Um lado obscuro de Buenos Aires

61 anos após sua morte, Evita segue sendo vista em Buenos Aires

61 anos após sua morte, Evita segue sendo vista em Buenos Aires

Vive-se um daqueles momentos políticos que será muito estudado futuramente na Argentina, o Kirchnerismo. Iniciado pelo já falecido Néstor e continuado por sua esposa Cristina. Este período termina, se não houver mortes, golpes de estado e coisas do gênero, no mínimo em 2015, e por certo não passará desapercebido. Deixará tanto saudosistas quanto críticos ferozes, tal qual ao Peronismo.

Estando por lá, observa-se cartazes e pichações pró e contra a Cris, que para alguns é uma sucessora de Evita Perón. No meio disto, puxo um papo aqui, outro ali e tiro lá minhas opiniões. Das vezes que já estive fora do Brasil, aprendi que taxistas podem ser boas fontes. Ao menos um deles me deu uma boa aula de Argentina, escancarando a divisão política nas ruas portenhas.

La villa

Kirchners

Kirchners

Num fim de tarde, ele começou a disparar seus mísseis contra a atual moradora da Casa Rosada no momento em que passávamos ao lado de uma imensa vila, localizada ao fim da avenida 9 de Julio, próxima também à Estação de Retiro. É algo realmente grande, com malocas à beira da estrada e “puxaditos” de até três, quatro andares.

No ponto onde está, a favela inclusive interrompeu a construção de um viaduto, do qual restou o esqueleto em concreto e vigas, indicando onde teria ficado a pista se fosse concluída. Pelo Google Maps dá para se ter uma ideia, ainda que a foto não seja nova.

Conforme o motorista, a população que mora na tal vila é formada basicamente de imigrantes bolivianos e paraguaios, que chegaram a Buenos Aires em busca de uma vida melhor e hoje vivem à margem da cidade. Casualmente, segundo o motorista, receberam de Cristina a cidadania argentina às vésperas da eleição de 2011. Com a cidadania, o direito de votar (nela).

Curioso, não? Pois, disse ele, outras práticas aconteceram por lá, que me remeteram a um passado não tão distante (ou a locais um tanto remotos, sem muita fiscalização). Algo do tipo dar um pé de sapato antes da eleição e, se for o caso, o segundo – se a chapa obter vitória, é claro.

La pintura

Ao longo de uma lenta e trancada 9 de Julio, onde o trânsito estava caótico devido a construção de um corredor de ônibus, uma quantidade de mendigos se aglomerava entre as vias. Em um tom crítico-melancólico, o taxista lamentou que eles não têm a devida assistência.

Enquanto isso, no trânsito, outros tantos motoqueiros cruzavam por nós, levando o capacete no braço e deixando cabelos ao vento. Fiscalização, conta o taxista, só existe no fim do mês: “É quando eles estão precisando arrecadar dinheiro”, explicou. No restante dos dias, em plena capital federal, não é raro ver as pessoas circulando de moto como bem entendem – inclusive nas ciclovias que estão sendo instaladas pelas ruas.

“Mas e aquele policial ali, não faz nada?”, perguntamos. “Que policial? Aquilo é uma pintura na parede”, ironizou.

Tomem-na

Tomem-na

Rápidas
Sei explicar tanto de economia quanto um jogador de futebol trata de teoria da relatividade. Porém imagino que congelamento de preços não é sinal de uma economia salutar. Imagino que seja para barrar a inflação. Mas acho que não tem adiantado muito. Em 2011, andei de metrô em Buenos por 0,90 pesos. Em 2013, a mesma passagem saiu por 2,50.
Mesmo com o congelamento de preços, o Clarin fez uma matéria sobre o assunto no mês passado, apontando alguns produtos que estão ultrapassando a “barreira psicológica” dos 100 pesos. Um quilo de sorvete e duas entradas para o cinema 3D já são citados.
A piauí deste mês corrobora com o taxista, oferecendo uma matéria, assinada por uma periodista argentina, que trata do enriquecimento Kirchreniano. Vale ler, como toda a revista. Já o Ariel Palácios é um baita correspondente na Argentina. Além de escrever para o Estadão e comentar na Globo News, ele tem Twitter

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Um pensamento sobre “Um lado obscuro de Buenos Aires

  1. Pingback: La inflación en tiempos de crisis | Telha do Tiago

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