“Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

   “Era para eu estar passeando nesta semana e tirando fotos”, lamenta a administradora Vanuta Kich, 23 anos. Gaúcha de Rosário do Sul, ela vive no Cairo, capital do Egito, desde abril do ano passado, onde participou de um intercâmbio, cujas atividades terminaram na última semana, justamente quando começou os conflitos no país, com a população saindo às ruas pedindo a saída do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
   Em entrevista ao Correio do Povo por telefone na noite desta quarta-feira, ela relatou como está o seu cotidiano no país, onde ficará até a próxima semana, quando retorna ao Rio Grande do Sul. Com voo confirmado, ela diz que a embaixada brasileira não lhe passou nenhuma recomendação especial, embora a grave crise no Egito já tenha deixado centenas de feridos e pelo menos três mortos. Enquanto isso, ela procura ficar no seu apartamento, onde é resguardada por vizinhos que montaram guarda para evitar ações de vândalos.

Situação de Hosni Mubarak

“Está chegando a um extremo que os manifestantes não vão abrir mão. Eles não querem nenhum tipo de desculpa para o Mubarak ficar até o final do mandato. O presidente já falou que não vai se recandidatar, mas o povo não está muito crente, porque não é a primeira vez que ele fala isso. Eles querem que Mubarak saia agora. Enquanto o presidente não sair, os manifestantes não vão parar. Está uma indefinição total e ninguém sabe o que vai acontecer no país. Em geral, as pessoas estão respeitando o toque de recolher, mas o pessoal que está na praça Tahrir não está abrindo mão, eles estão inclusive dormindo lá.”

Internet e telefonia

“Sexta-feira parou de funcionar a internet. Hoje (quarta-feira) voltou por volta das 14h. O telefone ficou sexta e sábado fora. Nem ligações dentro do país funcionavam. No domingo voltou, mas a conexão não era muito boa. Funciona melhor à noite. Mensagens por SMS não funcionam.”

Meios de comunicação

“O canal local da televisão está funcionando, mas não sei sobre os jornais impressos. Acho que não. O discurso do Mubarak e o anúncio do toque de recolher foram transmitidos também por alto-falantes – os mesmos que anunciam os horários de reza para os muçulmanos. Durante o tempo em que a internet estava fora, ficávamos sabendo das noticias através do canal local, embora em árabe, e por amigos egípcios que iam nos atualizando. Agora, a notícia circula pelo Facebook e acompanhamos também pelo CNN e Al Jazzera online.”

Vândalos

“A gente vê homens de guarda no prédio, com pedaços de pau e pedras para protegerem seus prédios. Estavam entrando nos prédios e arrombando casas. Vândalos entraram no Carrefour, sacaram mantimentos e destruíram tudo.”

Barreiras nas ruas

“Andar na rua é um pouco perigoso. A cada quadra tem grupo de moradores ou exército, checando o que tem dentro e pedindo documento. A nossa rua (Ahmed Zomor) é muito movimentada normalmente e hoje não passa nada.”

Supermercados

“Eles funcionam entre às 9h e 12h – o horário permitido para sair na rua durante o toque de recolher é entre 9h e 15h. No início da semana, quando nós fomos, foi a época que o pessoal começou a falar que iria ter o toque de recolher, e era necessário se prevenir com estoques. Demoramos três horas para conseguir fazer compras. Havia pessoas brigando e corre-corre. Agora, já reabasteceram os mercados.”

Falta dinheiro em circulação

“Os bancos não estão funcionando desde quinta-feira e nem mesmo os caixas eletrônicos. Se tu não tem dinheiro em cash, esquece. As lojas também, em sua maioria, estão fechadas. As empresas estão em recesso desde a semana passada também.”

*Colaboração do jornalista Thales Barreto

**Matéria originalmente publicada no CP, na noite de 2 de fevereiro. Graças ao Thales consegui o contato com a Vanuta, feito por telefone, cuja qualidade da ligação estava excelente, embora o caos no país.

Administradora Vanuta Kich acredita que manifestantes não irão ceder ao presidente Hosni Mubarak

Anúncios

Um pensamento sobre ““Ninguém sabe o que vai acontecer no país”, relata gaúcha que mora no Egito

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s