Reencontro com um velho amigo. Ou momento confessional nº 11

Dias atrás vi algum blog que listava coisas legais para ensinar a seus filhos antes que você vire um adulto chato. Não tenho herdeiros, mas resolvi testar a proposta. Num impulso, credenciei-me para o show do Charlie Brown Jr, no bar Opinião, aqui em Porto Alegre.

Poucos dos meus poucos leitores sabem, mas um dia já fui adolescente, cabeludo e fã de Charlie Brown Jr. Daqueles que iam em shows no gargarejo, entravam em roda punk. E também iam – no mesmo Opinião – ver sua banda preferida.

E fui fã por bastante tempo. Fiel, que comprava cd (!) na primeira semana de lançamento, que catava cifra na internet para tocar no violão, na guitarra e no baixo.

Só que tudo isso terminou em 2005. Houve uma cisão até hoje não muito bem explicada. De cinco integrantes saíram quatro. E o Chorão, digo a banda, continuou. Não sei o porquê direito, mas aquilo me soou inaceitável. Uma traição, enfim.

Neste hiato, olhei para a minha ex-melhor banda do mundo com certa indiferença. Por cima, cantarolei  uma que outra música, apenas. Não toquei nenhuma outra.

A coisa, porém, começou a mudar de figura em 2011. O baixista Champignon e o guitarrista Marcão voltaram. A banda, ou 4/5 dela, estava de volta. Isso de certa forma fez acordar o adolescente roqueiro de outrora.

Desatento, reparei que o mesmo grupo tocaria no mesmo Opinião o qual fui sozinho 12 anos atrás. Por que não ir? Aí me vi novamente em um Opinião lotado, rodeado por adolescentes, jovens adultos tão iguais como uma década atrás. Uma banda também idêntica aquela. O diferente foi eu. Sem nem cogitar pular ou se esbofetear em rodas-punk. Resistente, de certa forma. Um idoso aos 26. Ex-roqueiro, de fato.

Por meia apresentação foi assim. Até que algumas músicas “das antigas” surgissem, para derrubar algum eventual preconceito. Para fazer voltar o adolescente, que se não foi para a frente do palco, cantou de longe, batendo o pé e fazendo das mãos uma guitarra ou uma bateria imaginária. Reencontrou um velho amigo, que depois de infortúnios parece ter recuperado a velha forma. E feito um ex-adolescente feliz. Ao menos enquanto não vira definitivamente um adulto chato.

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3 pensamentos sobre “Reencontro com um velho amigo. Ou momento confessional nº 11

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