A Geni gremista

Chamava-se Patrícia, tornou-se Geni. Até então mais uma torcedora entusiasmada, virou bode expiatório de um crime muitas vezes encoberto não apenas em sua arquibancada e sim também em tantas outras mundo afora. Trabalhava com odontologia, parece. Virou racista. E, por tudo o que foi comentado, uma mulher muito boa para se jogar pedras e cuspir.

Tudo por conta de uma fração de segundos em que passou exposta em rede nacional, ainda que a TV fosse fechada. Não mais que 10 segundos flagrantes de seu crime (e também de sua fraqueza) foram suficientes para condená-la. Aqueles dois gritos “MA-CA-CO” foram tão sonoros que dispensaram juízes e promotores. Perfeitos para um julgamento sem qualquer direito de defesa.

Para evitar um mal maior à instituição tão apaixonadamente defendida por milhares, era necessário sacrificar alguém. E isto foi feito já nos minutos seguintes à terrível cena. A moça fora exposta, humilhada na praça pública da internet. Tão preconceituosamente xingada, teve em suas costas toda a culpa de outros tantos que se safaram.

Tudo por conta de uns não muitos segundos de vídeo, a prova cabal do crime. Ainda que a primeira decisão de transmiti-lo tenha sido não-dolosa e sim flagrante, precisava terem reproduzido tantas vezes nas horas e nos dias seguintes? Agora fortalecida pelo valente anonimato da internet, a mídia nunca foi tão quarto poder como hoje.

Ao cabo de situações como essa, queremos mesmo julgar Patrícias ou apedrejar Genis?

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Um pensamento sobre “A Geni gremista

  1. Além do mais, o absurdo e sem precedentes resultado do STJD de excluir o Grêmio da competição, não só coloca esse crime como mais grave que homicídios acontecidos em passado nada distante no futebol brasileiro, como coloca a torcida inteira como bode expiatório para o Brasil inteiro de um crime cujas raízes estão na falta de educação e oportunidades que o Brasil mesmo deixa de dar a negros, índios, pobres e demais minorias de ocasião. Já está difícil vestir a camiseta do Grêmio acima da região Sul, visto a hostil recepção flamenguista no último jogo do Maracanã. Semana passada me perguntaram para que time eu torcia e disse: “Sou racista.” É isso o que o STJD quer com a decisão: generalizar. Portanto eu devolvo a pergunta: “E você é assassino que joga foguete nos outros ou é com privada mesmo?”. Quanto à Patrícia, ela errou, assim como muitos outros já erraram, e teve sua imagem, perfil de facebook, nome e sobrenome lançados para mídia sem autorização, igualzinho a um boi de piranha. Justiça seja feita: até um afrodescendente gritava “macaco” e somente ela foi “apedrejada e cuspida” covardemente. Acho que agora é muito mais ela que deve buscar justiça nos tribunais, e deve ganhar!
    QUANTA HIPOCRISIA!

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