Dos momentos agoniantes da profissão

Por Deus que gostaria de iniciar os trabalhos de mais um ano por aqui com outro assunto e não essa espécie de desabafo. Porém, os fatos foram mais ligeiros que minha inspiração. E num misto de pasmo/incrédulo/assustado/frio/emotivo traço essas linhas – originalmente escritas à mão em madrugada insone.

É que aconteceu de novo. Um desses dramas tão corriqueiros e cotidianos para um jornalista hardnews como sou há mais quase quatro anos. Chegou até mim: um cachorro, um menino, uma tragédia. “Ataque de cão deixa menino em estado grave”, era a manchete. Era pra ser mais uma das pequenas tragédias que ocorrem todos os dias no paralelo mundo das notícias.

Mas o guri, dessa vez, é meu conhecido. Isso, para mim, o torna tão diferente de todas aqueles outros que já noticiei antes. Torna-o – e só para mim numa redação ansiosa por novidades – mais importante. Torna-se um espelho que não reflete aquilo que é esperado. Reflete não o repórter um tanto calejado com a dor alheia e sim o ser humano, que, sem mais a quem recorrer a entrevistas, apela à fé. “Que tudo termine bem, que tudo dê certo.” Que mentaliza mantras.

Tais situações são raríssimas. Mas ensinam – à força – que o jornalismo, apesar da pressa, da objetividade, do pouco espaço/tempo, da má-vontade alheia e de todas as dificuldades, é uma ciência humana. Acima de tudo, humana.

Anúncios

Um pensamento sobre “Dos momentos agoniantes da profissão

  1. Pingback: Sobre Berlim | Telha do Tiago

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s