Mágica às 16h56min

   Gosto muito do mágico da Praça da Alfândega. Todo dia assisto alguns segundos de seu show. Em direção a mais um dia de trabalho, com um café na mão esquerda e um saquinho com pães de queijo na direita, passo – apressado – e o vejo.
   Atrás de sua mesinha do tamanho de uma classe escolar, ele apresenta seus truques. Sempre me pergunto onde é que vai parar o lenço vermelho que some por entre as suas mãos. Para as mangas arregaçadas é que não é. Mistério.
   Em meio a baralhos, dados e afins, o singelo, e quase discreto, cartazinho informa: a mágica está a venda. Com poucos reais, qualquer cidadão vira ilusionista e faz sumir lenços vermelhos, verdes ou brancos por entre as mãos.
   No entanto, a multidão atrasada pouco o nota. A música nos fones de ouvido, os buracos na calçada, o chefe esperando ou os horários quase vencidos para pegar os ônibus roubam a atenção do pobre mágico.
   O corre corre do dia a dia, como sempre, tira a graça do espetáculo.
   Ele, por sinal, faz muitas mágicas, mas ainda não descobriu a de fazer trocados a mais aparecerem no seu bolso. Quando fizer, aposto, não será só o lenço vermelho que sumirá das tardes da Praça da Alfândega.

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