Memórias de um reino distante

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Desfile antes da música

Monarquias não me pertencem. Para mim, é um substantivo empoeirado, de séculos passados. E isso que vivo num país que adora umas coroas, tendo um rei só para o futebol, outro da músico e sem contar uma rainha dos baixinhos e agora um para camarotes (!). Imagino que o pessoal da minha idade pense assim também e, por mais que não tenha opinião política bem definida ou que não tenha tido a oportunidade de votar naquele plebiscito de 20 anos atrás, com certeza é amante da democracia mesmo sem saber.

Entretanto, é fascinante o poder que monarquias ainda exercem sobre plebeus em geral. Menos mal que não as absolutistas que ainda existem por aí, mas algumas têm um que magnetizantes. Em especial a família real inglesa. Em especial os protocolos que os cercam. E isso vende.

Era um fim de manhã meio abafado de domingo quando lá estava eu de frente para o Palácio de Buckingham para ver… a troca da guarda. Para os meus padrões, cheguei cedíssimo, mais de hora antes do horário marcado da cerimônia. E já estava cheio. Gente se amontoando nas grades ou no monumento em frente, todos para ver uma dúzia de jovens tocando músicas ao estilo banda marcial e executando algumas manobras de ordem unida – algo que eu já fiz muito quando servia ao quartel.

guardas (2)

Mas, ok,uma vez na vida, é legal.

Ver de perto algum integrante da família real é algo raro, imagino. Porém, a coroa e faz presente espalhada por Londres, esse lugar que faz questão de registrar (e manter) suas datas e heróis. Ao longo de quatro dias de muitas caminhadas por lá diversas vezes me deparei com placas lembrando que Elizabeth, The Queen, esteve em tal dia de tal ano, fomentando uma tradição, lembrando daquilo que se torna memória.

Ainda que haja certo apego com os monarcas (o que não é unânime, ressalte-se), Londres está longe do que se pode chamar de uma cidade velha, apesar de seus quase 2 mil anos. Reflexos não só da modernidade como de um ar futurista contrastam com a tradição inglesa. Aos poucos, talvez um tanto a contragosto de seus habitantes, a cidade vai recebendo arranha-céus envidraçados, que se destacam no horizonte, tal como o novo estádio de Wembley, reformado há seis anos. Ou então o Shard London, um baita cone no centro da cidade.

panoramica

Big Ben: 1859; London Eye: 1999

Em meio a esta mistura arquitetônica, uma gente plural. Hoje, 40% dos moradores de Londres não são de Londres. E percebe-se facilmente isso ao andar pela cidade em algum coletivo ou metrô. Uma salada de sotaques e idiomas se mesclam ao dia a dia do pontual inglês. Alguns locais não gostam e preferem deixar a cidade Natal para viver nas cercanias, indo à capital apenas a trabalho.

A tendência, no entanto, é favorável à miscelânea, que deve aumentar com a entrada dos ex-soviéticos Bulgária e Romênia na eurozona a partir de 2014. Muito mais que um cartão postal, a terra da Rainha é uma terra de oportunidades para um sem número der pessoas. De várias regiões do planeta.

E, por falar em rainha, nem mesmo a coroa faz com que o tempo passe. Resta envelhecer com dignidade. Até nas moedas:

moedas

A de cima é 1981; a segunda é de 1994 e a terceira – e atual – é de 1999

 

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2 pensamentos sobre “Memórias de um reino distante

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