O melhor resultado possível

Faltou bola na rede, mas foi um golaço. Duplo, ainda, valendo tanto para Inter quanto para Grêmio. Mas sobrou civilidade – algo que há muito não era visto na capital de latitude 30º S do Brasil. Que linda foi a torcida mista, em tons azuis e vermelhos, lado a lado no estádio.

Foto do Ricardo Giusti, roubartilhada do Correio do Povo, retrata bem o que foi o clima do Gre-Nal

Foto do Ricardo Giusti, roubartilhada do Correio do Povo, retrata bem o que foi o clima do Gre-Nal

Repito: que golaço! E isso num jogo que terminou 0 a 0 – talvez o melhor placar possível para este momento, o qual ainda não sabemos se essa iniciativa dará certo.

Há anos, não só em Porto Alegre, a situação vem se deteriorando quando o assunto é jogo envolvendo duas torcidas apaixonadas da mesma cidade. Para nos mantermos no campo futebolístico, a sociedade vinha de goleadas consecutivas na organização de clássicos. Lembro que na minha infância – que nem faz tanto tempo assim – a torcida rival ocupava quase metade do estádio. Atualmente não são 2 mil torcedores do outro time. E isso num local onde cabem 50 mil.

E, de uns anos para cá, esta minoria tem sido barulhenta. Pudera, ao longo do tempo foi se reduzindo tanto o espaço dos torcedores rivais que, muitos do que iam, não tinham como objetivo principal torcer por um lado, mas sim confrontá-lo. Seja com gritos ou com quebras de patrimônio e troca de agressões.

O que aconteceu no Gre-Nal 404 remeteu à Copa do Mundo, ao saudoso Caminho do Gol, um trecho de alguns quilômetros onde as torcidas foram, lado a lado, até o estádio. Cobri a Copa in loco em Porto Alegre e te garanto, caro(a) leitor: nunca foi tão legal viver e morar em Porto Alegre quanto naqueles 15 dias mágicos de futebol e integração.

caminho do gol

Caminho do Gol: a principal marca da Copa em Porto Alegre se tornando legado da cidade

Nesse domingo, 1º de março de 2015, aconteceu de novo. Só que desta vez ainda mais legal: gremistas e colorados – cujas paixões dividem famílias e amigos puderam enfim voltar a caminhar juntos em direção ao estádio. Sem cair no maior dos clichês, mas já caindo, dá para dizer: a esperança (de civilidade) venceu o medo (da barbárie). E não é exagero falar em barbárie quando pessoas se agridem por causa da cor da camiseta.

Havia, no entanto, certo receio na cidade desde que a medida fora anunciada, no mês passado. Muitos disseram que não daria certo, que haveria briga generalizada, que seria uma tragédia, daria morte. Eu apostei no contrário, porque vi o que vi na Copa do Mundo. E também porque estou na minoria clubística da minha família e ainda assim consigo conviver em paz com meus tios e primos. Além disso aposto que a maioria dos porto-alegrenses ainda prefere torcer a brigar.

É claro que teve um pouco de confusão, que teve gente que julgou ser mais importante jogar uma pedra em direção à torcida rival do que simplesmente seguir seu caminho. O Gre-Nal teve 11 detidos e pelo menos dois feridos nesse conflito. Isso, porém, num universo de 40 mil torcedores.

Tratanto-se de Gre-Nal desses tempos recentes, nunca uma minoria foi tão minoria.

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