“Quero retornar ao Haiti para ajudar meu país”

   “É complicado, não sei como explicar” – com essas seis palavras o haitiano Alix Georges, 28 anos, tentou descrever a agonia que sente diante da impotência de estar longe de seus familiares no momento da maior tragédia da história de seu país. Ele, junto com outros 11 compatriotas, moram em Porto Alegre, onde estudam cursos superiores através de um convênio no Centro Universitário Metodista, do IPA.
   Alix tenta, sem sucesso, o contato com sua família desde a hora que soube do terremoto de 7 graus, na terça-feira. “Os telefones antes não tocavam, agora chamam, mas ninguém atende”, relata o estudante do último ano de engenharia da computação. O tremor de terra comprometeu a comunicação no Haiti e até mesmo o Exército está com dificuldades para obter informações concretas.
   Dos seus conterrâneos na Capital, apenas o colega Fevri Israel, 35 anos, teve notícias dos parentes. Ele recebeu uma ligação da irmã, que mora nos Estados Unidos, por volta do meio-dia. Ela soube dos familiares por meio de um amigo que mora em Nova York e que tinha conseguido contato com Porto Príncipe, capital haitiana.
   A magnitude da tragédia reacendeu em Alix, Fevri e nos outros colegas haitianos a vontade de trocar imediatamente Porto Alegre por Porto Príncipe. “Se tivesse possibilidade, voltaria agora”, angustia-se Alix. Entretanto, a hipótese está descartada. Pelo menos nesse momento. Isso porque, segundo o estudante, quem banca as passagens são os parentes no Haiti. Na capital gaúcha, eles não têm como juntar dinheiro, pois seus vistos são apenas para estudo e não os autorizam a trabalhar.
   O apoio do consulado haitiano poderia ser decisivo para a viagem, porém eles sequer cogitam solicitar os bilhetes para o órgão: “A gente optou em não pedir ajuda ao consulado. Eles devem estar ocupados com assuntos mais importantes”. Alix diz que há cerca de 200 haitianos estudando no Brasil. Além deles, portugueses, timorenses, angolanos e moçambicanos fazem algum curso pelo mesmo convênio no IPA.
   Ele tem consciência que o retorno ao Haiti não acontecerá agora e sim daqui a cerca de um ano, em janeiro ou fevereiro de 2011, quando já estiver com o diploma do curso de engenharia da computação nas mãos. Diante da tragédia, que pode ter um saldo superior a 100 mil mortos, encara a situação de formado como um desafio: “Eu vou retornar ao Haiti para ajudar meu país”, promete, convicto.

*Matéria originalmente publicada no CP

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7 pensamentos sobre ““Quero retornar ao Haiti para ajudar meu país”

  1. Que triste..
    Tomara que a família desses rapazes não esteja incluída
    nos 100.000 mortos, e que consigam voltar ou pelo menos um contato.

  2. Infelizmente está muito difícil ir até lá, pelo que se vê na TV. Talvez mais tarde. Agora eles apenas aumentariam o número de pessoas para alimentar.
    Quem sabe depois dessa coisa horrorosa deixe de ser interesante a alguns países manter o Haiti miserável.
    Sorte para todos eles.
    Abraço para você.

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