Brisas de março

   Ao acordar deparei-me com ele, que havia muito não o sentia, mesmo que em menor escala. “Frio? Ah, é… era assim mesmo.” O ventilador desligado já tinha sido um sinal que passou batido na noite anterior. O pior do verão de Porto Alegre começa a ficar para trás.
   Cheguei à rua e – surpresa – não senti aquele bafo de prévia do inferno emergente do asfalto quente da minha cidade. Nem o suor tão comum e presente desde dezembro. Aliás, na rua, os cabelos até revoltaram-se um pouco mais com uma certa brisa de março. A temperatura? Algo abaixo da casa dos 30 graus. Alívio.
   São esses ventos de março que trazem novamente a vida a Porto Alegre. Para o bem e para o mal. Fazem com que o tédio e o mormaço típicos de janeiro e fevereiro, aos poucos, deem espaço às confusões e engarrafamentos de uma pequena cidade grande apressada e trancada no trânsito.
   Mas também devolvem aqueles amigos sortudos que tiram férias no verão. Três meses depois, o happy hour, as peladas e as rodas de chimarrão voltam a ficar completas.
   Temperada de rotina, a brisa de março sopra para longe a falta da vida a qual eu me acostumei. Ainda que seja temporário, pois, no frio do inverno, muitos hão de ansiar pelo calor diário do verão porto-alegrense. A vida, enfim, é feita de saudade. E da falta do que a gente não tem.

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