La Prensa argentina – uma pequena reflexão comparativa de domingo

   O taxista já havia avisado – como se os cartazes e pichações não deixassem claro: o argentino é um ser muito politizado. Muito, e em razão disso, explicou, é porque lê bastante jornal. Procuram se informar do que passa pela Casa Rosada e demais arredores do poder.
   A edição do Clarín de domingo, 20 de março, ilustrou a fala do taxista. Já a primeira das 88 páginas de muito conteúdo trouxe uma manchete causadora de alguns cabelos brancos na cabeça de Cristina e seus assessores – investigando a ligação da família Kirchner com traficantes. Outra matéria avisava sobre uma rota que tem sofrido com assaltos nas proximidades portenhas. Nos esportes, uma editoria plural. Houve notas de 14 modalidades diferentes, após quatro (haja assunto!) páginas exclusivas sobre o jogo entre Racing e Boca, na noite anterior. Além, claro, da cobertura sobre o evento tangueiro no Obelisco (que será assunto do próximo post).
   Agora vamos comparar com os jornais brasileiros. A edição dominical da maioria deles, nos quais se incluem os principais, fica pronta no sábado pela manhã e circula nas primeiras horas da tarde. Denúncias contra governos e afins? Difícil! Mais arrevistada, a edição de domingo costuma apostar em reportagens atemporais. Quanto ao que aconteceu no sábado à noite, o leitor só saberá na segunda-feira ou pela internet. Os esportes basicamente se resumem a futebol.
   Detalhe a ser considerado: o Clarín e a Cristina Kirchner não têm boas relações. Mas isso é de conhecimento geral e aberto. Logo, não é de se surpreender que o jornal procure, fuxique e talvez até amplie quaisquer denúncias contra a presidente.
   Aqui no Brasil muitas publicações, pra não dizer todas, têm linhas políticas determinadas pela direção, mas nem todas abrem isso, percebendo apenas nas entrelinhas. Também se dizem “imparciais” – mito que todo estudante de jornalismo ouve e defende.
   Algumas revistas criticam ou defendem bastante, porém não se posicionam oficialmente quando o assunto é política. Resultado: confusão na cabeça de quem paga para lê-la.
   Sinceramente, não sei qual postura pode ser considerada melhor – ou menos pior: a crítica aberta, com a possibilidade de matérias tendenciosas, ou uma imparcialidade disfarçada, na qual só o leitor mais atento percebe.
   Noto que as faculdades do Brasil insistem na segunda opção, até porque a primeira não se desenvolveu muito nas bandas tupiniquins. Acho que a mídia brasileira precisa ampliar suas experiências.

Anúncios

Um pensamento sobre “La Prensa argentina – uma pequena reflexão comparativa de domingo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s