A festa (não) imaginada na Copa

Uma miscelânea a caminho do gol

Uma miscelânea a caminho do gol

Mal era começo de tarde de domingo, 15 de junho. E eu estava muito animado, após umas duas horas já surpreendentes de trabalho pelo Centro de Porto Alegre. Precisei recorrer a um palavrão pra descrever (e compartilhar) o que sentia:

E estava achando aquela mistura de franceses, hondurenhos e gaúchos com pitatas de outras nacionalidades perdidas ali do caralho mesmo. Já nas primeiras horas efetivas de Copa, depois de ter conversado com os franceses que cruzaram a América para apenas viver o clima que sentia em meio àqueles passos, após ter falado com o guri que veio de moto do Equador e chorou ao conseguir um ingresso, percebi que minha cidade estava escrevendo um momento especial de sua história.

Orange Square, uma baita festa às 8h30min

Orange Square, uma baita festa às 8h30min

Isso que nem tinha visto os holandeses e australianos zerarem o estoque de cerveja do Mercado Público – e fazerem a festa na noite da Cidade Baixa. Que momentos! Nem sequer conhecia de perto a força da torcida argelina.

Ao longo de 15 dias foram cinco jogos ótimos em Porto Alegre. Mas, acima de tudo, cinco momentos de grandes histórias nas ruas, fora dos estádios. Histórias populares, gratuitas e cosmopolitas que só os grandes eventos são capazes de proporcionar.

Nessas duas semanas de Copa na minha cidade também me veio muito à memória o junho do ano passado, quando a rotina, ao invés de futebol, era cobrir protestos por intensos 20 dias – os quais boa parte foi mais estressante do que glorioso. Exato um ano e um dia antes da grande festa laranja no Centro, o Largo Glênio Peres e arredores teve uma noite muito tensa. Vivendo Porto Alegre nesses dois junhos pensei tantas vezes: que grande virada de astral!

Não creio que já exista um legado definitivo daquele povarel na rua em junho de 2013 – a ver a partir das eleições de outubro. Acho que, de movimento legítimo, as manifestações perderam o rumo a partir do momento que se deixaram levar (ou foram levadas) ao exagero da violência, ao radicalismo.

A Copa, até não muito tempo, foi um dos alvos principais dos manifestantes. Até com certa razão, visto as cifra$ envolvidas nas obras e os constantes atrasos dos calçamentos das ruas aos estádios. O bordão #nãovaitercopa somado a todo o clima impregnado pelas manifsetações certamente broxou muita gente, primeiro preferiu num primeiro momento ficar de fora e depois se arrependeu (lindamente expressado neste texto).

Afinal, aproveitar a Copa – ainda mais na oportunidade quase única de ela ser na sua casa – não significa virar de costas aos problemas da cidade, do estado do país. Nunca foi proibido ser, simultaneamente, um crítico político e apreciador de futebol e de grandes eventos.

A bola ainda nem parou de rolar, mas acho que de todos os gritos radicais-exacerbados do período pré-Copa sobressaiu-se justamente o de um comercial. De cerveja: “Imagina a festa”.

beira2

Beira-Rio, não mais que apenas mais um palco

De fato, que baita festa esta Copa!

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