Para encher os olhos além do tango

   Não sei se eles já faziam um cinema assim faz tempo. Mas, atrasado ou não, descobri só no ano passado. E tal como a literatura, o cinema produzido na Argentina vale minutos, horas e posts de atenção.
Em matéria de cinema, considero-me leigo. Apesar de frequentar até que bastante, fico perfeitamente feliz se saio satisfeito da sala onde entrei, sem ter os vícios que conhecedores mais atentos podem ter em suas análises.
   Em 2010, reparei em “O Segredo de seus olhos” graças à vitória na disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro. Aproveitando seus quase seis meses em cartaz de Porto Alegre, fui ver. Assisti a um espetáculo, com diálogos marcantes e cenas fantásticas, como um plano sequência em meio a um jogo de futebol.

   Depois desse longa, que já nasceu clássico, perdi tempo e não vi “Abutres”, com o mesmo ator Ricardo Darín, mas me programei e conferi “Um conto chinês”, deste ano.
   Antes de mais nada, é bom só lembrar que a expressão “conto chinês”, nas bandas do Prata, significa uma história absurda, sem pé, nem cabeça. Expressão que faz jus à narrativa do filme, em que um chinês desamparado em Buenos Aires é hospedado, meio que forçadamente, por um argentino um tanto quanto avesso a relações sociais.
   Se não tem cenas tão espetaculares quanto o vencedor do Oscar, “Um conto chinês” não deixa por menos nos diálogos, além de outra atuação de luxo de Ricardo Darín.

   Menos famoso, “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital” entrou em cartaz no segundo semestre deste ano. A história de dois jovens solitários em uma grande cidade – que poderia ser a capital argentina ou outra metrópole qualquer – retrata muito bem o comportamento de milhões de contemporâneos hoje em dia.
   Para um olhar pouco atento, os dramas de Martín e Mariana não renderiam uma boa história, mas o diretor Gustavo Taretto conseguiu entrelaçar a trama fazendo um filme não no padrão dos outros dois, mas com uma qualidade inegável, aos moldes de um mudo geração Y.

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