Reflexões e lembranças em meio à chuva

Genial foto do Daniel Cassol, via Twitter @dbcassol

Genial foto do Daniel Cassol, via Twitter @dbcassol

Hoje é 11 de novembro de 2013, uma segunda-feira. Chove forte desde a véspera em Porto Alegre. Parece que vai chover mais do que a média mensal nessas 24h, dia de #AlertaPOA Para variar, minha cidade virou um caos, em muitos sentidos. Dentre eles, o mais especial é o trânsito. É sempre assim.

Como todo brasileiro, o porto-alegrense em geral adora carro. “É questão de statis”, diria um meme. Transporte público – que até nem acho tão ruim quanto dizem – é considerado coisa de pobre. Já as bicicletas, pouco a pouco, estão ganhando seu espaço – ironicamente, desde que um motorista maluco e estressado atropelou 17 ciclistas, jogando holofotes à causa. Mas as magrelas ainda  são incipientes por aqui.  Resultado: milhares de carros engarrafados todos os dias. Até nos secos.

Culpa do aquecimento global ou não, fato é que, pelo menos uma vez no ano, ouço/vejo/sinto a sentença “choveu (quase) um mês inteiro apenas em um dia em Porto Alegre”. Sempre é caos. E culpar São Pedro por todo o infortúnio acaba sendo muito fácil. Em dias de sol, contudo, a cidade não se prepara – da mesma forma que não se preparou bem anos atrás. Esbarra em burocracias mil, em falta de vontade (ou às vezes confronto) política(o).

Tudo aqui é assim: se a boa ideia é de A, o B é contra. E vice-versa. Uma cidade – na verdade um estado inteiro – fica no meio disso. À mercê disso. É a velha mania dualista gaúcha, que se arrasta – e atrasa – há séculos estas terras.

T2 londrino e ciclista, lado a lado

T2 londrino e ciclista, lado a lado

Lembro, então, que conheci Londres e algumas cidades da Alemanha há pouco mais de dois meses. Cheguei a escrever que o transporte público de lá é algo incomparável com o daqui. Da mesma forma saliento que a capital inglesa mentiu para mim com seu tempo bom e que uma viagem de férias não pode servir como embasamento definitivo em uma comparação com onde se vive.

Devem haver sérios problemas por lá, com certeza. Mas, imagino eu, a mobilidade deve ser um dos menores, muito por causa de sua grande variedade (ônibus, VLT, metrô, trem, bicicleta etc) de opções. Obviamente não é imune a hecatombes de chuva, é claro. Mas sem dúvida até isso é bem mais resistente que o nosso.

Aqui em Porto Alegre, antes de sair de casa leio no Twitter relatos irritados de amigos meus, todos atrasados para o trabalho. Alguns dentro de seus carros, outros parados em ônibus ou lotações. O sistema está em colapso de novo, depois de aliados a falta de perícia dos nossos motoristas com a falta de estrutura das nossas ruas. A segunda-feira continuará complicada.

Meses atrás houve os famosos protestos de junho, que tiveram como bandeira principal o transporte público. Seu próprio bordão marginalizava o movimento, o transporte público: “Somos do povo e a passagem os ricos vão pagar”. Pouco a pouco, os protestos ganharam cada vez mais violência e perderam apoio… da população.

Lembro dos dias pós-protestos, também. Muito lixo acabava ficando na rua mesmo. Assim como muito lixo é jogado diariamente no chão, um tanto por falta de lixeiras por perto, um muito por causa da nossa porquice mesmo. Boa parte deste lixo entupiu há pouco as bocas de lobo que recolhem a água em excesso e ficou à mostra, boiando no maior arroio da nossa capital. As pessoas aproveitam a tranqueira e, assustadas dentro dos ônibus, tiram fotos. É sempre assim.

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