Todo carnaval tem seu fim… mas não precisa ser agora

   A Imperatriz Dona Leopoldina já conquistou o título em Porto Alegre, aUnidos da Tijuca levou o caneco no Rio de Janeiro. Até mesmo a quarta-feira de cinzas foi riscada do calendário. Isso significa que o carnaval 2010 é passado, certo? Não em Montevidéu. A capital do Uruguai deixa os baianos na saudade e promove o maior carnaval do mundo, com 40 dias. Lá, a festa só irá terminar em meados de março.
   Toda a celebração começa ainda em janeiro, na metade do mês, com um grande desfile na avenida 18 de Julio, uma das principais vias da cidade. Os tambores que começaram a ressoar no primeiro mês do ano só irão cessar às vésperas do outono.
   Assim como no Brasil, o evento da capital uruguaia tem diversas vertentes. Apresentações de Murgas, Camdombes, Humoristas, Lubolos e Parodistas substituem o axé, o frevo e as escolas de samba. A cultura é diferente. E o jeito de fazer essa festa também. Em comum, a popularidade que o carnaval consegue proporcionar.
   Conforme o dicionário, um dos significados do adjetivo popular é: “Referente ao povo, a ele pertencente ou dele proveniente”. Pois bem, em Montevidéu, esse conceito acontece a pleno e em todos os lados, seja no tablado do humilde bairro Agarrate Catalina ou para os Vips, no imponente palco do Cine Plaza, situado no coração da cidade. O carnaval é para todos, feito por muitos. É plural e por isso popular. Durante o mês e meio da festa, os grupos apresentam-se nos diversos espaços da capital, atraindo público de todas as idades – desde crianças de colo a aposentados.
   Uma das formas de apresentações é a Murga. Trata-se de um conjunto que reúne quase 20 pessoas. Ritmados por uma pequena bateria de três instrumentos, devidamente fantasiados e maquiados, eles cantam com humor a vida social e política do Uruguai. A coreografia e o teatro mostrados encantam a plateia, sempre de olhos fixos no show.
   “Eles são verdadeiros artistas. Fazem a gente se entreter e esquecer dos problemas”, define a dona de casa Maria Brian, 63 anos, tarde da noite de uma quinta-feira. Para chegar ao tablado do bairro Tres Cruces, ela encarou um ônibus coletivo acompanhada da filha e dois netos pequenos – que corriam junto a outras várias crianças pelas arquibancadas.
   E, claro, se é carnaval e tem ritmo, a origem não poderia ser outra: África. Do lado de lá do Atlântico é que veio o camdombe, outro embalo da festa. É a parte mais brasileira do carnaval uruguaio. No último setembro, inclusive, foi declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, fato bastante comemorado pelos montevideanos.
   Os grupos de camdombe também se apresentam pelos tablados da capital. Porém, é durante as Llamadas, que eles protagonizam um dos pontos altos da festa. As Llamadas são como desfiles de blocos, programadas para primeira semana de fevereiro – na quinta e na sexta-feira. Não há o requinte, nem os artistas de novela presentes no Rio de Janeiro, mas o encantamento do público é praticamente o mesmo.
   As Llamadas acontecem em plena rua, dividida: um lado, com arquibancadas, pago; o outro, livre. Os foliões – também de todas as idades – passam a centímetros do público, cantando e animando os presentes. Entre um e outro grupo, crianças com sprays de espuma divertiam-se com o brinquedo, no curto ínterim em que não estavam dançando. Logo que passava a próxima, miravam e, sorrindo, sentiam toda a magia de uma festa inteiramente pertencente ao povo, popular.

A matéria completa foi publicada no CP. Confere clicando aqui

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