Desabafos alheios. Ou momento confessional nº 8

   Lembro do Mestre Leonam ensinando e repetindo inúmeras vezes os mandamentos do jornalismo: “Mandamento número: jornalista não pode ser ingênuo; mandamento número dois: jornalista não pode ser ingênuo; mandamento número três: jornalista não pode ser ingênuo”.
   Por mais que tenha aprendido a lição, passado com uma das notas mias altas naquela disciplina e sempre me perguntar, quando dou por encerrada uma matéria, se o professor aprovaria o texto, às vezes acho que não compreendi ainda essa lição. Em momentos como agora, que não consigo – e não quero – acreditar nos boatos que li há pouco.

“Governo propõe pensão para tricampeões do mundo”

Os jogadores campeões mundiais com a seleção brasileira de futebol poderão ganhar uma ajuda econômica, tão desejada a muito tempo. Nesta quinta-feira, o Governo enviou oficialmente ao Congresso um projeto de lei que prevê uma pensão vitalícia para os atletas triunfantes nas Copas de 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México), especialmente para os que apresentarem maior dificuldade financeira.

A Presidência informou que o texto, publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, será estudado pelo Congresso antes de ser aprovado nas contas de Brasília. O projeto cederá um prêmio de R$ 100 mil para cada um dos jogadores que compuseram os elencos das três conquistas mundiais. Em caso de falecimento, os herdeiros receberão a quantia.

Somado ao valor depositado de forma imediata, o Governo Federal pagará uma pensão mensal para cada jogador, igualando-a à máxima admitida atualmente no país (R$ 3.416). Dessa forma, o estudo, que já dura dois anos, está perto do final esperado pelos ex-vencedores dos três primeiros títulos brasileiros de Copa do Mundo.

A iniciativa para esta ajuda monetária surgiu quando o título do Mundial de 1958 completou 50 anos. Em uma cerimônia em Brasília na época, os atletas daquela geração mostraram a dificuldade financeira a qual viviam alguns deles e comoveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sugeriu a proposta deste acordo e prometeu acelerar este processo.

Detesto um (não)debate assim sobre política, mas essa foi demais! Vou ponderar por partes, tentar ser breve e não me irritar muito:

1) Sou completamente favorável a todas as formas de reconhecimento público a heróis, sejam eles bombeiros, lixeiros ou atletas. Poucos assuntos são capazes de mobilizar tanto a opinião público e a população como o esporte. O esporte une, gostem ou não, o nosso distraído povo brasileiro. É uma lástima e uma falta de consideração ver pessoas que representaram o nosso país passando por dificuldades financeiras. Tão triste quando um bacharel desempregado, sem dúvida.

2) Em rodas preliminares de discussão na internet, em blogs e twitters, notei certa indignação e perguntas do tipo: “E os que não foram campeões em 1966, como que ficam?”. [explosão e perdão pelo palavrão] Não consegui evitar o pensamento: “PUTA QUE PARIU, parem de pensar somente em futebol, CARALHO!” Temos 200 milhões de pessoas nesse país, somos conhecidos pela grande variedade e mistura de culturas, mas só pensamos em futebol? (E escrevo isso depois de participar da cobertura de dois grandes jogos nessa semana)

3) Se dá para chamar de herói (e ficar com pena e dar pensão) àqueles campeões mundiais de 1958, 1962 e 1970, como classificar os bicampeões mundiais do basquete (1959 e 1963) ou Natália Falavigna, campeã mundial no taekwondo, ou João Derly? Também estavam representando o mesmo país e foram campeões do mesmo mundo, não? Se vamos dar uma bolsa-campeão-do-mundo para um, abre-se o precedente para todos os outros. Faça-se justiça nessa lambança, então. Não vamos esquecer nossos campeões do mundo. E já vou lembrando: o Brasil já ganhou algumas vezes o Mundial de Punhobol.

4) Sonho em ver o Brasil uma potência olímpica. E fico muito triste ao ver que temos plenas condições e desperdiçamo-as facilmente. Muito em parte da mídia, que privilegia demais o futebol, muito em parte do governo, que não investe corretamente esporte. Até por isso fiquei feliz com a escolha das sedes da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Ao contrário do Mestre Leonam, acho que isso pode ser um incentivo ao esporte. A mais pura ingenuidade minha, eu sei.

5) [hora de colocar o nariz de palhaço, caro(a) leitor] Eu sei que o dinheiro que querem dar aos atletas não chega a ter tanto impacto nos cofres do governo. Um milhãozinho a mais ou a menos nada mais é que a quantia desviada em alguma esquina de Brasília. Mas acho que sou obrigado a escrever isso. Caindo na demagogia: antes de pensar em ajudar nossos heróis do passado – o que é justo e honroso -, o Governo Federal poderia investir mais em escolas e universidades públicas – o que é necessário -, reformar um hospital – o que é urgente – ou, sei lá, tapar uns buracos de qualquer BR por aí – há várias precisando de uma manutenção.

Updade
Enquanto isso, nos outros esportes (que também têm campeõesm mundiais)

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4 pensamentos sobre “Desabafos alheios. Ou momento confessional nº 8

  1. Concordo!
    Um absurdo ficar dando pensão vitalicia.. sendo q estamos
    precisando e MUITO de melhorias pra população. Muita gente precisa muito mais.
    E todos esses atletas já ganham aposentadoria.. acredito eu.
    Que administrem melhor seu dinheiro.. e não usem da posição que ocupam
    pra mendigar dinheiro pro presidente.
    Tudo que fizeram foi digno de parabéns, mas não fizeram de graça.
    beijo

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