Hora do Conto 4 – Enriquecendo a cultura à base de voz e violão

   Foi nas minhas férias, em janeiro, que prometi a mim mesmo dar um gás e, se possível, terminar de ler o livro. Mas foi só no fim das águas de março (trocadilho inevitável, desculpe) que, com entusiasmo determinante, finalmente virei a última das 425 páginas de “Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova”.
   Ok. Talvez lendo apenas o parágrafo acima, a tua vontade, caro(a) leitor de conseguir esse livro talvez seja um pouco menor que nenhuma. Porém, insista. Vamos à segunda parte:
   Muito dessa demora, contudo, foi por relaxamento meu, que acabei dando prioridades a outras coisas ao invés de mergulhar na(s) história(s) narrada(s) por Ruy Castro ao longo daquelas páginas invencíveis. Perdi, eu, que acabei não guardando todas na memória como deveria.
   “Chega de Saudade” é sublime, embora cansativo em certas partes. Tem uma das aberturas mais geniais que já li – a qual comparo a “Rum, Diário de um jornalista bêbado”, de Hunter Thompson, a melhor, na minha opinião. E, com tanto gênio envolvido na parada, o livro de Ruy Castro dificilmente sairia ruim. Muito bem escrito, então, faz valer o esforço por cada página.
   A obra serve quase como um manual da música brasileira da metade do século passado. Bastidores interessantíssimos como a (verdadeira) apresentação de Vinicius a Tom, shows históricos em meras bodegas – e faculdades de Arquitetura – ou o ambiente dos bares mil onde a turma se encontrava chegam a ser visuais em diversos momentos – e, obviamente, musical o tempo inteiro.
   Acompanhando João Gilberto, o Joãozinho, desde a Juazeiro da década de 1940, o leitor possivelmente achará o criador da batida revolucionária da Bossa Nova um grandioso mala sem alça. No entanto, sua produção musical justifica toda e qualquer chatice. Pois João Gilberto tem o dom da hipnose, provado de Chega de Saudade a “João, voz e violão”, seu último trabalho.
   Ressalte-se, também, que Ruy Castro evita visões apaixonadas demais sobre o gênero, ou sobre alguns de seus artistas. Isso o faz abrir o leque de músicos integrantes da Bossa Nova e de outros ritmos nela ligados. Quem ganha com isso é o leitor, que termina o livro culturalmente muito mais enriquecido do que quando começou.
   Outro lado positivo é que “Chega de Saudade” foi publicado originalmente em 1990 e reeditado algumas vezes depois. Além disso, a festa de Bossa Nova 50 anos terminou em 2008, o que fez com que obras sobre o evento tenham baixado de preço. Uns R$ 30,00 já resolve, no máximo. E, lembrando, há sempre a opção do sebo. Vá lá e aproveite!

Chega De Saudade. A história e as histórias da Bossa Nova
Autor: CASTRO, RUY
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: ARTES – MÚSICA

Fonte: Livraria Cultura

ps: tenha papel e caneta por perto na hora de lê-lo, caro(a) leitor. Tu vais precisar na hora de lembrar a quantidade de música que irás querer ouvir depois. Vale a dica!
ps 2: Se quiseres, relembra o post de 2009, sobre a biografia de Tom Jobim.

Anúncios

3 pensamentos sobre “Hora do Conto 4 – Enriquecendo a cultura à base de voz e violão

    • Ainda não li. Mas quero.
      As biografias dele são muito bem escritas.
      Não sei se tu chegou a ler a do Tom, que tá no link ali em cima.
      É boa, tem ótimas histórias, mas o texto deixa muito a desejar…

      abraço

  1. Pingback: De bom tom « Telha do Tiago

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s