Diários de Motocicleta: Reflexões de Nogoyá a Buenos Aires

Amanhecer bucólico de Nogoyá

Amanhecer bucólico de Nogoyá

Parado à beira da estrada, imaginei que Nogoyá fosse uma cidade minúscula. De fato, grande não era, mas para pequenina assim não serve e conta até com um jornal de nome pomposo: o Nogoyá Times. Por ali moram cerca de 22 mil pessoas, que, vistas superficialmente, parecem manter aquele clima interiorano, onde pessoas circulam nas ruas em volta da praça e se cumprimentam nas ruas.

Algumas práticas comuns em cidades grandes, por exemplo, não pegam por lá. Uma delas é o uso do capacete. Entretanto – coisas de cidade pequena – o uso da motocicleta é completamente diferente do que há em metrópoles. Afinal, lá, uma moto leva duas, três, quatro pessoas – sendo a metade crianças às vezes. Irresponsabilidade? Sim, mas e se eles não passarem de 30, 40 km/h? Eles seriam eles mais irresponsáveis que boa parte dos motoboys que adoram beirar os 100 km/h na cidade? Bem-vindo à questão Nogoyá (e de Tacuarembó e acho que de tantas outras).

De volta à estrada, deixamos Nogoyá para trás em direção a Rosário, via Ruta 26 – e posteriormente a 174. Aí também trocamos de província: de Entre Ríos a Santa Fé. A estrada, além de não duplicada, tem um movimento mais acentuado que as anteriores. E aí já dá para se perceber duas características: argentinos gostam de correr. E nem sempre respeitam uma faixa contínua.

De Rosario a Buenos Aires se vai pela Ruta 9, uma via expressa duplicada até as proximidades da capital, onde, pouco a pouco, tanto o número carros quanto o de faixas vai crescendo, a velocidade aumentando e, quando a gente se dá conta, está em uma megaestrada com seis faixas, cujas velocidades máximas se alternam por pista, sendo a mais veloz de 130 km/h. Mesmo com o movimento, pouca gente tira o pé do acelerador.

Aí também me fez pensar em outra questão. Antes desta viagem, achava os argentinos motoristas totalmente imprudentes. Mas não é beeeem assim. Rodados mais de 500 quilômetros por três províncias a gente vê que eles são é acostumados, educados a correr, isso sim. Mesmo a 120 km/h, ultrapassamos pouquíssimos carros, praticamente só caminhões. No mais, precisávamos ceder espaço, porque atrás sempre havia um argentino mais rápido.

Não sei os índices dos acidentes por lá, mas fiquei com a impressão que se os brasileiros se metessem a correr daquele jeito teria visto alguns acidentes pelo caminho, o que não percebi por onde andei. O problema, claro, é quando eles fazem isso em outras rodovias, como as nossas, onde uma hipócrita placa de 80 km/h fica ao lado da rodovia para ser ignorada pela maioria. Falando nisso, não consigo entender o porquê das BRs terem um limite de velocidade tão inferior às rutas uruguaias e argentinas, tão semelhantes às nossas.

Rápidas

Longe da civilização, mas perto do wi-fi...

Longe da civilização, mas perto do wi-fi…

A atenção deve ser uma companheira dos brasileiros nas rutas argentinas. Até porque, alguns motoristas de caminhão, ao contrário dos daqui, piscam a esquerda quando a ultrapassagem é possível.
Apesar de serem um tanto isolados das cidades, todos postos de gasolina que paramos no trecho deste dia tinham conexão wi-fi de boa qualidade, por mais pé-sujo que o estabelecimento fosse.
O trecho deste dia teve quase 474 quilômetros. Se não passássemos por Rosario, a viagem diminuiria em 100 quilômetros.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s