Que Copa, senhores

“QUE festa, senhores.” Usei a frase anterior como legenda de um dos posts que fiz para o blog CP na Copa, um dos trabalhos que realizo na cobertura do Mundial para o Correio do Povo. E, de verdade, que grande festa que é uma Copa do Mundo. Bem mais que um dia eu teria imaginado, em especial um ano depois dos protestos de junho de 2013. Foi o que já deu para perceber em apenas uma semana de muito trabalho.

Dentre as muitas histórias a serem divididas, peço que reparem em duas primeiro: a do jovem Jhonatas Sanchez que, apaixonado por futebol, saiu da distante Machala, a 500 quilômetros de Quito, foi até o Uruguai e chegou a Viamão para enfim acompanhar de perto os treinos da seleção do Equador. Só aqui no RS, com 8 mil quilômetros de viagem e depois de várias tentativas, conseguiu um ingresso para assistir a seleção de seu país, em Curitiba. Valera a pena o esforço de um trajeto de dois meses – sempre contando com apoio de amigos e desconhecidos que lhe ofereceram abrigo ao longo do caminho.

Mas tão importante quanto a entrada para assistir o jogo foi o autógrafo recebido por Valencia, meio-campo do Manchester United e destaque da seleção. “Creio que cumpri com algo que sempre quis, que era conhecê-lo, conhecer a equipe”, disse-me Jhonatas, antes de suspirar visivelmente emocionado com o autógrafo no peito. “É uma alegria que não dá para mensurar. Dirigi por tantos quilômetros e chegar aqui e finalmente ver para mim é uma grande alegria.”

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Jhonatas raramente vê o time do coração no estádio, mas atravessou o continente pela seleção | Foto: Mauro Schaefer

Dias depois encontrei uma dupla de franceses que veio de carro desde Lille, no Norte da França, até Porto Alegre. Para realizar a viagem, Eric Carpanties e Pierre Pitoiset fizeram o velho e customizado Citröen atravessar o Atlântico de navio e desembarcar no Canadá. De lá até o Sul do Brasil foram 15 países de viagens e histórias ao longo de quatro meses.

A Copa, porém, foi só uma desculpa para a viagem. Eles sequer foram assistir o jogo entre França e Honduras, que seria realizado horas depois de estarem posando com o carro para fotos em frente ao Mercado Público de Porto Alegre. “Hoje o futebol está com muito marketing, patrocínio, essas coisas. Mas queremos mostrar este lado social, esta integração toda”, contou-me o Eric, em espanhol. Sabido das coisas, ele garantiu com propriedade: “A festa é mais importante”.

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Para que ver jogo no estádio se é fora dele que se passam as melhores histórias?

E é. Que baita Copa! Que festa, senhores.

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