Obrigado, Fabiano

fabianoNão gosto de escrever sobre pessoas logo após a morte delas. De maneira íntima, deixo as lembranças se solidificarem para então, com uma espécie de memória definitiva, dedicar uma última homenagem.

Mas o Fabiano merecia, ainda que eu não quisesse escrever. Ainda que esteja meio assustado e revoltado com a violência que o forçou a deixar tão cedo o convívio com a sua família e com seu trabalho na Prefeitura de Porto Alegre.

A Prefeitura foi onde iniciei meu primeiro estágio fora da faculdade, onde o conheci e o vi se transformar de chefe em amigo ao longo de poucos meses. Um dos dois que citei na dedicatória da minha monografia: “Ex-chefe, que logo se tornou amigo e hoje é colega”

Soube da sua morte ainda na madrugada pós-crime. Vi um tuíte suspeito, cliquei no link torcendo para que não fosse a notícia trágica que já imaginara. Era. De pronto um sorriso se foi.

Recuperei na memória momentos em que ele me marcou. Entre um punhado de aprendizado, três grandes episódios, sendo um deles para evitar confusão em uma tarde propícia para isso. “Deixa eles”, ele me disse.

O Fabiano também foi o primeiro cara que apostou na minha carreira, “me promovendo” no estágio, com direito a uma dedicatória inesquecível que guardarei para sempre. Com muito carinho. Se hoje cheguei onde estou, muito se deve aquela promoção.

De 2007 para cá, por conta da vida, perdemos bastante de contato. Eu segui meu rumo profissional, enquanto ele permaneceu na Prefeitura. Muitas das nossas interações estão registradas neste blog – o qual até hoje ele é o leitor que mais comentou nos posts daqui.

Mesmo que entenda perfeitamente que esse afastamento seja parte da vida, é triste pensar que não é possível mais conversar com ele, em qualquer encontro por acaso nas pautas da vida. Abri a caixa de mensagens no Facebook, nenhum registro. E sempre tivemos bastante a conversar – e eu a aprender.

Ainda que a trajetória tenha cessado no meio do caminho, descansa em paz, meu amigo.

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Um pensamento sobre “Obrigado, Fabiano

  1. Realmente estamos perdendo nessa guerra insana .Sou amiga da família.Da Măe do Fabiano,lamentavel a forma brutal como esta nossa segurança.Vivemos uma guerra civel năo noticiada pelos orgăos de comunicaçăo.Abraços.

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