Aquilo

   Sentiu quando começou. Conhecia exatamente aquela sensação e não gostava nada. Como das outras vezes, chegou mansamente, manifestando-se devagar. Porém, e era sempre questão de pouco tempo: dominou-a e venceu. O resultado, idêntico ao de outras vezes: a fuga.
   Tinha que acontecer de novo justo agora?, questionou-se, triste. Procurou defeitos para encontrar nele. Não encontrou. Ele não era a personificação do homem perfeito, longe disso. Daqueles que dava suas bolas foras de vez em quando, e que volta e meia esquecia-se de fazer a barba – o que ela detestava. No entanto, tudo era superável, estava convicta.
   Não compreendia o porquê daquilo de novo. Mas aconteceu. E ela fugiu.
   Como no passado, deixou compromissos supérfluos ganharem importâncias maiores, adiou encontros e cinemas. De próxima, fez-se ausente. Reviu todo o enredo que já passara mais de uma vez. Tristemente percebeu: de prioridade, virou opção. Consentiu.
   Mas dessa vez doeu menos, percebeu. Não teve tons dramáticos. Só um quê melancólico. De quem sabe o final de todos os filmes, ainda que a história comece diferente. Tudo que tinha sido tão bom acabou desperdiçado sem maiores justificativas. Até mesmo porque não coube explicação alguma. Simplesmente não deu certo.
   Quiçá, finalmente acostumou-se com seu destino. A desilusão.

Trilha sonora:


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