Só as carecas especiais ganham beijos

   Não se beija uma careca impunemente. Nunca. Há de se ter carinho para cometer tal ato. É preciso amor – e, em alguns casos ficar na ponta do pé – para levar os lábios até o topo da testa.
Quem escreve isso é quem muito já beijou uma careca. Um grande e especial aeroporto de mosquito, cercado de cabelos enbranquecidos ao longo de 89 anos e meio de uma longa vida.
Uma careca simpática, que guardava uma mente curiosa, cuja trajetória começou lá no interior das Minas Gerais. Que de lá saiu e quase foi à Europa em 1945, mas que por sorte do destino atracou num Porto Alegre.
A careca pertenceu a um mineiro que se esqueceu de falar uai, embora sempre perguntasse como andava o Belo Horizonte da família fã de martelinho de cachaça e pão de queijo. E que nunca deixou perder a simplicidade daquela terra.
Um mineiro que foi meu avô. Que por um pequeno lapso do tempo e de um outro coração foi sempre meu único avô. Um cara legal, que partiu de mansinho para reencontrar sua felicidade há pouco mais de um mês.
E que deixou saudades.

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