Lições que ficam. Ou momento confessional nº 13

Em 1998, a Escola Rainha do Brasil, em Porto Alegre, era bem diferente. Ao contrário de hoje, por exemplo, as mesas para os estudantes não eram brancas, bonitinhas e padronizadas. Ao contrário.

Algumas das mesas eram bem escuras. Perfeitas para alunos que por ventura não sabiam o conteúdo das provas escrever nelas fórmulas e frases mágicas contra notas baixas. Tudo escrito a lápis só ficava visível olhando em um ângulo correto contra a luz. Uma camuflagem perfeita do grafite na madeira.

Pois teve um dia que tinha prova e eu não sabia o que iria cair. Esperto como me julgava decidi escrever alguns recados para mim mesmo numa das classes. Era, talvez, o que me garantisse uma na média, já que o tempo destinado ao estudo foi de certo usado em peladas de futebol.

Só que eu tinha 12 anos e era novo no colégio. E, pior, a prova era depois do recreio, tempo suficiente para comentar com alguns colegas sobre o meu plano perfeito.

Pouco antes do esperado – e temido – período da prova minha ideia foi posta em prática. Porém, por alguma razão, a professora veio ao meu lado. Não só isso: começou a procurar diferentes ângulos contra a luz para achar, entre insuspeitos desenhos infantis, algo comprometedor. Depois de quase dez intermináveis minutos, achou.

Não lembro bem das consequências, mas sim do constrangimento. E das lições aprendidas com apenas 12 anos: 1) não confiar demais naqueles que não se tem a certeza que são amigos; e 2) evitar publicar escritos que podem ser mal interpretados.

Lições, essas, que levo no meu dia a dia de jornalista hoje, 16 anos depois daquela prova de inglês.

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