site nem algo próximo do modelo hard news – padrão de quase todos os jornais, inclusive dos concorrentes d’O Sul. O que é, para dizer o mínimo, uma pena.

Não sou guru nem sei prever o futuro, mas já tenho alguma experiência. E ela me diz que uma redação web com 20, 30 jornalistas exclusivos a esta plataforma digital poderia tornar qualquer empreendimento em quase uma certeza de sucesso de conteúdo. (Para captação de recursos, a situação segue difícil, em qualquer meio).

Com menos dinheiro do que se gastaria com a impressão diária de milhares de papéis, poderia se investir nos jornalistas que lá ficaram. Ensiná-los a trabalhar na web. Sem falar em patrocínio nas redes sociais, para recuperar o tempo perdido. Tudo por um custo infinitamente menor do que o necessário para colocar o jornal de papel na rua todos os dias, inclusive aos domingos – marca característica do periódico.

Propondo-se a oferecer apenas notícias de ontem em um formato cada vez mais ansioso por novidades, O Sul se arrisca demais no momento mais delicado de sua trajetória. E corre sério risco de ver a crise aumentar, deixando as oportunidades se perderem definitivamente.

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