Missa de sétimo dia

Ironicamente, as mortes fazem parte da vida. E é necessário aceitar isso, porque mais cedo ou mais tarde, sempre chega um triste convite para um velório. Ato fúnebre de um ente tão ou nem próximo. Faz parte.

Em 29 anos já chorei, com mais profundidade, a passagem de três avós e, mais recentemente, uma tia. Mas, apesar de toda a dor, evitei entrar junto no caixão. Não me permiti falecer, ser sepultado em vida. Ainda que às vezes seja difícil lidar com a trágica situação.

É claro, alguns têm mais dificuldades que outros – o que é outra característica inerente à vida –, mas procuro evitar o luto. Me dói, me entristece, contudo me esforço para não me deixar envolver. Luto contra o luto, com o perdão do trocadilho barato, fugindo da missa de sétimo dia, do evento in memoriam. No máximo vou ao bar e faço uma homenagem levantando um copo cheio como homenagem post mortem.

Rio da lembrança da vida que passou, o que não deixa de ser uma forma de tentar rir da morte, essa inevitável. Ao fim e ao cabo, acho que encaro a morte da mesma forma que aprendi a andar de bicicleta: procurando olhar adiante, mas sem nunca esquecer de quem me apoiou antes. A vida segue, anda pra frente.

À Magda Barros
(e todas as boas lembranças que deixou)

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Um pensamento sobre “Missa de sétimo dia

  1. É quase “beber o morto” como ainda é prática (remota) na região nordeste de nosso pluricultural país. Ângulos diferentes de se olhar a vida! Partilho de semelhante positividade necessária e benéfica aos homens de nosso tempo, onde impera o monarca do estresse diariamente! Minha filosofia é um pouco diferente: Durante a vida gosto de sorrir para as coisas boas, afinal todos queremos que momentos bons façam morada segura e duradoura em nossos corações. Aos momentos difíceis também procuro responder com alegria (De maneira nenhuma concordo com a música que diz que rir de tudo é desespero! Rir de tudo é estratégia para se vencer nessa vida! Essa aí é tão inevitável quanto à morte, parafraseando o amigo Tiago), porque se algo está ruim na vida de alguém, abalar-se só fará com que as coisas piorem! É preciso estar forte e controlando-se internamente para que haja a paz de espírito essencial para se reverter o que está ruim! Bom, disse tudo isso para chegar ao ponto que divirjo de ti: Apesar de crer, com base em minha religião, que boas vibrações auxiliam o espírito recém desencarnado, para mim é difícil nas primeiras semanas, no primeiro mês, manter-me bem! O luto me acomete!

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