Daquilo que a gente vive

Mercado Não completei nem cinco anos de carreira ainda. E bem como me avisavam lá pela época da minha formatura – no glorioso 9 de janeiro de 2008 – que o jornalismo é um ofício único, apesar de ele nos testar com frequência ao longo do tempo – seja pela pressão, por uma fonte mentindo ou, principalmente, pelo salário ao fim do mês.

Ser jornalista é maravilhoso e ao mesmo tempo deprimente. É ter acesso a muita coisa e saber sobre muitos bastidores e, por vezes, não poder escrever uma linha sobre o assunto. Mas, acima de tudo, é poder ser testemunha ocular da realidade levando informações, boas e más, a milhares diariamente.

E é, em determinados casos, ir para o trabalho sem ter hora para voltar.

O ano de 2013, que nós recém chegamos ao seu segundo semestre, já me foi muito marcante por – até agora – duas coberturas em especial (além de um grande aprendizado). A primeira na madrugada de 28 de janeiro, em que bati meu ponto às 23h de 27/01 na redação e sai quase com o sol nascendo.

Não estive perto de Santa Maria, cidade que nem conheço, mas creio que naqueles dias Santa Maria estava presente em todos nós. Ter que prestar atenção em todo relato de vítimas, testemunhas e autoridades, editar cada texto enviado, me fez quase chorar ao longo de horas solitárias na minha mesa. Foi difícil ser repórter quando todo mundo a volta era humano. Doeu muito aquela melancolia infitina.

Mercado (3)A segunda forte e inesperada cobertura foi poucas horas antes de eu escrever estas linhas. Ouvi no rádio incrédulo que o Mercado Público de Porto Alegre pegava fogo. Muito fogo. Poucos minutos depois deixava a redação literalmente correndo em direção do prédio histórico, distante a cerca de 500 metros do jornal.

Com certeza arregalei os olhos quando vi a primeira labareda muitos metros mais alta que o telhado. Enquanto deixava escapar um “Puta que pariu” incrédulo, avancei. O Mercado Público ardia em chamas havia pouco mais de 25 minutos naquele momento em que cheguei.

Nunca fui um frequentador assíduo do Mercado Público – e até me cobro um pouco por isso, porque aquele prédio amarelo é um dos principais símbolos da minha cidade. Mas enquanto batia fotos e gravava vídeos me veio uma grande tristeza, sentimento compartilhado por bombeiros e outros com quem conversei por lá. Era como assistir a derrocata de um bom e velho amigo.

Mercado em chamas

Na hora, reparei nas pessoas em volta. Acho que o sentimento era parecido ao ver aquele pavilhão sendo consumido por labaredas de hoolywoodianas. Numa cidade que tem vivido tantos conflitos de ideais, uma causa unia a todos: a tristeza. Fui, mais uma vez, testemunha ocular da história.

Entre fotos, vídeos, impressões e ligações me peguei trabalhando arduamente e arrepiado outra vez, tal como em janeiro. Coisas que a reportagem proporciona.

Outra vez muido apenas com um celular, fiz essas fotos e gravei estes dois vídeos:


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2 pensamentos sobre “Daquilo que a gente vive

  1. Porto Alegre nao tem nem bombeiros porque se vê que estes caminhoezinhos nao conseguiriam apagar nunca este tipo de incêndio. se nao fosse a chuva que caiu estaria queimando até hoje! E tem que reformar e deixar igualzinho comp era antes. O Mercado é pra quem anda de ônibus, nao precisa de nenhum carro estacionado por ali.

  2. Pingback: Meus cinco anos como jornalista. Ou momento confessional nº 12 | Telha do Tiago

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