O meu caso com Betty, a Feia

   Na verdade não foi bem um caso que tive com Betty, a Feia, em certa feita, nos áureos tempos da adolescência colegial. Não posso chamar assim, pois, simplesmente, levei um fora dela. Com Betty, aprendi a primeira lição que um homem deve saber: nunca duvide de uma mulher. Mesmo as não maquiadas.
   Lembro-me que Betty e eu éramos bastante amigos. Tanto ao ponto de eu praticamente tratá-la como um par, despejando nela bobagens que um guri menor de 18 anos é capaz de argumentar. Dar em cima, nem pensar. Não fazia a menor noção do que tinha por trás daquele disfarce dos óculos e do rabo de cavalo.
   Contentava-me com suas palavras. Não queria mais que aquilo.
   Uma noite, porém, Betty, a Feia, revelou-se. Retocou a sombra e os cílios, soltou os cabelos e empinou levemente o nariz. Absolutamente linda, surgiu em qualquer festa na qual eu também estava, pisando sobre um salto dez centímetros e acima até da própria confiança.
   Quando a vi, não acreditei. Antes do “oi”, esfreguei os olhos para enxergar de novo. Foi uma das primeiras vezes em que parei para me questionar até que ponto o etanol estava influenciando na visão. E não era o caso.
Um pouco de produção é capaz de fazer milagres em corpos femininos. E no caso de Betty foi só um pouco mesmo. Fiquei brabo comigo por conviver com ela diariamente e não ter notado aquela beleza.
   Imberbe, cumprimentei-a admirado. Satisfeita, aposto que pensou “viu, só?”.
   Tentei colorir nossa amizade nessa ocasião. Lembrei do nosso bom relacionamento e devo ter citado mais uma ou outra palavra com a inspiração do álcool. Bulhufas! Ouvi um dos nãos mais convincentes que já me foram dados. Resignado, nada me restou a mais do ser aceitar a derrota. Vitoriosa, Betty, a Feia, continuou exibindo seu sorriso colgate.
   Depois do amanhecer, contei os minutos até a segunda-feira. Quando ela chegou, ansiei pelo recreio, quando enfim pude vê-la novamente. Esperava-a linda. Mas não. Recolocou os óculos de grau e prendeu os cabelos. Disfarçou-se no lugar-comum do dia-a-dia. Sua beleza, no fim, preferiu guardar em segredo. Idiotas como eu, afinal, eram perfeitamente dispensáveis.
   Desde então jurei nunca mais duvidar de uma mulher.

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9 pensamentos sobre “O meu caso com Betty, a Feia

  1. Quem aos dezoito aprendeu que um dia todas nós ficaremos feias por fora, ganhou um presente. Afinal, homem de verdade não espera que a mulher acorde todas as manhãs de lábios e olhos pintados, não é?

    Essa Betty(se existiu) dispensou você com toda a razão. A atenção que você dava a ela como pesoa parece ter sido melhor que a cantada. A amizade se manteve?
    Abraço.

    • É verdade, Clarice.
      Não vou dizer que beleza não importa um pouco também, mas que a inteligência vale bem mais, não há dúvida.
      Sim, claro que a Betty existiu. E claro – hoje – que dou completa razão pra ela. A gente continuou amigos por certo tempo ainda, porém o afastamento natural causado pelo tempo acabou por impedir a continuação da nossa amizade, o que é uma pena. Quando terminei o colégio, nem o msn estava bem difundido ainda…

      beijo!

  2. q sucesso com o publico feminino rapaiz! 100% dos coments só delas….
    legal o texto e bem real mesmo!
    eu conto o final dessa festa…
    ele continuou bebendo e agarrou uma meia gorda( pra alegria das bettys) e fim!
    hehehe

  3. Pior que somos bem assim. Provavelmente pq o dom da observação não tenha aflorado totalmente. Talvez agora a coisa tenha melhorado, mas volta e meia ratiamos com meninas assim de novo, como amadores. Alías profissionais nunca seremos, morreremos amadores! Só assim vamo aprendendo.

  4. bah luiz “morreremos amadores” é muito forte! vamo bota ai q agente volta e meia esbarra com uma dessas, mas já temos uma bagagem… se a média é 7, a gente passa hehehehe

    abrassss

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