Camisa 1

Por Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues: “Só o arqueiro tem que ser infalível”

Não entramos em campo para ajudar a fazer a fama de qualquer atacante de penteado esquisito e brinco na orelha. Viemos para estragar a festa. Somos a antítese do futebol, somos goleiros.

Se o jogo é coletivo, a nossa disputa mesmo é individual. Temos que acertar quando todo mundo já ficou para trás. Assim como a camisa 1, carregamos a última esperança, o último suspiro.

Nossa festa é individual. E ela não combina com bola na rede. Está na surpresa geral, no espantado “uh” da torcida, na decepção do rival. Vivemos e zelamos pelo zero no placar.

Mas nem sempre é possível. E quando a bola passa dói, porque todo goleiro sempre acredita que é possível defendê-la. Às vezes falta um salto, um passo, um centímetro. Às vezes falta.

Ainda assim, no que depender de nós, operamos o impossível, desafiando a física, o tempo, o espaço e, principalmente, os adversários. Somos bruxos – a grama não nasce sob nossos pés por acaso – e realizamos milagres em frente a multidões de desconhecidos. Alguns até nos chamam de santos. Outros, não.

Seguramos o grito de gol de quem quer que seja em garganta alheia que não vista as nossas cores. É aí o nosso ápice, a nossa comemoração. Uma alegria estranha e solitária. Tanto quanto nós, os goleiros.

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