A metade errada

   Não tivera medo de falar, muito menos se furtou. Na verdade, disse a ela, mas em outra linguagem, que talvez não tenha sido entendida. Ou talvez tenha sido ignorada.
   Para ele, as palavras eram peças meramente descartadas do relacionamento. Com o olhar, transmitia tudo aquilo que sentia. Com as mãos, se expressava. Bastava.
   Mas ela, como tantas outras, fazia questão de ouvir. Queria tudo registrado, se desse até em papel passado. Sabe-se lá para quê. Gastava tanto tempo em exigir que perdeu a mensagem.
   Ele quis uma cúmplice, encontrou uma burocrata. Ela quis a segurança dos cartões assinados, encontrou um poeta qualquer.

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3 pensamentos sobre “A metade errada

  1. Sabe, vizinho, eu fico muito feliz por ter acompanhado seus escritos. O que está nesse texto retrata os degraus que você já subiu.
    Muito bem elaborado. Você conseguiu fazer síntese do que poderia virar muitas linhas. Enxuto, bem escrito e com um final digno de cronistas com muito chão percorrido. Parabéns.
    Abração.

  2. Quando não clica é tão ruim. Mas a vontade de tentar não pode parar. A busca é incessante até que brilha….e quando brilha aí é Gooooooooooooooooooooooooooolll ou algo parecido com isso.

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