O novo e o velho na mesma Buenos Aires

Amanhecer em Buenos Aires

Amanhecer em Buenos Aires

Para um brasileiro em geral – no caso um porto-alegrense como eu – caminhar por Buenos Aires é algo intrigante. Moram, em cada canto, muitas histórias por ali. Nas calçadas, nas pichações de protesto dos muros, nos cafés tão espalhados por lá. Não que nas nossas ruas não haja história, mas a grande diferença é que nas bandas do Rio da Prata ela está mais presente aos olhos e ao cotidiano.

Por mais carros, por mais poluição, ainda tenho a impressão que viajo a um tempo paralelo quando estou caminhando em Buenos Aires. Um tempo meio antigo e meio novo. E acho essa sensação fantástica. Em poucas dezenas de metros cenários seculares e as ofuscantes luzes da 9 de Julio, a “Times Square da América do Sul”.

Amigos estáticos

Amigos estáticos

Buenos Aires também chama a atenção por seu grande número de monumentos, alguns grandiosos, outros nem tanto, a generais nacionalistas, escritores, desconhecidos, anjos e tantos outros ícones que fizeram a história em algum momento e hoje compõem o cenário portenho.

Porém, essas construções, que tanto fazem parte da atmosfera bonaerense, por onde andam nos dias de hoje? Sinal dos tempos: em época de tantas reivindicações, quem é que vai gastar dinheiro público com estátuas? Há de se ser um político corajoso – e sem grande oposição para se fazer isso.

O próprio Néstor Kirchner, amado e odiado por lá, deve ter mais representações em muros pichados do que bronze ou concreto na capital – na Patagônia a imagem dele vive.

Casa Rosa e o exemplo da arquitetura antiga

Casa Rosa e o exemplo da arquitetura antiga

Transfira essa reflexão agora para a arquitetura. Imagino que nunca mais uma construção como o imponente Palacio del Congreso Nacional – que ganha ares ainda mais bonitos nos fins de tarde. O prédio foi concluído em 1906 após oito anos de obras, será repetida. Em Buenos Aires – e Montevidéu e Havana e outros tantos lugares – é lindo ver prédios com assinatura de seus mentores, remetendo a alguma década inicial do século passado. É a história nas ruas.

Já discuti essa “evolução” da arquitetura com alguns amigos. Questionei o porquê de hoje tudo ser mais reto, compacto, sem graça, sem vida. “É o modernismo”, me explicaram. Ok. Mas pensar que, ainda assim, nesta época de tanta economia, acaba se gastando mais de R$ 1 bilhão em um estádio de futebol numa cidade que não tem nem grandes times… Complicado.

Rápidas
Outra coisa que gosto muito em Buenos Aires é a vida em movimento dia e noite. Na quinta-feira que chegamos, perto das 23h, a Praça do Congresso estava cheia de crianças, cachorros, esportistas, transeuntes em geral. Nas ruas, movimento. Era a vida, como tão bem sugeriu a escritora Carol Bensimon a Porto Alegre dia desses.
Mas nem tudo são rosas. Apesar de tanta coisa legal nas calles bonaerenses, também há muita sujeira. E descuido com o próprio símbolo nacional. Quando estivemos lá, a bandeira da praça do Congresso – a meio-pau por Chávez – tremulava exibindo um enorme rasgo. Não deixa de ser uma metáfora para o atual momento de crise do país.

¡Por la patria!

¡Por la patria!

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